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	<title>Papo Reto (Encerrado)</title>
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	<description>Manoel Soares traz pensamentos, notícias e reflexões sobre a periferia.</description>
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		<title>Homem como Tia Quica</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jun 2012 09:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
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		<description><![CDATA[Pais enterrarem filhos é contra a lei da natureza. Cada vez que vejo esta cena, meu peito se aperta, pois sei que as marcas deixadas por esta experiência vão sangrar até o último momento de vida. 
Nesta semana, tive a tristeza de enterrar um amigo que, aos 35 anos, sofreu um ataque cardíaco fulminante. Acompanhei... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/06/01/homem-como-tia-quica/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pais enterrarem filhos é contra a lei da natureza. Cada vez que vejo esta cena, meu peito se aperta, pois sei que as marcas deixadas por esta experiência vão sangrar até o último momento de vida. </p>
<p>Nesta semana, tive a tristeza de enterrar um amigo que, aos 35 anos, sofreu um ataque cardíaco fulminante. Acompanhei todo o processo. Como todos em volta, o maior medo era o momento de contar para a mãe dele. Passei a noite em pânico. Dizer a uma mãe que de uma hora para outra ela não tem mais um filho é complicado. No dia seguinte, quando cheguei ao beco, encontrei todos de luto. Fui direto ver a dona Valquíria, carinhosamente chamada de Tia Quica. </p>
<p>Já tinham contado. Ela estava com os olhos fundos de tristeza e dor, mas com uma força que nos acalentava cada vez que levantava a cabeça. Quando a abracei, não vi lágrimas em seus olhos. Ela me disse baixinho: "Precisamos ter força e fé nessa hora." </p>
<p>Me assustei, eram as palavras que eu deveria dizer. No meio do caos, enquanto alguns desabavam, ela (que tinha todas os motivos para estar sedada) só aceitava chá e orações. </p>
<p>Senti vergonha por ser tão fraco, senti vergonha por muitas vezes deixar a lágrima cair. Daquele momento em diante, não chorei mais. Até achei que ela segurava no osso por ainda não ter caído a ficha. Mas ela me disse que foi por acreditar que ele estava nos braços de Deus. Que ela foi feliz por criar um filho tão bom. Ele partiu, mas deixou alegrias. </p>
<p>Quando vi a neta mais velha sendo consolada por ela, entendi que sua força não vinha de um súper poder, mas da necessidade de cuidar dos outros. A dor de mãe precisava ser menor que o dever de mãe. Mesmo na hora do sepultamento, ela mais consolava que era consolada. </p>
<p>Fico abismado com situações como essa. Mulheres como ela mostram que nós homens somos o verdadeiro sexo frágil. </p>
<p>Quando o dia acabou, desejei um dia ser homem como Tia Quica. </p>
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		<title>Torturando meu filho</title>
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		<pubDate>Fri, 25 May 2012 09:30:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta semana eu decidi atormentar a vida de meu filho. Ele, como eu na idade dele, não pode ver dinheiro que quer gastar.
Esse comportamento dele é parecido com o que nós adultos temos, fazemos igualzinho, a diferença é que fazemos com mais dinheiro e compramos besteiras maiores. No nosso caso piora, pois muitas vezes gastamos... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/05/25/torturando-meu-filho/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana eu decidi atormentar a vida de meu filho. Ele, como eu na idade dele, não pode ver dinheiro que quer gastar.</p>
<p>Esse comportamento dele é parecido com o que nós adultos temos, fazemos igualzinho, a diferença é que fazemos com mais dinheiro e compramos besteiras maiores. No nosso caso piora, pois muitas vezes gastamos o que não temos e depois caímos em desespero porque não sabemos de onde tirar para cumprir os compromissos.</p>
<p>Olhar para o dinheiro e deixar ele lá é um exercício que deve ser feito desde pequeno. Se não aprendermos a fazer isso desde cedo vamos tentar compensar nossas ansiedades gastando com o que não precisamos. Muitas vezes compramos muito para ter status, e como diz um velho ditado que ouvi: status é comprar o que não precisamos com um dinheiro que não temos para provar para pessoas que não gostamos alguém que não somos.</p>
<p>Conheço muita gente que perdeu anos da vida atrás desse sucesso de mentira. Mas qualquer um de nós estamos sujeitos a este equívoco. Quando começamos a conquistar o que desejamos, nosso coração se enche de alegria e aos poucos fica bêbado, esquecendo que alegria de ter e felicidade de ser são coisas diferentes. No fim das contas, vemos que corremos por nada.</p>
<p>O dinheiro tem um poder sobre nós. Se deixarmos ele toma conta e dita as regras de nossos passos e, em pouco tempo, ao invés de termos dinheiro na mão, é ele que nos têm nas mãos.</p>
<p>Peguei uma nota de R$ 5 e fixei em uma lateral de um quadro no quarto do meu filho. Na outra ponta do quadro fixei uma nota de R$ 10 e disse a ele que, se ele conseguir ficar 30 dias sem mexer nos R$ 5, poderá pegar os R$ 10. Mas se mexer antes do tempo, terá que me pagar R$ 15. Ele quase chorou no começo, mas manteve-se firme e aceitou o desafio.</p>
<p>Se minha tortura vai dar certo, só o tempo vai dizer, mas com certeza para ele está sendo um baita desafio.</p>
<p>Sorte aí, filhão!</p>
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		<title>Encontro com o racismo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 09:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Diário Gaúcho]]></category>

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		<description><![CDATA[Na África do Sul, fui jantar e um homem branco gigante me acompanhou com os olhos. Normal, eu estava no Green Side, uma das regiões brancas de Johannesburgo. Ao sair do restaurante para telefonar para minha mãe, na mesa de fora do restaurante, ele me mandou sair de perto do seu carro. 
Eu achei estranho,... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/05/11/encontro-com-o-racismo/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na África do Sul, fui jantar e um homem branco gigante me acompanhou com os olhos. Normal, eu estava no Green Side, uma das regiões brancas de Johannesburgo. Ao sair do restaurante para telefonar para minha mãe, na mesa de fora do restaurante, ele me mandou sair de perto do seu carro. </p>
<p>Eu achei estranho, mas sai. Ele gritou que se eu não saísse da frente dele conheceria sua arma de perto. Fiquei estático. Em um país desconhecido, 22h, um homem começa a me insultar. Por mais que eu quisesse sair no braço, ele era do tamanho desses lutadores de MMA. </p>
<p>A esposa dele foi acalmá-lo. Ele disse que esses negros estão levando tudo e ainda querem comer no mesmo lugar. Quando ele empurrou o braço da própria mulher, vi que era um racista de verdade.</p>
<p> Um outro casal, de pele clara, da mesa ao lado, saiu do restaurante ao ver aquilo. Eu voltei para minha mesa, e vi que ele ainda ficou me buscando com os olhos em meio ao restaurante. Depois, saiu sem terminar sua comida. </p>
<p>Nunca havia encontrado um racista radical em minha vida. Pela primeira vez, vi que por conta da cor da pele alguém atiraria em mim. No Brasil, muitos jovens morrem na mão da polícia por serem negros. Já tive armas apontadas para minha cabeça por isso. Mas não é abertamente por sermos negros. Existe uma máscara social que nos marginaliza antes da morte. </p>
<p>Na África do Sul existem pessoas que passam com o carro por cima de outra somente pela cor da pele. Não podemos nos enganar, existem negros que fazem a mesma coisa com brancos lá. O racismo, apesar do fim do apartheid, é vivo no dia a dia das pessoas. O racismo deles é mais forte, mas isso não minimiza nosso problema. Pelo contrário, dificulta, pois os inimigos são ocultos. Precisamos entender isso para qualificar nossa luta pela igualdade. </p>
<p>Para concluir a história vivida no continente africano: ao voltar para o lugar onde estava hospedado, encontrei o rapaz que saiu da mesa na hora do conflito. Ele me implorou desculpas pelo ato do racista, pedindo que não julgasse seu continente pela situação. Disse que o comportamento não é característico de negros ou brancos, mas de humanos. </p>
<p>Na realidade, somos admirados no continente africano pela capacidade que temos que ser uma sociedade mestiça sem conflitos, um país onde negros e brancos são iguais. Em uma palestra que fiz lá, disse a eles que isso é verdade. Mas sabemos ainda ter um longo caminho a percorrer.</p>
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		<title>De volta à África</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 09:30:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos, estou escrevendo para vocês da África do Sul. Depois de dois anos, eu retornei ao país da última copa do mundo. Desta vez, minha viagem é para apresentar meu livro sobre prevenção ao crack. A criançada daqui adorou. Está sendo emocionante estar aqui novamente. É uma África diferente. As pessoas são mais naturais. Não... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/05/04/de-volta-a-africa/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos, estou escrevendo para vocês da África do Sul. Depois de dois anos, eu retornei ao país da última copa do mundo. Desta vez, minha viagem é para apresentar meu livro sobre prevenção ao crack. A criançada daqui adorou. Está sendo emocionante estar aqui novamente. É uma África diferente. As pessoas são mais naturais. Não têm a obrigação de serem gentis, os olhos do mundo não estão mais voltados para eles. </p>
<p>Ontem, entrei em um restaurante e ouvi que por ser negro não era benvindo, mas que tinha o direito de estar ali. Disseram que eu não seria expulso, mas deveria saber o que pensavam os demais clientes. </p>
<p>Fiquei sem saber o que fazer. Meio sem jeito, permaneci no local. Em pouco tempo, outros seis negros entraram e nem deram bola para o que o garçom falou. Vi que os racistas eram minoria. E entendi que maior que o racismo é o medo que temos dele. Saber que existe e enfrentá-lo com dignidade e sem rancor é a melhor forma de lidar. </p>
<p>Na África, o racismo não é somente de branco para negro. É de negro para negro, por conta da tribo, de branco para branco que apoia negro e de negro para negro que apoia branco, e por aí vai. O preconceito ainda está no DNA do país e vai demora a sair. </p>
<p>O ponto de equilíbrio aqui é Nelson Mandela. Ele hoje tem 93 anos, mas sua posição é inquestionável. Ele é o espírito de paz que negros e brancos precisam. </p>
<p>Não tem um só dia que as pessoas não falem nele. O Mandela que conhecemos é mítico, aqui ele é real, faz parte da vida das pessoas.</p>
<p> Hoje, o maior medo na África é sua morte. Vejo a África do Sul em um clima de expectativa e incerteza sobre o que virá. Cheguei a ver homens brancos de zonas rurais daqui com armas nos carros, pois acham que os negros uma hora vão atacar. Adoro a África, mas quando estou aqui vejo como o Brasil é bom. Somos pacíficos, nos vemos como raça humana. Os africanos ainda não alcançaram isso.</p>
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		<title>Odeio as cotas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 09:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Cotas]]></category>
		<category><![CDATA[Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca gostei da ideia de cotas. Acho que ninguém gosta. Nosso sentimento é o mesmo que um cadeirante tem pela rampa que colocaram para ele subir. É óbvio que o cadeirante preferiria mil vezes usar a escada como todos, mas o fato de não poder andar obriga-o ao uso da rampa.
Imagine como seria constrangedor ver... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/04/27/odeio-as-cotas/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca gostei da ideia de cotas. Acho que ninguém gosta. Nosso sentimento é o mesmo que um cadeirante tem pela rampa que colocaram para ele subir. É óbvio que o cadeirante preferiria mil vezes usar a escada como todos, mas o fato de não poder andar obriga-o ao uso da rampa.</p>
<p>Imagine como seria constrangedor ver um paraplégico abrindo mão da rampa de acesso e lutando para usar a escada. Se depois de muita fisioterapia ele puder subir sem cadeira, vai ser lindo. Mas nada justifica o sacrifício.</p>
<p>Por mais que pareça loucura, a questão racial é exatamente isso. O povo negro foi trazido como mão de obra animal, por 300 anos viveu escravizado. Após os primeiros movimentos de abolição, o negro só poderia entrar na escola após os 21 anos de idade, fora o fato de falta de acesso à alimentação, moradia e trabalho. </p>
<p>Isso produziu uma massa humana que estava em desvantagem comparada aos demais. Essa desvantagem foi passada de pai para filho até os dias de hoje. Muitos dizem que existem branco na mesma condição. É verdade, mas ainda os negros encabeçam as listas de desemprego, mortes por arma de fogo, menor acesso ao ensino superior, entre outras mazelas. A pobreza tem cor, sim. </p>
<p>Da mesma maneira que temos alguns poucos negros ricos, temos brancos pobres. por isso acredito que as cotas sociais também devem ser aplicadas. Acredito que a lei é importante. Se as injustiças tivessem atingido os japoneses ou judeus, minha opinião seria a mesma. Nossa reflexão não deve ser somente racial, mas ser iluminada pela luz dos direitos humanos. Quem acredita que alunos cotistas são menos capazes de estar na faculdade, que vá na UFRGS e peça as médias. Terá uma grata surpresa.</p>
<p>Cota não tira vaga de ninguém, mas do mesmo jeito que não queremos que a atual geração de pessoas de pele clara seja condenada pelos seus antepassados racistas, a geração dos negros não pode ser prejudicada pelas mesmas. </p>
<p>Eu odeio as cotas. Sugiro que elas vigorem somente pela metade do tempo que a escravidão vigorou. Depois disso, os negros que se virem. </p>
<p>Outro ponto da discussão é saber quem é negro ou branco. Aí é mole, é só perguntar para a polícia, que sabe exatamente quem é negro ou não.</p>
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		<title>O favelado e o gaúcho</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 09:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[O favelado e o gaúcho têm mais em comum do que se imagina. Ambos são, muitas vezes, subestimados por seu jeito rústico e simples de ver a vida. A simplicidade, por exemplo. de quem aprecia a beleza de uma noite de céu estrelado. 
Na lida campeira, ao acordar antes do sol, o gaudério pode observar... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/04/20/o-favelado-e-o-gaucho/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O favelado e o gaúcho têm mais em comum do que se imagina. Ambos são, muitas vezes, subestimados por seu jeito rústico e simples de ver a vida. A simplicidade, por exemplo. de quem aprecia a beleza de uma noite de céu estrelado. <br />
Na lida campeira, ao acordar antes do sol, o gaudério pode observar a beleza das estrelas. Na favela, às vezes, ao faltar luz, também nos encantamos com os mesmos astros. </p>
<p>No campo, ao som de uma milonga ou de um xote, o coração se alegra ao ver a xinoca bailando no galpão. Na favela, ver as poderosa quebrando tudo no funk ou os manos denunciando verdades no rap também faz o coração do favelado bater mais forte. </p>
<p>Por falar em galpão, neles os gaiteiros pontilham o teclado na batida do coração que ama a tradição gaúcha.  Semelhante ao sincopado de um pandeiro bem tocado. Este, quando acompanhado por um solo de cavado bem afinado, desvenda o bailado geográfico das curvas de mulheres que fazem de seu corpo um instrumento de sedução para a arte do samba. </p>
<p>O favelado e o gaudério aqui no Rio Grande do Sul se cruzam nas raízes culturais. O sambista gaúcho, quando vai para outros Estados, é intimado a assar a carne por conta das tradições. Por outro lado, ao ouvir um bumbo leguero não tem como não lembrar da cadência bem marcada de um surdo no samba de roda que rola nos morros. </p>
<p>Hoje, essa mistura se faz cada vez mais proposital, trazendo união e qualidade a estas duas formas tão distintas e tão semelhantes.</p>
<p>Nomes como Nitro Di, músico de hip hop, fazem das músicas gaúchas base para suas composições. Assim, contaminam as favelas do nosso Estado com beleza nativista. E, ao ver pessoas como Neto Fagundes me falando de Racionais e de como eles são narradores de um cotidiano, lembro de declamadores gaudérios. </p>
<p>O destino foi brincalhão quando distribuiu talento para a favela e o campo. Um dos maiores nomes da trova gaúcha é Jayme Caetano Braun, e um dos maiores nomes da poesia ritmada das favelas é Mano Brown. A arte da rima, em ambos os casos, colocada a favor da realidade. Seja Braun ou Brown... o trabalho apaixona.  </p>
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		<title>Passe adiante</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 09:30:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos, muitos de nós, favelados, estamos sendo chamados para ser candidatos ou participar de campanhas eleitorais. Apesar de alguns verem o fato como algo ruim, isso significa que agora temos peso. Em outros momentos, seríamos ignorados. Agora, tentam nos cooptar. Antes, fugiam da gente, ou seja, crescemos. Porém, é importante entender o que está em... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/04/13/passe-adiante/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos, muitos de nós, favelados, estamos sendo chamados para ser candidatos ou participar de campanhas eleitorais. Apesar de alguns verem o fato como algo ruim, isso significa que agora temos peso. Em outros momentos, seríamos ignorados. Agora, tentam nos cooptar. Antes, fugiam da gente, ou seja, crescemos. Porém, é importante entender o que está em jogo. </p>
<p>Óbvio que a pessoa que se candidata ou se vincula publicamente a uma campanha deve entender o que está em jogo, entender como funciona, para fazer análises equilibradas dos cenários. </p>
<p>Basicamente, existem três razões pelas quais as pessoas se candidatam.</p>
<p><strong>Primeiro:</strong> fortalecer seus projetos políticos pessoais ou coletivos. Começam como vereadores e, depois, crescem e alavancam um grupo. </p>
<p><strong>Segundo:</strong> fortalecer correntes internas dos partidos. Assim, oxigenam e ampliam os quadros internos, e ganham força para decisões posteriores.</p>
<p><strong>Terceiro:</strong> preencher legenda e reforçar as candidaturas majoritárias. São candidatos descartáveis, que atuam como cabos eleitorais com números.</p>
<p>Você precisa entender em que cenário você se enquadra antes de decidir. Outro fator importante é saber que para uma pessoa ser eleita precisa de duas coisas.<br />
<strong><br />
Primeiro:</strong> ter um nome forte, que seja sólido nos currais eleitorais, e que sobreviva ao processo eleitoral.<br />
<strong><br />
Segundo:</strong> uma campanha custa caro. Quem vai pagar tem interesses que precisam ser atendidos. </p>
<p>Acredito que você deva observar esses fatores e avaliar o que deve ser feito. A única pergunta que lhe faço é se você precisa disso. Óbvio que se os bons não se colocarem, os maus vão dominar. Mas a política não é feita de brigadeiro e mel. Ela é uma arena, na qual sonhadores são mastigados até virarem operadores reais de mudança. Alguns conseguem realizar seus objetivos, outros desistem e reclamam. E há os que só conseguem mudar a própria vida. Passe adiante.</p>
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		<item>
		<title>Atalhos</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Apr 2012 09:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Soares]]></category>
		<category><![CDATA[papo reto]]></category>

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		<description><![CDATA[Estes dias, um motorista "nego veio" aqui da tevê me disse o seguinte: Temos o hábito de pegar atalhos na vida e quase todos os atalhos nos fazem ficar perdidos. 
Achar o caminho mais curto nem sempre quer dizer que ele é mais eficaz e mais rápido. Muitos de nós pegamos esses atalhos por não... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/04/06/atalhos/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estes dias, um motorista "nego veio" aqui da tevê me disse o seguinte: Temos o hábito de pegar atalhos na vida e quase todos os atalhos nos fazem ficar perdidos. </p>
<p>Achar o caminho mais curto nem sempre quer dizer que ele é mais eficaz e mais rápido. Muitos de nós pegamos esses atalhos por não entendermos a diferença do significado de algumas frases na vida: Ter prazer não é ser feliz, não se ganha a liberdade fugindo, vencer não é ganhar, lutar não é brigar e algo que é para sempre não precisa ser todo dia. </p>
<p>Quando essas palavras não fazem sentido para nós, corremos pelos atalhos para chegar mais rápido aos nossos objetivos. Mas se os atalhos fossem realmente o melhor caminho, não seriam atalhos, seriam o caminho oficial. </p>
<p>Tomar ou não a decisão de pegar os atalhos da vida depende do berço. Se ensinamos nossos filhos a serem metidos, malandros, eles vão ter isso como regra de vida.  </p>
<p>Muitas vezes, estamos descontentes com nosso trabalho e, ao invés de buscar outra colocação no mercado, ficamos maquinando um jeito de colocar a empresa na Justiça e ganhar um dinheiro a mais. </p>
<p>Em geral, este tipo de atalho acaba mal, pois mesmo ganhando, parece que a grana não rende. Outro exemplo de atalho que pegamos é quando tentamos chegar ao coração. Alguns pensam que o prazer é atalho para a felicidade. Quem já passou por isso sabe que não resolve. Geralmente, nos enfiamos em lençóis sem sentido e pernas frias. </p>
<p>Quando falo de pegar atalhos, não é papinho romântico de pessoas que perderam seus amores somente. Mas é de tudo, desde o menino que tentou colar e se deu mal até o assalto a banco frustrado. Aliás, se tem um lugar cheio de pessoas que tentaram pegar atalhos é presídio. Todos ali, de alguma maneira, tentaram o caminho mais rápido, seja em atos ou em pensamentos. </p>
<p>Uma das dicas para não cair na tentação dos atalhos é parar e pensar. A urgência e a pressão nos fazem tomar decisões imediatas e arriscadas. A primeira regra de uma situação ruim é ganhar tempo para não entrarmos numa de fazer <br />
esteira. </p>
<p>Para aqueles que ainda usam atalhos termino com a frase de uma amiga muito querida: Quem pega atalho pode chegar mais rápido, mas também pode não chegar nunca.</p>
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		<title>Pai Medina</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 09:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Diário Gaúcho]]></category>
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		<description><![CDATA[Tem um assunto que fico meio cabreiro de tocar: paternidade. Não me considero um grande pai, adoro meu filho, mas acho que poderia ser melhor. Um pouco é porque nunca tive uma figura paterna perto de mim. Óbvio, sou grato a Deus, que me deu uma coroa das mais guerreiras. Ela foi pãe. Uma mistura... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/03/30/pai-medina/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem um assunto que fico meio cabreiro de tocar: paternidade. Não me considero um grande pai, adoro meu filho, mas acho que poderia ser melhor. Um pouco é porque nunca tive uma figura paterna perto de mim. Óbvio, sou grato a Deus, que me deu uma coroa das mais guerreiras. Ela foi pãe. Uma mistura de pai e mãe, que é comum nas quebradas. <br />
Quando ouço meu amigos se relacionando com seus pais, confesso que bate um misto de inveja e tristeza. Meu pai foi assassinado. Não tenho sequer uma foto com ele.</p>
<p> Apesar dessa história, eu tento entender o sentimento de se ter um pai. Outro dia, conversando com os amigos Daniel e Márcio Medina, consegui entender um pouco mais. </p>
<p>Esta semana, faz um ano que Porto Alegre perdeu uma das suas melhores vozes. Como ia rolar na Banda da Saldanha uma homenagem, tentei entender um pouco mais sobre quem foi esse gênio vocal que atendia por Carlos Medina. <br />
Ao falar com eles, vi que por trás do gênio existia um herói. Impressionante a forma como cada filho descrevia a existência do pai, como controlavam a respiração para segurar as emoções ao falar do ser que lhes ensinou, por meio de letras e melodias, a traduzir a vida como ela é. </p>
<p>Vi que o maior sucesso da vida de Medina não está gravado em nenhum dos discos lançados por ele, mas no legado que ecoa cada vez que seu nome é lembrado. </p>
<p>Medina encantava com a voz. Mas, pelo que pude ver, o que ele fazia ao pegar o microfone era somente a tradução sonora do pai, amigo e homem que era. Muitos podem ter talento artístico, mas para ser pai como ele foi é preciso ter virtudes humanas. </p>
<p>Me pergunto se quando meu filho estiver com barba na cara vai se orgulhar de mim como os filhos desse herói do samba gaúcho. Vejo muitos jovens músicos se espelhando na qualidade vocal do Medina, lutando para um dia ter o mesmo prestígio e reconhecimento que ele teve.</p>
<p>Aprendi essa semana: o que transmitimos é resultado do que somos. Se alguns sonham ser iguais ao Mestre Medina, que sejam como um todo. Tive o prazer de assistir o Medina cantando, mas somente um ano depois de sua morte o conheci de fato. Uso nosso espaço para que conheçam também. E, como ele dizia: Alôôôôô, harmoniaaaaaaaa.</p>
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		<title>Não vai muito</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 09:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Soares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Diário Gaúcho]]></category>
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		<category><![CDATA[Manoel Soares]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda família tem um linha de frente, alguém que independente do que aconteça vai segurar a onda. As vezes é homem, outras são mulheres, mas cabe a eles as decisões mais complicadas, como toda decisão requer algum tipo de renuncia, com o tempo seus atos descontentam quase a todos em algum momento.
 Ser líder familiar... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/paporeto/2012/03/23/nao-vai-muito/?topo=52,1,1,,186,77">Leia mais &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda família tem um linha de frente, alguém que independente do que aconteça vai segurar a onda. As vezes é homem, outras são mulheres, mas cabe a eles as decisões mais complicadas, como toda decisão requer algum tipo de renuncia, com o tempo seus atos descontentam quase a todos em algum momento.</p>
<p> Ser líder familiar as vezes é uma missão ingrata, para cada gesto de reconhecimento temos pelo ao menos 100 de críticas e palavras de descontentamentos. Por mais que seja complicado entender, as vezes nosso desejo de liderança mais atrapalha que ajuda, ao metermos o peito na frente das balas e não deixar que os mais fracos sofram as consequências de seus atos, tiramos das pessoas a capacidade de serem donas do seu próprio destino, sempre depender de alguém pode parecer legal, mas repetidas vezes tira a dignidade do outros. </p>
<p>Por mais que agente queira, não poderemos resolver os problemas de todos o tempo todo e se não aprendermos isso logo, quem tem um problema sério somos nós. Saber a hora de sair de cena e cuidar da própria vida faz parte da cartilha de liderança, ninguém pode dar o que não tem, com a cabeça tomada de pressão jamais conseguiremos levar alento. Mas todo herói tem um ponto fraco e geralmente é não saber ser salvo, não reconhecer que corre perigo e isso os coloca e um labirinto onde ao invés de ajudar os seus, faz de todos escravos de sua solidariedade egoísta.</p>
<p> Mesmo cheio de bombas e decisões complicadas as pessoas precisam tomar suas decisões, quando nós assumimos este papel, somos responsáveis também pelas consequências e nessa hora temos uma encruzilhada: se tudo der certo o mérito é nosso e não da pessoa, isso vai deixá-la mal por se sentir incapaz. </p>
<p>Se der tudo errado a pessoa com problema vai nos culpar dizendo que pioramos ao invés de ajudar. Sendo assim, o melhor a fazer é estar próximos e ajudar com reflexões, mas a decisão final não pode ser nossa. </p>
<p>Nossa liderança tem prazo de validade, chega um momento em que todos precisam pegar seu rumo em direção a estrada que construíram, e não cabe a nós entrar numas de enfeitar a estrada dos outros, pois não somos melhores que ninguém para querer dar jeito no mundo. </p>
<p>Vamos ajudar até onde isso não causar dor, ou seja: vai, mas não vai muito.</p>
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