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Torturando meu filho

25 de maio de 2012 0

Esta semana eu decidi atormentar a vida de meu filho. Ele, como eu na idade dele, não pode ver dinheiro que quer gastar.

Esse comportamento dele é parecido com o que nós adultos temos, fazemos igualzinho, a diferença é que fazemos com mais dinheiro e compramos besteiras maiores. No nosso caso piora, pois muitas vezes gastamos o que não temos e depois caímos em desespero porque não sabemos de onde tirar para cumprir os compromissos.

Olhar para o dinheiro e deixar ele lá é um exercício que deve ser feito desde pequeno. Se não aprendermos a fazer isso desde cedo vamos tentar compensar nossas ansiedades gastando com o que não precisamos. Muitas vezes compramos muito para ter status, e como diz um velho ditado que ouvi: status é comprar o que não precisamos com um dinheiro que não temos para provar para pessoas que não gostamos alguém que não somos.

Conheço muita gente que perdeu anos da vida atrás desse sucesso de mentira. Mas qualquer um de nós estamos sujeitos a este equívoco. Quando começamos a conquistar o que desejamos, nosso coração se enche de alegria e aos poucos fica bêbado, esquecendo que alegria de ter e felicidade de ser são coisas diferentes. No fim das contas, vemos que corremos por nada.

O dinheiro tem um poder sobre nós. Se deixarmos ele toma conta e dita as regras de nossos passos e, em pouco tempo, ao invés de termos dinheiro na mão, é ele que nos têm nas mãos.

Peguei uma nota de R$ 5 e fixei em uma lateral de um quadro no quarto do meu filho. Na outra ponta do quadro fixei uma nota de R$ 10 e disse a ele que, se ele conseguir ficar 30 dias sem mexer nos R$ 5, poderá pegar os R$ 10. Mas se mexer antes do tempo, terá que me pagar R$ 15. Ele quase chorou no começo, mas manteve-se firme e aceitou o desafio.

Se minha tortura vai dar certo, só o tempo vai dizer, mas com certeza para ele está sendo um baita desafio.

Sorte aí, filhão!

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