Quem é competente no que faz tem um sério problema que, às vezes, coloca tudo que é conquistado ladeira abaixo: o dia da zica. Geralmente, quem tem tudo sob controle se atrapalha quando vê as paradas darem errado. Parece que quando a casa cai, nunca cai só. Parece que tudo de ruim resolveu acontecer naquele dia.
Nessa hora, somos nós mesmos que colocamos nossa competência em xeque. Isso é positivo e negativo. Positivo porque a primeira característica de gente incompetente é apontar os erros dos outros quando algo dá errado. O competente, por outro lado, se pergunta o que ele poderia ter feito para evitar. O negativo disso é que essa autocrítica pode colocar um competente em um limbo de onde jamais sai. Começa por conta de um momento complicado até se colocar numa condição de vítima, que corrói a capacidade natural de realização.
Temos que saber lidar com as frustrações. É muito fácil se acostumar com a vitória, mas só os realmente fortes sabem olhar nos olhos da derrota, levantar, sacudir a poeira e virar o jogo. Cada vez que conseguimos nos superar, ganhamos.
Primeiro, exercitamos nossa humildade, entendemos que ser competente não é ser perfeito. Aprendemos a entender os erros dos outros, pois uma das características de quem é competente é a paciência. Só vamos ser tolerantes com os erros dos outros se formos antes com os nossos. Por pior que esteja sendo a semana ou o dia, pode ficar tranquilo que vai passar.
Cabe a nós termos maturidade e humildade para entender que não somos os donos do mundo, temos que ter em quem confiar e dividir nossas vitórias e frustrações. Cuidado nessa escolha para não se expor para pessoas que não deve. Outro cuidado importante é não pensar que as pessoas têm que entender nossas limitações. Elas não têm que entender.
A pior ofensa para um competente é aquela cara irônica de quem vibra com nossa falta. Temos que ser exigentes conosco, mas não ser tiranos. Não se apresse em cobrar de outros os seus erros.

