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Posts de outubro 2009

Um convite especial

30 de outubro de 2009 1

Uma vez me disseram que antes de morrer devemos fazer três coisas: plantar uma árvore, que eu tive o prazer de plantar quando estava na escola, minha professora fez um projeto social e eu plantei um monte de arvore na pracinha.

A segunda coisa é ter um filho, prazer que eu tive com o Leonardo, me pequeno que está com cinco anos, mas é tão ligeiro que se deixar com dez ele se candidata a presidente da república.

A terceira coisa é escrever um livro, e estou tendo prazer de fazer agora, obvio que quero convidar meus amigos leitores para me acompanharem na realização desse sonho. Nos últimos dois anos eu percorro o estado fazendo palestras sobre o crack, temos conhecidos desde comunidades quilombolas a cidades de colonização alemãs e em todas as palestras e bate papos eu vi que existe uma dificuldades enorme em falar com crianças e adolescentes, pois o assunto é delicado e muitos pais e professores não encontravam o tom certo para não banalizar o tema ou pegar muito pesado e chocar.

Foi pensando nisso que me juntei com o Marco Cena um grande amigo e decidimos escrever um livro sobre o Crack para crianças e adolescentes. O nome é: Escudeiro da Luz em Zumbis da Pedra. O livro é conta a história do Nilo, um menino que junto com seu herói particular luta para tirar o irmão de um lugar chamado "Chapasquistão". O livro é todo ilustrado com desenhos, as ilustrações foram feitas por Dango e Daniel, dois jovens que coordenam o projeto de criação gráfica da Cufa.

Eu confesso a vocês que estou bem bobão com o resultado, pois para um favelado como eu poder lançar um livro que vai ajudar as pessoas num problema que conheço de perto é uma honra, e como eu disse quero dividir esse momento com vocês. Na próxima terça feira dia 03 de novembro eu estarei na feira do livro de Porto Alegre fazendo o lançamento oficial, vai rolar uma palestra gratuita sobre o tema tarde de autógrafos na Casa do Pensamento na área infantil e juvenil, e está todo mundo convidado para estar lá. Valeu galera e até terça.

Postado por Manoel Soares

O menino e a lupa

23 de outubro de 2009 1

O que motiva um menino a pegar uma lupa para matar formigas num dia de dia de sol?
Primeiro, o fato de ser maior, pois, infelizmente, nossa sociedade prega, segue e propaga a lei do mais forte. É como se o fato de termos alguém menor a nosso alcance nos dá o direito de pisar. Não sou daqueles que é contra a estrutura de poder. Desde que o mundo é mundo, sempre existiu gente em cima e gente embaixo. A questão é a tirania de quem está em cima.
Muitas pessoas são super-humildes quando estão na frente de poderosos, mas, basta colocá-los diante de quem é menor, que botam as garras de fora, e agem pior do que carrascos. Na verdade, se queremos saber quem é uma pessoa, é só lhe darmos poder.
Quem tem qualquer tipo de poder precisa exercitar sua bondade e seu senso de justiça. Poder sem bondade é tirania. Poder em benefício próprio é corrupção, independentemente do grau.
Muitas pessoas têm um pouquinho de poder e já se acham no direito de prejudicar outras para adiantar seu lado. A moral da vida é que riqueza compartilhada é riqueza abençoada. Não podemos ser mesquinhos, e medir nossos movimentos na hora de ajudar tendo como fazer.
Óbvio que não podemos jogar pérolas aos porcos. Existe maluco que nasceu verme. Você abre sua casa, ajuda um monte, depois, ele lhe golpeia pelas costas. Isso, infelizmente, é comum. Sendo assim, temos de ser seletivos na hora de abrir nosso coração. Afinal, meu amor e minha compaixão são preciosos demais para dar para qualquer um.
Não deixar o rancor dominar o coração é um bom caminho para usar o poder. Há maluco que aproveita o poder para se vingar, é outra atitude mesquinha. Afinal, a maior ofensa que meus inimigos podem levar é o meu sucesso. Quero-os saudáveis e gordos para comer salgadinhos nas minhas festas, e terem de me olhar nos olhos e dizer: "Obrigado".
Sei que pode parecer legal ser como o menino da lupa, e ver as formigas queimarem ao sol, mas temos de resistir.

Postado por Manoel Soares

200 anos de profissão perigo

16 de outubro de 2009 2

O dia do professor existe há quase 200 anos, quando nasceu foi a partir de um decreto de lei que fala de descentralização do ensino, salário do professor e outras coisas que até hoje são demandas da categoria. Mastigados pelas maquinas públicas os professores se dividem em duas categorias básicas: os apaixonados que ignoram as dificuldades e dão o sangue para fazer a diferença; e aqueles que fingem que os alunos são batatas, independente do aconteçam na sala eles não mudam a fisionomia. A verdade é que dependemos dos apaixonados, mas temos que entender os apáticos, cercados por uma realidade caótica os professores são diariamente desafiados em uma profissão perigo, como se não bastasse agora fazem pacto com traficantes para poder dar aulas. O único termo que define a política aplicada aos professores é: covarde. A professora Denise foi bombardeada pela justiça por obrigar um aluno a limpar o que sujou, mas a mesma justiça tinha que garantir condições de segurança para os milhares de professores no estado e municípios que são reféns do tráfico. Os professores comemoraram seu dia ontem fazendo parte de um sistema que pune professores que tentam educar alunos e ignora traficantes que aliciam. Ser professor hoje me dia é tentar trocar um pneu de bicicleta com ela em movimento, o mínimo deslize e tudo vai abaixo. O Brasil é um dos piores países em avaliações educacionais em todo o mundo, os profissionais que saem das faculdades assustam o mercado, alunos completam o primeiro grau sem saber ler e tudo isso é conseqüência da política de ausência do estado na hora de ouvir os gritos de alerta dos professores. Em 1827 eles criaram um decreto reivindicando e melhores condições, e até agora nada, tomara que não precisemos de mais 200 anos para que as coisas mudem, mas até lá aprofissão é perigo.

Postado por Manoel Soares

Na própria carne

09 de outubro de 2009 3

Às vezes eu custo para admitir algumas coisas, principalmente de algumas reflexões mostrarem falhas em mim ou naqueles que me importo. Esta minha reflexão é por conta de uma observação que venho fazendo ao viajar nas periferias pelo estado e me sinto tranquilo em dizer o que vou dizer porque já circulei em mais de 60 cidades gaúchas: tem um monte de favelado mimado e atirado nas cordas. Gente, tem certas situações que são por conta da pobreza e falta de oportunidade, mas tem umas que é puro relaxo, na boa, fui em uma cidade onde uma família recebeu doações de pacotes de pão, ao chegar em casa a mão colocou o saco cheio de pães em cima da casa do cachorro. Em outra a mulher veio me dizer que não aceitou o emprego de ascensorista de elevador por medo de perder o auxílio do Bolsa-família que recebia, é mole? Na verdade isso é reflexo de um comportamento coletivo, as pintas pegaram suas responsabilidades e colocaram nas costas das prefeituras, dos políticos, das professoras, mas não assumem o que devem assumir. Trocaram o CPF pelo CNPJ, essa de ficar jogando a culpa nas dificuldades da vida é muito cômodo, assim podem chorar na cama e fazer cara de inocente. Digo a vocês que se hoje o governo desse 10 mil reais para cada brasileiro, muitos iriam gastar com churrasco, motel e outras gandaias. Antes de reclamar das oportunidades que não temos devemos olhar as que estão piscando à nossa volta e não aproveitamos, e não quero aqui advogar à favor de políticos e governos, mas não tem como não cortar na própria carne vendo situações como essas. Temos que fazer nossa para que os problemas se resolvam, educar nossa carteira para não sair se abrindo para qualquer besteira, saber que nossa reputação e nossa consciência devem ser preservadas, pois no fim das contas é isso que nos resta. O martelo tem mais peso para quem tem menos grana e não podemos usar as dificuldades para advogar em causa própria o tempo todo, chega um momento que fica claro que metade da culpa dos problemas está em nossa conta. Recomendo aos amigos que identifiquem a sua parcela de responsabilidade e analisem se fizeram tudo que era possível, mas antes assumam o compromisso de não culpar ninguém, senão vamos entrar no mesmo ciclo de jogar na paleta alheia.

Postado por Manoel Soares

Minha política

02 de outubro de 2009 3

Amigos, quero dizer que sou grato pela admiração que a galera demonstra pelo meu trabalho, estou muito feliz com o resultado do projeto de periferias que colocamos no Jornal do Almoço, visitamos comunidades antes nunca mostradas na televisão, ao menos, não de forma positiva. As lideranças comunitárias têm sido de extrema importância nessa luta, pois, além de mostrar as coisas legais de alguns dos bairros e comunidades que mais sofrem com o preconceito, nós fazemos questão de fazer com que o poder público assuma compromissos com as coisas que precisam ser melhoradas, fazemos isso sem baixaria, sem fazer da dor dos mais pobres um circo de horror e isso muito me orgulha, pois nada melhor que preservar a dignidade das pessoas. Na Rádio Cidade todas as manhãs temos o Perifa na Cidade onde, há mais de 5 anos, os ouvintes sugerem pequenas crônicas faladas nos mais diversos temas. É maneiro saber que algumas pessoas só saem de casa depois de ouvir o toque do Perifa, valeu galera. Isso tudo sem falar de como é bom toda semana escrever aqui no Diário, o veículo que mais me dá alegria, pois vejo professores fazerem trabalhos de escolas com os textos que escrevo, isso aumenta minha responsa, mas me faz ver cada vez mais que meu lugar é aqui, nessa dupla vida de comunicador e executivo social, sim, porque além de tudo isso eu coordeno a Cufa em nosso estado, são mais de 30 municípios articulados promovendo mudanças nas periferias. Há algum tempo fui chamado por alguns partidos para me colocar a disposição como candidato a deputado estadual, chegaram a me oferecer até uma graninha razoável, não vou falar em valores, mas se eu juntar cada centavo que ganhei na vida não dá metade do que me ofereceram. Minha resposta foi imediata: Não, muito obrigado. Mas gente, não que eu seja contra quem candidata, tenho amigos que concorreram à cargos públicos, mas digo numa boa, não é a minha, curto o que eu faço e se entrasse para a política talvez 80% do que faço não acontecesse eu teria que bater continência para cacique de partido e dançar a música dos caras, numa boa, eu não entro para a política porque não estou preparado para ela e ela não está preparada pra mim. Minha política não é de partido, mas de pessoas. Sei que a maioria dos políticos são honestos, mas é triste ver que são tão silenciosos. Minha candidatura não é a cargo ou salário, mas sou candidato a ser um bom filho, bom profissional, bom amigo, bom filho e bom pai, as demais candidaturas repito em alto e bom som: Não.

Postado por Manoel Soares