Na África do Sul, fui jantar e um homem branco gigante me acompanhou com os olhos. Normal, eu estava no Green Side, uma das regiões brancas de Johannesburgo. Ao sair do restaurante para telefonar para minha mãe, na mesa de fora do restaurante, ele me mandou sair de perto do seu carro.
Eu achei estranho, mas sai. Ele gritou que se eu não saísse da frente dele conheceria sua arma de perto. Fiquei estático. Em um país desconhecido, 22h, um homem começa a me insultar. Por mais que eu quisesse sair no braço, ele era do tamanho desses lutadores de MMA.
A esposa dele foi acalmá-lo. Ele disse que esses negros estão levando tudo e ainda querem comer no mesmo lugar. Quando ele empurrou o braço da própria mulher, vi que era um racista de verdade.
Um outro casal, de pele clara, da mesa ao lado, saiu do restaurante ao ver aquilo. Eu voltei para minha mesa, e vi que ele ainda ficou me buscando com os olhos em meio ao restaurante. Depois, saiu sem terminar sua comida.
Nunca havia encontrado um racista radical em minha vida. Pela primeira vez, vi que por conta da cor da pele alguém atiraria em mim. No Brasil, muitos jovens morrem na mão da polícia por serem negros. Já tive armas apontadas para minha cabeça por isso. Mas não é abertamente por sermos negros. Existe uma máscara social que nos marginaliza antes da morte.
Na África do Sul existem pessoas que passam com o carro por cima de outra somente pela cor da pele. Não podemos nos enganar, existem negros que fazem a mesma coisa com brancos lá. O racismo, apesar do fim do apartheid, é vivo no dia a dia das pessoas. O racismo deles é mais forte, mas isso não minimiza nosso problema. Pelo contrário, dificulta, pois os inimigos são ocultos. Precisamos entender isso para qualificar nossa luta pela igualdade.
Para concluir a história vivida no continente africano: ao voltar para o lugar onde estava hospedado, encontrei o rapaz que saiu da mesa na hora do conflito. Ele me implorou desculpas pelo ato do racista, pedindo que não julgasse seu continente pela situação. Disse que o comportamento não é característico de negros ou brancos, mas de humanos.
Na realidade, somos admirados no continente africano pela capacidade que temos que ser uma sociedade mestiça sem conflitos, um país onde negros e brancos são iguais. Em uma palestra que fiz lá, disse a eles que isso é verdade. Mas sabemos ainda ter um longo caminho a percorrer.


As pessoas em geral não tem ideia de como o RACISMO doí, você ser hostilizado só porque é diferente é muito triste.
Manoel Soares. Entendo o seu objetivo de ir a África para juntar conteúdo para fazer seu livro contra o crack. Mas já se fala muito contra o crack e eu acredito que políticos se aproveitam desse câncer social para se elegerem e criar formas e soluções falhas para uma possível candidatura. Não sou o dono da verdade, tudo bem lance seu livro sobre o crack, em fim... Mas eu ficaria muito satisfeito se na continuação dos fatos, você viesse a lançar algo contando sobre a verdadeira face Africana. O racismo forte e sem piedade que ainda assombra o negro Africano. Nunca ninguém comentou sobre esses fatos negativos na África, na minha santa ignorância, meus irmãos de melanina estavam imunes desse mal, coisa do passado. Mas lendo a sua coluna no ''Diário Gaúcho'' eu vi que o ''sincronizador'' (por assim dizer) da paz na Africa do sul, é o Nelson Mandela. Ele não é eterno. No dia que ele morrer... como é que fica meu irmão??!! A ÁFRICA DO SUL VAI REGREDIR. O pai da tolerância entre povos de etnias diferentes, não é eterno.
Seria um presente você expandir esses fatos em um volume maior Não limite essas experiências em pequenos trechos, todas às sextas feiras na coluna do jornal, Imprime essa parada ai e faça um livro. EU vou ser um dos primeiros a garantir o meu. Você é um irmão que trabalha com comunicação, seja a nossa voz, o nosso comunicador. VOCÊ REPRESENTA RAPAZ!!!!
Manoel admiro seu profissionalismo, luta e reconhecimento amoroso pela criação de sua mãe. Como você ainda quero ter a oportunidade de ir a Bahia e África, poder me sentir em casa realmente. Mas não concordo que podemos afirmar para nossos irmãos africanos ou para quem quer que seja que vivemos em uma “sociedade mestiça sem conflitos, um país onde negros e brancos são iguais...” como você falou. Todos têm um longo caminho para percorrer, aprender, se educar, e temos o dever de reconhecer que vivemos em um país com racismo, preconceito, etc., totalmente mascarado. Hoje, somos índios, negros, brancos, homossexuais, tentando viver em harmonia. Essa é a nossa realidade.