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Posts de julho 2011

Metendo a colher

29 de julho de 2011 1

Vou arrumar um monte de briga depois deste texto de hoje, mas como nem Jesus agradou a todos, vamos nessa. sabe aquele papo que em briga de marido e mulher não se mete a colher? é caô, tem que debater e sim, então vamos lá. Sou um eterno defensor da lei Maria da Penha, malandro que acha bonito descer o raço na nega véia tem que dormir de valete no fechado para ver que a vida não é um morango. Pior que os bandidos de verdade reclamam que esses machinhos nos primeiros dias de cana só sabem chorar e atrapalhar o sono dos companheiros de galeria, não são homens nem bandidos, são uns covardes otários. Mas tem uma parte sinistra nisso tudo, infelizmente eu conheço mulheres que fazem de tudo para ver o cara sair do sério. Eu já tive mulher que disse que se eu não batesse nela ela ia pisar em mim, já vi mulheres de amigos meus dizer que depois de umas pancadas o amorzinho é mais gostoso e por ai vai.

Conversando com uma psicóloga amiga minha, ela me disse que muitas mulheres estimulam a violência no relacionamento para combater a indiferença, a lógica absurda é que depois da agressão os homens ficam mais carinhosos. Não quero que achem que eu culpo as mulheres pelas agressões, independente do que seja feito, nenhum homem tem direito de bater em suas esposas, se não tá bem, mete o pé, mas não bata e não adianta vir dizer que perdeu a cabeça. Na boa, porque esses valentes não perdem a cabeça com um brigadiano?

Outro papo que ninguém dá é sobre os maridos tomando pancada dentro de casa de suas esposas, ficam em silêncio para não pagar o mico de tomar um coro da nega-véia, mas independente de onde venha a violência deixa marcas piores que os hematomas, fere a dignidade. Não adianta criar leis, a verdade é que se quisermos homens melhores precisamos criá-los melhor, o cara que hoje bate na mulher há 15 anos atrás era um menino que nunca tinha beijado na boca, quando foi que ele virou um monstro, a menina que se submete a isso, faz porque? amor? Acho que não.

Os agressores e agredidos nos relacionamentos são fruto do que vivem e veem, devemos como pais e responsáveis identificar os traços de violência conjugal e cortar pela raiz. Menino que bate em menina é covarde, menina que provoca menino também é, essas verdades precisam fazer parte de nossa educação diária senão vai faltar leis e sobrar histórias tristes. Fui galera.

A real do pedreiro

15 de julho de 2011 0

Esta semana, inventei de fazer uma reportagem onde um usuário de crack seria nosso repórter por um dia no Jornal do Almoço. Para que a história desse certo, precisaria encontrar alguém que estivesse disposto a se mostrar como usuário na televisão. Pode parecer viagem minha, mas a intenção era fazer o cara mostrar o rosto e se assumir. Assim, as pessoas entenderiam que o usuário de crack não é necessariamente um bandido, ainda que tenha atitudes de bandido às vezes.

Muitos manos e minas que eram responsa se perderam. E precisam se achar. Cada vez que escondemos o rosto de um usuário, para protegê-lo, estamos dando a ele o anonimato de pessoas em situação de delito. Mas usuários de drogas são doentes que precisam de ajuda como qualquer outro. Esse equívoco faz com que o problema seja passado para a polícia ao invés de médicos.

Na minha busca, constatei que poucos usuários querem se livrar do vício. A maioria não têm condições de tomar essa decisão. As nossas leis não permitem que uma pessoa seja internada contra sua vontade por um longo tempo. Isto porque, há algumas décadas, muitos absurdos aconteceram por conta de internações compulsórias indevidas. Hoje, a lei precisa mudar, ou vai morrer muita gente. O crack retira por completo a capacidade de um ser decidir sobre si. Se os médicos, juristas e políticos não entenderem isso, mais famílias serão estraçalhadas pela pedra.

Sobre nosso repórter, depois de muita luta encontrei um usuários disposto e com coragem de dar o papo reto. Ele mostrou o vício pelo lado de dentro. Semana que vem, poderemos conferir esta história no Jornal do Almoço. Espero que assistam.

Tomei uma surra

08 de julho de 2011 0

Erguer um prédio depende da habilidade de assentar tijolo por tijolo. Ouvi essa frase de uma negra com idade para ser  mãe de minha mãe. Estava sentada em frente a uma casa tomando seu chimarrão. A conversa era sobre relacionamentos amorosos. Eu descrevia como era agradável receber massagem nos ombros sentindo a respiração  quente da moça que nos ama. Ela interrompeu minha declaração com uma verdade térmica que me calou: “No frio, todo calor é bom”. Continuei falando como era difícil alicerçar um relacionamento verdadeiro, lamentei que minha  geração está pouco comprometida com o amor verdadeiro... Ela disse: “Quem tem pressa come cru”. Nada que eu dizia sobrevivia aos golpes fulminantes de sabedoria daquela mulher.

O pior não era ser derrotado com a ternura de quem ensina. O que doía era que a cada estocada intelectual ela me oferecia um mate. Era como se a água quente esverdeada abrandasse as pedras felpudas atiradas por sua língua ferina. Ela me falou que os amores verdadeiros não vão a lugar nenhum. Eles podem ser sufocados pelas tristezas e alegrias da vida, mas sempre voltam à noite para nos chamar. O que muitas vezes acontece é que por medo disfarçado pelo orgulho nos entregamos à tristeza da solidão. Ser infeliz é mais cômodo. Conta ela que nunca viu ninguém morrer de amor, mas viu muitas pessoas morrerem por não amar ou  amar errado.

Disse que o amor que sentimos pelos outros é consequência do amor que sentimos por nós mesmos, se amamos o outro mais que a nós mesmos deixou de ser amor e tudo se esvai. Nocauteado e convencido, apelei para a única chance de vencer. Perguntei a ela o que faria em seguida. Tentaria pegar um rancho em um lar espírita. Não tinha nada em casa. Nessa hora me levantei, coloquei-a no carro e fomos ao mercado fazer compras.

No caminho, continuei apanhando.