Já estamos a quase um ano com a campanha: Crack, Nem Pensar, parece que foi ontem que lançamos, muitas pessoas acharam estranho, outras aplaudiram, hoje vemos que parte de nossa missão foi cumprida, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o crack deixou de ser um mito, o0s jovens sabe3m que o cachimbo é um passaporte para a morte com estala nas bocas de fumo que são verdadeiras sucursais do inferno. Mesmo com toda esta correria, muito ainda precisa ser feito, existem barreiras que precisam ser vencidas, entre elas as legais. O problemas mais urgente que vejo são os tratamentos aos usuários: temos a falta de leito que pode ser resolvida com maior investimento, é complicado, mas podemos pressionar; temos o despreparo dos profissionais que estão acostumados com outras drogas, mas com um programa intensivo e sistemático de formação podemos amenizar; temos as meninas que engravidam e dão a luz a bebês viciados desde a vida intra uterina, mas a medicina pode tentar a partir de tratamento no pós parto diminuir o impacto da droga no organismo desses pequenos. Em meio a tudo isso tem um problema que não vejo ainda caminho de solução: a legislação atual não tem como condenar uma pessoa viciada ao tratamento compulsório como acontece nos Estados Unidos e na Europa, o máximo que as famílias conseguem, depois de muita luta é colocar o jovem usuário em um espaço de desintoxicação por no máximo 30 dias, depois ele é liberado para fazer um tratamento e acompanhamento voluntário. Já esta mais que provado que a lei neste caso favorece o crack, pois em 30 dias ninguém abandona um vício tão intenso, quando eles saem ficam no máximo uma semana longe das bocas, mas recaem e de forma mais intensa. Precisamos de uma lei que possa condenar o jovem usuário de crack a tratar-se independente de sua vontade. Quando a lei dá ao usuário o direito de escolher ou não ficar em um espaço terapêutico ou se tratar, condenando as famílias ao sofrimento de conviver com as conseqüências do crack, precisamos mudar a lei, mas a pergunta é: como?
Postado por Manoel Soares

