Ao ver o drama do povo que vive em guerra no oriente médio eu me pergunto o que faz um homem colocar uma bomba no próprio corpo e se explodir? Uns dizem que é o fanatismo, outros dizem que é por ignorância, eu confesso que ainda não tenho essa resposta, o máximo que posso falar é sobre os homens bombas que nos cercam.
Nesta quinta feira sentado na sala de espera do hospital psiquiátrico São Pedro para internar alguém que amo muito, conheci outros jovens que me disseram que se pudessem colocariam uma bomba no próprio corpo e explodiriam as bocas de tráfico ondem compram pedras.
Me disseram isso não em um surto de raiva, mas na mais mórbida consciência de quem acredita que naquele momento em particular sua existência é tão inútil quanto a pedra que ele fumou na noite anterior.
Ao ver sua mãe 20 kg mais magra de tanta depressão e dor um deles diz que ela ficaria orgulhosa dele se fosse um mártir da pedra. Ela ao ouvir chora e pede pelo amor de Deus que ele pare de falar besteira, ela diz que ele é o menino dela, aquele que aprendeu a ler aos 4 anos para orgulho da família.
Quando pergunto o que ele sente de fato, me diz que a boca fica seca, dormência no corpo, pressão baixa, a visão fica turva, calafrios, ouve vozes, gosto de sangue na boca e quando tenta comer, a comida tem gosto de querosene, diz que tudo isso só passa quando sente a fumaça do crack na boca, Lamenta que somente depois que o alívio chega, ele se dá conta que o fim do sofrimento custou o dvd de seu irmão ou a vida de alguém.
Do mesmo jeito que o suicida do oriente médio acredita de maneira errada que sua morte vai trazer liberdade, esse homem bomba da favela também, mas aqui a liberdade é desse inferno chamado crack. Mas o pior de tudo, é saber que alguns realmente querem que eles se explodam mesmo.

