Uma vez ouvi uma frase que me revoltou.
Depois de uns anos, entendi que, lamentavelmente, é verdade: “Bom não é ser pobre, é ser amigo de pobre”.
Não sei quem disse isso, mas, com certeza, conhecia a lógica de poder e conquista de massa. Existe um
monte de maluco por aí que pega de herói fazendo de conta que põe a boca no trombone só para ganhar moral. Isso é extremamente perigoso.
O problema de uma sociedade que deposita sua fé em heróis é que ela perde a capacidade de resolver seus
problemas e o resultado é a eterna dependência.
A questão é: quando uma sociedade não precisará de heróis já que os problemas sempre existirão? A resposta me veio depois de ver nosso povo comer muita grama e vender barato o que não tem preço, pois as necessidades, às vezes, engolem a dignidade. Por trabalhar com comunidades de todo o Estado e por conta da visibilidade, algumas pessoas me tratavam como herói, acreditando que eu falava o que a favela gostaria de dizer.
Engano. Nunca falei pela favela, mas por mim. Como sou favelado, os desejos são os mesmos. Isso me fez
ver que a favela precisa falar, decidir. Foi aí que, conversando com os amigos Gerson e Eurico, nasceu a nova etapa do Comunidade JA, um espaço dentro do Jornal do Almoço em que as pessoas decidem.
Com uma unidade móvel, nossa equipe percorre comunidades fazendo a votação para escolha do assunto a
ser abordado pela reportagem. No site www.rbstv.com.br/ja as pessoas também podem escolher o tema. Isso muda a lógica de decisão.
Geralmente, o jornalista decide o problema a ser mostrado, agora, a favela decide o que a tevê irá mostrar. Para isso, precisa haver participação em massa. Nossos melhores amigos não são os heróis, mas o povo
organizado. Quando o povo se organiza, não precisa de herói, mas de atitude. Quero ver as comunidades por onde vamos circular decidindo. Depois, terei o maior prazer em levar às autoridades as demandas. Hoje, a
partir das 17h, estarei no Morro da Polícia, na Rua Coronel Rego.
Então, na rua ou no site, decidam. Valeu, galera!

