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Posts de dezembro 2011

"2000 e doce"

30 de dezembro de 2011 0

Este ano que está indo, apesar de ser oficialmente chamado de 2011, foi carinhosamente chamado por alguns de "2000 e ouse". Foi um ano dedicado à ousadia, ano em que extrapolamos fronteiras.

Muitas das pessoas com as quais conversei, me disseram que de janeiro até agora quebraram barreiras em nome dos seus sonhos e vontades.

Claro que ousadia tem seu preço. Muitos arriscaram a felicidade em nome de algo maior, outros nem sabem se valeu a pena tais esforços.  Eu sempre acredito que Deus abençoa os ousados, desde que não machuquem ninguém, bem entendido.

Numa conversa com um negão de cabelos brancos, este dias, ele me deu dicas de como fazer as ousadias desse ano darem bons frutos. Entre elas, estava manter a boca fechada.  Geralmente, quando estamos prestes a botar a mão no pote de ouro, saímos tagarelando e os "zoio de tandera" derrubam só na força da inveja.

Outra dica é manter-se sereno com dinheiro na conta. Muitos perdem a sanidade quando a felicidade chega. E, quando olham, perderam tudo.

E, por último, riqueza compartilhada é riqueza abençoada, não hesite em ajudar que lhe ajudou.

Este ano que vai chegar é oficialmente chamado de 2012, mas para os que lutaram no ano da ousadia, o próximo poderá ser "2000 e doce". Será um ano de desfrutar das conquistas e plantar para conquistar em 2013.

Todo guerreiro deve entender que a batalha deve servir a um propósito. Nosso ano que vem deve ter um destino, temos que tatuá-lo em nossas ações nas cores da ética, esperança e fé. Nosso próximo texto será lido em "2000 e doce" . Até lá, vamos ousar mais um pouquinho e ser felizes.

Não gosto de Natal

23 de dezembro de 2011 0

Nunca gostei de Natal. Óbvio que já fui considerado herege por isso, mas, verdade seja dita, nunca fui fã mesmo. Quando crianças, eu olhava os meninos com uma expectativa de Papai Noel. Viam os pais deles de roupa vermelha, e  pareciam não entender que era o mesmo cara que eles viam todos os dias. Nunca tive essas paradas. Acho que isso me endureceu um pouco.

Quando precisava sonhar, sonhava com minha mãe e eu trabalhando juntos nas faxinas.  Para minha surpresa, hoje, conforme vai chegando o Natal, eu começo a ver que estou um pouco diferente. Parece que as pessoas olham umas para as outras nos olhos e sorriem mais. Uns malucos que nunca me deram bom dia chegam de maneira educada e solícita. O pior: as pessoas dizem que eu fiquei mais carinhoso e menos ranzinza. Continuo não acreditando nesse espírito natalino, mas confesso que algo mudou para mim.

Acho que foram vocês que me fizeram diferente. Mesmo não acreditando em Papai Noel, e achando tudo um teatro bobo, o sentimento que brota nos corações não é brincadeira, é sincero e produz mudanças reais. Eu não posso, por mais mala que eu seja, não responder quando um menino vem e me deseja um Feliz Natal. Gosto da alegria de uma moradora de rua que monta sua árvore iluminada mesmo não tendo casa.

Agradeço à colega apresentadora que pode passar o Natal onde quiser, mas está preocupada em ajudar na festa da minha comunidade. São gestos que me fazem chorar, me fazem acreditar, não no Bom Velhinho, mas nas pessoas, na capacidade do ser humano de produzir o bem.

Não gosto do Natal, mas as pessoas que me cercam me ensinaram a gostar do que ele provoca no mundo. Se Jesus nasceu no dia 25 de dezembro ou não, não me interessa. O que me interessa é que me sinto feliz, em paz, e quero que este sentimento chegue até vocês.

Muito obrigado aos amigos que leem, aos amigos das redações do Diário e da RBS TV, da Cufa, das escolas por onde passei este ano com palestras, das comunidades que visitei e a todos que, de alguma maneira, se conectaram aos nossos sonhos. Beijo no coração de todos.

Tá ruim pra malandro

16 de dezembro de 2011 1

Na boa, não quero que o que vou dizer seja interpretado como apologia ao crime, mas houve tempo que ser bandido valia a pena. Depois de falar com quem está no movimento, conclui que está ruim até pra malandro. A vida do crime começou a mudar com a popularização do celular.

Antes, o dedo-duro tinha que ir à delegacia ou até um orelhão para entregar. Hoje, com celular de cartão, qualquer um que esteja descontente pode lavar a louça com "os home" e a casa cai geral. Outro fator que era determinante para o crime era que os bandidos eram homens. Hoje, meninos de 14 anos andam com arma e matando gente. Menino é menino em qualquer área, inclusive no crime.

Quando o crime recebe crianças na sua estrutura, acaba tendo que trocar fraldas. Um pré-adolescente não tem experiência de vida para  aguentar o tranco da vida bandida. É mais suscetível ao medo de morrer, entrega os amigos com maior facilidade, resiste menos à dor e é mais inconsequente. O crime só perdeu deixando essa molecada entrar.

Os bandidos perderam moral nas quebradas por não respeitarem as crianças. O crack, apesar de parecer que democratizou o crime, ampliando o comércio em franquias de bocas, desestruturou as lógicas de comando. Viciado em crack, na hora da loucura, ao chinelar a quebrada, atrai polícia por conta dos furtos e assaltos e enfraquece o movimento da clientela.

Como se não bastasse, agora há os playboys traficando pela internet, uma concorrência desleal. Quem passou a vida nas bocas, não sabe mexer nas redes sociais, ainda mais para criar uma boca online. Tem viciado que antes ia à quebrada buscar, agora é delivery.

Os manos que eram do movimento estão sofrendo também porque as operações policiais estão jogando duro. Tem maluco caindo a torto-e-a-direito. Verdade seja dita: o crime está em crise de mercado. Conheço muitos traficantes que viraram trabalhadores, largaram, não somente pela consciência, mas porque não estava rendendo. Alguns tentam ainda assaltar um banco e outros pequenos assaltos, mas é muita mão, e o risco de tomar uns pipocos é muito grande.