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Posts de dezembro 2010

Estou viciado em África

17 de dezembro de 2010 0

Arquivo Pessoal

Depois de conhecer a África do Sul durante a Copa do Mundo, fiquei intrigado, pois, apesar de ser uma das experiências mais fortes da minha vida, não vi muito das nossas raízes no povo sul-africano. Nesta semana, estou entendendo o por quê.
Estou escrevendo para vocês no Senegal, ao norte do continente africano. Essa viagem está sendo o máximo. Agora, entendo as raízes do nosso Carnaval, da nossa musicalidade, dos nossos lábios carnudos e dos nossos quadris largos.
Ontem, fui visitar a Ilha de Gorée. Era para lá que os negros iam antes de serem vendidos. Um dos pontos mais dolorosos foi conhecer o Portão do Não Retorno, uma porta que havia nas senzalas que dava direto para o oceano. Quem entrava naquele corredor estava condenado a perder totalmente o contato com a família.
Chorei muito ao imaginar a dor dos meus ancestrais. Mas eles lutam para que a nossa história não seja somente de dor e tristeza, tanto que uma das novidades do Senegal é o Monumento da Renascença, uma estátua com mais de 50m de altura e mais de 60 toneladas de bronze que simboliza a nova África, que se posiciona como um futuro promissor.
O Brasil para eles é referência, tanto que, no 3º Festival Mundial de Artes Negras, do qual estou participando, estão nos homenageando. Em breve, volto para as nossas quebradas e levo mais notícias.
Forte abraço, galera!

As pedras de Mandela

10 de dezembro de 2010 0

Estou lendo um livro de reflexões de Nelson Mandela durante os anos em que ele ficou preso na África do Sul. Foram 27 anos fechado. Nesse período, pelo que conta o livro, ele pôde refletir sobre tudo que acontecia em sua vida naquele momento, de bom e de ruim.

Umas das reflexões dele é sobre o processo de escravidão que a África viveu. Foram mais de 11 milhões de pessoas retiradas de sua terra natal para servir de mercadoria e mão de obra forçada no mundo. Só o Brasil recebeu cerca de 6 milhões de escravos, uma verdadeira barbárie.

Óbvio que ninguém em sã consciência concorda com esse absurdo, mas boa parte do crescimento que vemos à nossa volta foi consequência desse fato. Se a escravidão não tivesse rolado, o Brasil não teria a cara que tem hoje: o país mais negro do mundo fora do continente africano.

Isso quer dizer que temos de achar maneira a escravidão? Claro que não, mas nos ajuda a entender que mesmo as coisas ruins têm consequências que podem produzir cenários construtivos. Se não ocorresse o apartheid na África do Sul, Mandela não teria sido preso. Se ele não fosse preso, aquele país não se uniria para, um dia, eleger seu primeiro presidente negro. E por aí vai.

Nossa vida é similar. Muita coisa ruim acontece. Precisamos ser tranquilos com esses momentos e não nos desesperar. Por mais que pareça fora de ordem, existe uma lógica universal que rege o mundo. Não quer dizer que vamos ficar levantando as mãos para o céu e batendo palmas para as desgraças, mas vamos, a partir delas, construir.

Problemas sempre  virão, e em cima de qualquer pessoa, independentemente de raça, classe social ou sexo. O que muda é a forma de enfrentar esses pepinos. E, na boa, não se morda com as pedras que te atiram na vida, pois, com elas, talvez, você possa construir um castelo maravilhoso. Como diz Mandela, devemos querer nossos inimigos vivos, gordos e bem pertinho da gente, para que eles vejam que o esforço de nos ferrar foi em vão.

Beijo no coração, galera, e até semana que vem!

O medo sabota

06 de dezembro de 2010 0

O que mais ouço nas comunidades é que precisamos só de oportunidades, que, da forma como o mundo está organizado, somos deixados de lado e nossas chances de crescer são pequenas. Parte disso é verdade.
As chances são pequenas, mas existem. O que vejo é que muitos de nós acabamos, com o tempo, acostumando-nos ao conforto da reclamação. Aproveitar as oportunidades requer esforço e dedicação. Óbvio que, para quem nasce em berço de ouro, as pedras saem mais rápido, mas ficar fazendo beicinho e reclamando do sistema não nos levará a nada.
Lamentavelmente, somos responsáveis por metade da nossa derrota em muitas situações. Essa autossabotagem acontece de forma sutil. Começa na escola e invade a vida adulta de tal forma que chega a um ponto em que só sabemos encontrar uma lista de culpados para a não realização dos nossos sonhos.

Às vezes, é preciso encarar os problemas, superar os medos e fazer a diferença. Por mais impossível que pareça vencer certo desafio, não podemos aceitar a frustração como parte da nossa vida, nossa cabeça precisa ser treinada para perseguir a vitória.

Vencer o sentimento de impossibilidade é uma lição que se aprende em casa, cabe aos pais não deixar que a cabeça dos filhos se baixe para dificuldades. Em muitos momentos, nem nós, adultos, conseguimos vencer o rolo do dia a dia, mas não podemos nos deixar abater.

O canibalismo da vida não vai parar porque fugimos da luta. No fim das contas, seremos apenas um competidor a menos na batalha. Não precisamos entrar em qualquer briga, mas, cada vez que recuamos de uma entrevista de emprego por achar que não vamos consegui-lo, faltamos a uma prova por achar que não vamos passar etc., estamos dizendo ao Universo que não nos dê oportunidades, pois não temos coragem de aproveitá-las.

Ser feliz requer coragem, que é uma árvore que precisa ser regada e cultivada, pois nosso medo nada mais é do que um mecanismo de defesa acionado toda vez que identificamos o perigo. O exercício é controlar o medo para não perder chances na vida.