Meus fantasmas são difíceis, sério, por maiores que sejam os sucessos que a vida me traga, sempre tem uma lembrança para me cortar o barato.
As vezes é meu pai bebado batendo na minha mãe, as vezes é a policia me batendo, as vezes é a piadinha da professora por causa da cor da minha pele e por aí vai.
Já me covenci que eles sempre estarão aqui, posso até fazer uma terapia e tentar afugentá-los, mas a verdade é que eles fazem parte do que eu sou, da minha história, são eles que adubam minhas refleões, que me fazem olhar para um morador de rua,para um menino revoltado, para uma mulher de olho roxo e saber o que dizer.
Odeio meus fantasmas como o Coronel do filme avatar odeia sua cicatriz na cara, mas tudo tem uma razão nessa vida.
Minhas dolorosas lembranças servem para sempre me alertar que a vida não é a RBS e todo esse delcioso glamour que minha profissão me proporciona, serve para e puxar para o mundo de onde eu vim e do qual sou feito, um lugar onde o coração bate na sola do pé.
Com o tempo tive que aprender a domar os impulsos instintivos provocados pelos meus fantasmas, mas com o tempo consegui tirar palavras doces das noites em claro.

