Estes dias eu estava andando no Centro e encontrei um cara que não via há uns cinco anos. Da última vez que o vi, ele estava com uma espingarda calibre 12 na mão exercendo a função de soldado do tráfico em uma comunidade na qual fui fazer projeto social.
Quando vi aquela cena, minha cabeça acreditou que ele não passaria dos 20 anos. Como ele tinha uns 15, cinco anos era muito para ele. Quando o vi esta semana, ele estava com camisa social e crachá de uma empresa. Não resisti e
perguntei como ele estava. Para minha surpresa, a menina que estava ao lado dele respondeu: ele não é mais o mesmo.
Ele completou que depois que a conheceu, a vida dele mudou. Ela o botou nos eixos, fez ele arrumar um emprego e começar a estudar novamente.
Geralmente, ouvimos falar que, por causa das menininhas das comunidades, os novatos no crime se atrapalham e fazem um monte de besteira querendo impressionar. Outras vezes, vemos que algumas meninas incentivam os meninos
a serem do tráfico para que elas tenham destaque e sejam as primeiras damas da bocada.
Só que essa história contrariou a lógica. Ela mostrou ser uma guerreira, segurou no osso o período barra pesada do cara que amava e depois o ajudou a ser diferente. Isso me lembra de um ditado que diz que uma mulher pode levantar ou derrubar um vivente.
Nesse caso, o anjo da guarda dele dá beijo na boca e faz carinho. Histórias como essa me mostram que o amor pode realmente mudar a vida de uma pessoa. Mostram que esse mundo velho ainda tem jeito. Claro que isso não deve
servir de argumento para que algumas meninas continuem caindo no papo furado de uns bandidinhos de araque que vivem prometendo largar as esquinas e nunca fazem nada de verdade.
Se o cara quer mofar no fundo de uma cela, ou sangrar no asfalto quente, deixe que ele vá sozinho. Não podemos confundir amor com burrice. Mas se esses anjos da guarda de sutiã e calcinha têm como salvar uma vida através do amor verdadeiro, só resta uma coisa a dizer: o amor é lindo.

