Cada dia fica mais complicado pensar nas cadeias no Brasil. Aqui, no Estado, o papo esquentou com a reportagem que mostrou presos acessando a internet no presídio. Caiu como uma bomba dentro e fora da prisão.
O que precisamos entender são as diferentes consequências dessa história, pois o que parece ser uma simples reportagem vira divisor de águas. As administrações das casas prisionais, ao verem uma reportagem como essa, ficam apavoradas, pois manter a "ordem" nas cadeias depende de um acordo simples: os policiais mandam das celas para fora e os presos mandam das celas para dentro. Depois do que foi publicado, as administrações precisam dar uma resposta à sociedade, o que significa quebrar esse pacto.
Agora, revistas são feitas nas galerias para apreender tudo que houver de ilegal nas celas. Esse desconforto altera a "paz" carcerária, mas a paz de quem está do lado de dentro da cela, às vezes, é o desespero de quem está do lado de fora. O ideal é que todos os lados dessa situação entendam as "regras de xadrez".
A polícia tem de fazer o seu papel, a imprensa também e todo malandro que faz um esquema como esse, de acessar a internet na cadeia, deve estar pronto para não ter maior estresse se a casa cair. Afinal, ninguém que está lá é criança.
No dia da publicação da reportagem, eu estava na Pej e vi uma menina tentar entrar com mais de 20 chips na vagina. Então, a reportagem é necessária assim como a habilidade da Brigada Militar e da Susepe em de combater o crime carcerário e mediar os conflitos. Aos presos, recomendo paciência e tranquilidade, pois, por mais bandido que você seja, no lado de fora, sua coroa é apenas uma mulher que chora o medo de ver a perícia lhe tirar gelado da cela.
O preso sabe que não há liderança externa, o que prevalece é o sistema, quem quebra o acordo sai quebrado, assim, momentos como esses não são tempo de valentia nem de pancadaria, mas de tranquilidade. Aos que estão no fechado, minha dica é: muita calma nessa hora.

