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De volta à África

04 de maio de 2012 0

Amigos, estou escrevendo para vocês da África do Sul. Depois de dois anos, eu retornei ao país da última copa do mundo. Desta vez, minha viagem é para apresentar meu livro sobre prevenção ao crack. A criançada daqui adorou. Está sendo emocionante estar aqui novamente. É uma África diferente. As pessoas são mais naturais. Não têm a obrigação de serem gentis, os olhos do mundo não estão mais voltados para eles.

Ontem, entrei em um restaurante e ouvi que por ser negro não era benvindo, mas que tinha o direito de estar ali. Disseram que eu não seria expulso, mas deveria saber o que pensavam os demais clientes.

Fiquei sem saber o que fazer. Meio sem jeito, permaneci no local. Em pouco tempo, outros seis negros entraram e nem deram bola para o que o garçom falou. Vi que os racistas eram minoria. E entendi que maior que o racismo é o medo que temos dele. Saber que existe e enfrentá-lo com dignidade e sem rancor é a melhor forma de lidar.

Na África, o racismo não é somente de branco para negro. É de negro para negro, por conta da tribo, de branco para branco que apoia negro e de negro para negro que apoia branco, e por aí vai. O preconceito ainda está no DNA do país e vai demora a sair.

O ponto de equilíbrio aqui é Nelson Mandela. Ele hoje tem 93 anos, mas sua posição é inquestionável. Ele é o espírito de paz que negros e brancos precisam.

Não tem um só dia que as pessoas não falem nele. O Mandela que conhecemos é mítico, aqui ele é real, faz parte da vida das pessoas.

Hoje, o maior medo na África é sua morte. Vejo a África do Sul em um clima de expectativa e incerteza sobre o que virá. Cheguei a ver homens brancos de zonas rurais daqui com armas nos carros, pois acham que os negros uma hora vão atacar. Adoro a África, mas quando estou aqui vejo como o Brasil é bom. Somos pacíficos, nos vemos como raça humana. Os africanos ainda não alcançaram isso.

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