Como eu gostaria de ver até onde somos politicamente sérios. São muitos os políticos que contam com a nossa ignorância para chegar ao poder. Muitos assumem cara de galãs de cinema, outros de heróis do povo, outros ainda de intelectuais sabidos, mas nenhum, até hoje, teve a coragem de admitir que não tem poder de mudança.
Gostaria de ouvir alguém dizer que a máquina está poluída demais para promover as mudanças que precisamos. Não acredito na teoria de conspiração, mas, a cada dois anos, temos o poder de decidir quem senta nas cadeiras de comando político, e estes momentos sempre são antecedidos por eventos esportivos de forte apelo em nossas vidas.
Seria tão nobre que os esportistas tomassem como suas as lutas políticas, parassem com a hipocrisia de que esporte e política não se misturam. Se a política tivesse 20% da atenção que o esporte tem na nossa vida, seríamos mais sérios politicamente.
A distância entre esporte e política só acontece na nossa cabeça, pois o mesmo coração que vibra com o gol no Gre-Nal chora ao ver que seu filho não tem acesso a educação e saúde de qualidade. Os mesmos olhos que brilham ao ver a bandeira do time do coração sacudir ao vento são os mesmos que leem a placa: "Sem vagas".
Não me refiro a se engajar em campanhas embandeiradas por esse ou aquele partido, mas pelo bem das pessoas que seguram no osso as dores causadas por políticos safados.
O poder de mobilização do esporte mudou a África do Sul em 1995, poderia promover consciência aqui. Para isso, os clubes teriam de ter coragem de abraçar a idéia de usar seu prestígio em prol do voto consciente.
Aos amigos jogadores de futebol que nos leem, alguns até famosos, porque gostam da nossa coluna, peço que pensem como podem fazer para que seu prestígio como atleta conscientize politicamente os seus torcedores. Sonho com o dia em que a Copa do Mundo e as eleições presidenciais tenham o mesmo peso nas nossas vidas.
Segue o baile, galera!
Postado por Manoel Soares

