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Posts de fevereiro 2011

O amor é lindo

26 de fevereiro de 2011 2

Estes dias eu estava andando no Centro e encontrei um cara que não via há uns cinco anos. Da última vez que o vi, ele estava com uma espingarda calibre 12 na mão exercendo a função de soldado do tráfico em uma comunidade na qual fui fazer projeto social.
Quando vi aquela cena, minha cabeça acreditou que ele não passaria dos 20 anos. Como ele tinha uns 15, cinco anos  era muito para ele. Quando o vi esta semana, ele estava com camisa social e crachá de uma empresa. Não resisti e
perguntei como ele estava. Para minha surpresa, a menina que estava ao lado dele respondeu: ele não é mais o mesmo.
Ele completou que depois que a conheceu, a vida dele mudou. Ela o botou nos eixos, fez ele arrumar um emprego e começar a estudar novamente.
Geralmente, ouvimos falar que, por causa das menininhas das comunidades, os novatos no crime se atrapalham e fazem um monte de besteira querendo impressionar. Outras vezes, vemos que algumas meninas incentivam os meninos
a serem do tráfico para que elas tenham destaque e sejam as primeiras damas da bocada.
Só que essa história contrariou a lógica. Ela mostrou ser uma guerreira, segurou no osso o período barra pesada do cara que amava e depois o ajudou a ser diferente. Isso me lembra de um ditado que diz que uma mulher pode levantar ou derrubar um vivente.
Nesse caso, o anjo da guarda dele dá beijo na boca e faz carinho. Histórias como essa me mostram que o amor pode realmente mudar a vida de uma pessoa. Mostram que esse mundo velho ainda tem jeito. Claro que isso não deve
servir de argumento para que algumas meninas continuem caindo no papo furado de uns bandidinhos de araque que vivem prometendo largar as esquinas e nunca fazem nada de verdade.
Se o cara quer mofar no fundo de uma cela, ou sangrar no asfalto quente, deixe que ele vá sozinho. Não podemos confundir amor com burrice. Mas se esses anjos da guarda de sutiã e calcinha têm como salvar uma vida através do amor verdadeiro, só resta uma coisa a dizer: o amor é lindo.

Amolando a mente

18 de fevereiro de 2011 1

Estes dias, um menino veio me perguntar por que precisava estudar se muita gente sem estudo também vive bem. Fora aqueles papos óbvios sobre educação, me liguei que precisava entrar na mente do moleque. Talvez, como milhares
de jovens, ele estivesse pensando em abandonar a escola.

Lembrei de uma história que recebi por e-mail: um velho lenhador, conhecido por sempre vencer os torneios dos quais
participava, foi desafiado por um outro lenhador jovem e forte. Muitos acreditavam que o velho perderia a condição de campeão dos lenhadores, em função da grande vantagem física do jovem desafiante.

No dia marcado, os dois começaram a disputa. O jovem se entregou com grande energia, convicto de que seria o novo
campeão. De tempos em tempos, olhava para o velho e, às vezes, percebia que ele estava sentado. Pensou que ele estava velho demais para a disputa, e continuou cortando lenha.

Ao final, foram medir a produtividade dos dois lenhadores. O velho vencera novamente, por larga margem, aquele jovem e forte lenhador. Intrigado, o moço questionou:
– Não entendo. Olhei para o senhor durante a competição e notei que estava sentando, descansando. No entanto, conseguiu cortar muito mais lenha do que eu!
– Engano seu – disse o velho. Quando você me via sentado, na verdade, eu estava amolando meu machado. Percebi que
você usava muita força e obtinha pouco resultado.

Essa é a real da nossa vida, galera. Tentar vencer sem estudo é cortar lenha com machado cego. Vai ser mais desgastante e menos proveitoso. Não é somente o que se estuda, mas a disciplina de estudar que faz a diferença. Não adianta somente obrigar o menino a estudar. Como pais e amigos, precisamos convencê-los que estudar é amolar a
mente para cortar as dificuldades que a vida trará. Se não, sempre seremos vencidos sem entender o motivo.
Por isso, recomendo aos que vão iniciar seu ano letivo: sentem para amolar seus machados.

Viagem de macaco velho

04 de fevereiro de 2011 0

Depois de viver por mais de três anos a campanha Crack, Nem Pensar, me assustei com a  aproximação natural de milhares de ovens com as drogas. Muitos nem sequer sabem que estão
enfiados num mar de horrores. Outros, encontram a solução para a dor no falso prazer oferecido pelas drogas.

Nestes rolês pelo Litoral me dei conta de algo que passou a me preocupar mais ainda: a drogadição dos adultos. Fiquei abismado com a quantidade de homens e mulheres pais de família que usam droga, como cocaína e crack. Conversando com um desses casos, ele me afirmou que dava uns
“tecos” só nos fins de  semana, mas que tinha controle, pois há mais de 12 anos estava nessa. Caramba, se ele tem controle, por que não conseguiu parar em todos esses anos? Ele ficou sem resposta.

Uma outra mulher não deixa a filha usar sequer saia curta, mas ela, depois que todos dormem, vai andar no calçadão para fumar um “baseado”. Essa incoerência não funciona, pois os filhos  aprendem mais com as ações do que com as palavras.

Realmente, não sei como entrar na mente desses “macacos velhos” para fazê-los entender que precisam de ajuda especializada. Quem acredita que vive bem, mesmo usando droga, não sabe o que é viver bem. Os mais jovens são controlados pelos seus pais. E os pais, quem controla? A coisa é tão absurda que alguns colocam o dinheiro do pó nas contas do mês. É como se a droga comesse na mesa junto com a família.

Não vivemos em uma sociedade capaz de discutir discriminalização ou legalização do comércio e uso de drogas. Fica essa hipocrisia que uns fingem não usar e outros fingem acreditar no que é dito. Pais viciados são fruto da incapacidade das gerações passadas em lidar com o problema. Nunca acreditei que os governantes e as leis são os responsáveis, pois a justiça só precisa bater martelo quando a consciência falha.

Cada um sabe o que faz da sua vida e deve estar ciente dos riscos. Mas acredito que, quando os atos de um pai colocamm em risco a vida do filho é hora de cair em si e pensar se essa viagem vale tanto assim.