Depois de 32 dias de África do Sul, volto para casa. Já dividi com vocês algumas da lições que aprendi nessa viagem: o perdão africano, a solidariedade de um povo que teve de se reconstruir do nada e por aí vai.
Foi a viagem mais importante da minha vida até hoje, conhecer nossas raízes e entender de onde vêm muitas das nossas manifestações culturais. Mas acho que, desse ciclo, aprendo hoje a última lição.
No aeroporto, pegando o avião que me deixaria em solo gaúcho, aprendi e entendi que, por mais belo que seja o mundo, nada é melhor do que voltar para casa.
Óbvio que nossa rua, nossa cidade, nosso Estado e nosso país estão cheios de problemas. Às vezes, acreditamos que sumir é o melhor a fazer, mas posso dizer com toda a certeza, amigos, quem faz o lugar é a gente.
O lugar em que moramos não é feito de pessoas, são as pessoas que fazem o lugar em que moram e, por mais que, às vezes, a grama do vizinho pareça mais verde, que a vida em outro país pareça mais legal, chega um momento em que seus ouvidos procuram aquela música que você gosta, a vibração do gol do seu time, a alegria de pisar num solo que, por mais torto que seja, você pode chamar de “minha casa”.
Eu amei a África do Sul, mas não poderia morar lá... porque tudo que vi de lindo lá quero fazer na terra em que nasci. Se eu morasse na África seria um infeliz. Sou descendente africano, mas sou brasileiro, e um gaúcho adotado.
Existem coisas que eu preciso para viver: o rango e os conselhos de dona Ivanete, o carinho daquela que me atura, o amor do meu filho, o samba do morro, o rap dos manos, a muvuca do funk e o cheiro de chão batido que, nas manhãs, empurra-me para a luta. Soweto é bom, entretanto, não se compara ao calor das minhas quebradas.
Amigos, estou em casa, de novo!




