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Posts com a tag "Coluna Diário Gaúcho"

Passe adiante

13 de abril de 2012 0

Amigos, muitos de nós, favelados, estamos sendo chamados para ser candidatos ou participar de campanhas eleitorais. Apesar de alguns verem o fato como algo ruim, isso significa que agora temos peso. Em outros momentos, seríamos ignorados. Agora, tentam nos cooptar. Antes, fugiam da gente, ou seja, crescemos. Porém, é importante entender o que está em jogo.

Óbvio que a pessoa que se candidata ou se vincula publicamente a uma campanha deve entender o que está em jogo, entender como funciona, para fazer análises equilibradas dos cenários.

Basicamente, existem três razões pelas quais as pessoas se candidatam.

Primeiro: fortalecer seus projetos políticos pessoais ou coletivos. Começam como vereadores e, depois, crescem e alavancam um grupo.

Segundo: fortalecer correntes internas dos partidos. Assim, oxigenam e ampliam os quadros internos, e ganham força para decisões posteriores.

Terceiro: preencher legenda e reforçar as candidaturas majoritárias. São candidatos descartáveis, que atuam como cabos eleitorais com números.

Você precisa entender em que cenário você se enquadra antes de decidir. Outro fator importante é saber que para uma pessoa ser eleita precisa de duas coisas.

Primeiro:
ter um nome forte, que seja sólido nos currais eleitorais, e que sobreviva ao processo eleitoral.

Segundo:
uma campanha custa caro. Quem vai pagar tem interesses que precisam ser atendidos.

Acredito que você deva observar esses fatores e avaliar o que deve ser feito. A única pergunta que lhe faço é se você precisa disso. Óbvio que se os bons não se colocarem, os maus vão dominar. Mas a política não é feita de brigadeiro e mel. Ela é uma arena, na qual sonhadores são mastigados até virarem operadores reais de mudança. Alguns conseguem realizar seus objetivos, outros desistem e reclamam. E há os que só conseguem mudar a própria vida. Passe adiante.

Verdade de mãe

16 de março de 2012 0

Na vida, precisamos ouvir o que não queremos. Essas verdades inconvenientes podem, muitas vezes, ser amargas no começo. Mas fazem parte de nossa evolução, principalmente se forem verdades mesmo. É normal tirarmos de nosso convívio quem traga tais mensagens.

Vamos, instintivamente, rompendo laços com quem fica nos colocando contra a parede e nos obrigando a enxergar aquilo que volta e meia nos negamos a ver. Para combater esse movimento, Deus, que não é bobo, colocou em nosso caminho um anjo teimoso chamado mãe. Volta e meia, com conselhos doces ou de forma direta e dura, elas nos dizem aquilo que nenhum outro ser humano no mundo teria coragem de dizer.

Elas nos conhecem bem e sabem exatamente onde colocar as palavras. Na hora, podemos fazer pequenos comentários ou ignorar. Porém, quando deitamos a cabeça no  travesseiro, as palavras ecoam na memória como o primeiro surdo da Estado Maior da Restinga.

Bate um sentimento de gratidão, é como se desse vontade de ligar para a velha e dizer a ela para não ficar enchendo a paciência e agradecer por existir e ser tão franca.

No dia seguinte, muitas vezes sem que elas saibam, fazemos o que foi orientado e vemos que elas estavam cobertas de razão. Óbvio que a maioria de nós, filhos barbados, não damos o braço a torcer. Mas, para compensar, chegamos de cantinho e damos um beijo daqueles.

Na hora, elas sacam que voltamos atrás, dão um sorriso e a vida segue. Entender o ritual das verdades inconvenientes é  importante. Por mais que sejamos donos de nossos narizes, nossas mães sempre verão o mundo de uma maneira mais madura. Deve ser por isso que as pessoas que perdem suas mães sofrem tanto. Sabem que, por mais adultas que sejam, perderam seu anjo da guarda na Terra.

Eu ainda tenho minha coroa me enchendo e espero tê-la por muito tempo, mas imagino como doa não ter. Por isso, divido os conselhos dela aqui em nossa coluna, é minha maneira de emprestar minha velhinha para vocês.

Cadeia não é hotel

03 de fevereiro de 2012 0

Só quem já passou pela parte de dentro de uma cela sabe que cadeia não é hotel. Infelizmente, está mais para zoológico. Não que eu queira dizer que os presos são animais, mas muitos vivem em condição igual. Depois de ter feito alguns trabalhos nas cadeias, cheguei à conclusão que a cadeia revela o que o cara realmente é.

Se for alguém que cometeu um erro e não quer mais a vida bandida, ele vai ter ficar na dele, puxar seus anos no sapinho. Se o cara é um atrapalhado, que não tem coerência no que fala e faz, lá ele vai aprender a ser homem. Na cadeia, os erros têm outro peso, as relações são tensas, extremas.

Por exemplo, pegar um sabonete sem permissão é um ato de desrespeito, mexer com a mulher alheia ou desrespeitar a família de outro é quase uma sentença de morte. Um outro problema para quem passa pelo sistema é a famosa febre de cadeia. Geralmente, assola os que têm a cabeça fraca. Tentando sobrevier lá dentro, alguns assimilam tão rápido a rotina que, quando saem, não conseguem pensar de outra maneira.

Comportam-se como se o mundo seguisse as regra do fechado. Ao invés de conversar, gostam de intimidar. Muitas vezes, falam de seu período preso como quem fez uma faculdade no exterior. Sentem prazer em contar suas histórias. É um péssimo indício. Essa febre afasta o sujeito de um mundo sociável. Ele não se sente à vontade com a liberdade. Por mais maluco que seja, lá no inconsciente esse pobre coitado sonha em voltar para a cadeia.

É como se parte do seu mundo ficasse lá dentro. A única forma de curar isso é com um tratamento psicológico e força de vontade. Mas se o cara não quiser, não adianta. Conheço homens de 60 anos que desde os 20 têm a febre, e vão morrer nessa. Mas já vi pessoas se livrarem dela de um dia para o outro. Um dos motivos da cadeia ser primitiva no Brasil é que ela não foi preparada para reabilitar, mas para punir.

Nós, como sociedade, não sabemos se queremos punir o cara que cometeu um erro ou prepará-lo para voltar ao convívio. Graças a esta incapacidade nossa, a cadeia teve que se autorregular, fazer seu livro de regras interno. Nele, meninos viram lobos, homens viram mulheres, entre outras transformações inimagináveis.

Cadeia não é hotel, não é motivo se orgulho. Se você tem um filho metido a malandro, que acha que o mundo começou quando ele nasceu, mostre este texto a ele. Se não resolver, leve-o em um dia de visita. Essa é sua missão.

Não gosto de Natal

23 de dezembro de 2011 0

Nunca gostei de Natal. Óbvio que já fui considerado herege por isso, mas, verdade seja dita, nunca fui fã mesmo. Quando crianças, eu olhava os meninos com uma expectativa de Papai Noel. Viam os pais deles de roupa vermelha, e  pareciam não entender que era o mesmo cara que eles viam todos os dias. Nunca tive essas paradas. Acho que isso me endureceu um pouco.

Quando precisava sonhar, sonhava com minha mãe e eu trabalhando juntos nas faxinas.  Para minha surpresa, hoje, conforme vai chegando o Natal, eu começo a ver que estou um pouco diferente. Parece que as pessoas olham umas para as outras nos olhos e sorriem mais. Uns malucos que nunca me deram bom dia chegam de maneira educada e solícita. O pior: as pessoas dizem que eu fiquei mais carinhoso e menos ranzinza. Continuo não acreditando nesse espírito natalino, mas confesso que algo mudou para mim.

Acho que foram vocês que me fizeram diferente. Mesmo não acreditando em Papai Noel, e achando tudo um teatro bobo, o sentimento que brota nos corações não é brincadeira, é sincero e produz mudanças reais. Eu não posso, por mais mala que eu seja, não responder quando um menino vem e me deseja um Feliz Natal. Gosto da alegria de uma moradora de rua que monta sua árvore iluminada mesmo não tendo casa.

Agradeço à colega apresentadora que pode passar o Natal onde quiser, mas está preocupada em ajudar na festa da minha comunidade. São gestos que me fazem chorar, me fazem acreditar, não no Bom Velhinho, mas nas pessoas, na capacidade do ser humano de produzir o bem.

Não gosto do Natal, mas as pessoas que me cercam me ensinaram a gostar do que ele provoca no mundo. Se Jesus nasceu no dia 25 de dezembro ou não, não me interessa. O que me interessa é que me sinto feliz, em paz, e quero que este sentimento chegue até vocês.

Muito obrigado aos amigos que leem, aos amigos das redações do Diário e da RBS TV, da Cufa, das escolas por onde passei este ano com palestras, das comunidades que visitei e a todos que, de alguma maneira, se conectaram aos nossos sonhos. Beijo no coração de todos.

Maldição dos competentes

30 de setembro de 2011 0

Quem é competente no que faz tem um sério problema que, às vezes, coloca tudo que é conquistado ladeira abaixo: o dia da zica. Geralmente, quem tem tudo sob controle se atrapalha quando vê as paradas darem errado. Parece que quando a casa cai, nunca cai só. Parece que tudo de ruim resolveu acontecer naquele dia.

Nessa hora, somos nós mesmos que colocamos nossa competência em xeque. Isso é positivo e negativo. Positivo porque a primeira característica de gente incompetente é apontar os erros dos outros quando algo dá errado. O competente, por outro lado, se pergunta o que ele poderia ter feito para evitar. O negativo disso é que essa autocrítica pode colocar um competente em um limbo de onde jamais sai. Começa por conta de um momento complicado até se colocar numa condição de vítima, que corrói a capacidade natural de realização.

Temos que saber lidar com as frustrações. É muito fácil se acostumar com a vitória, mas só os realmente fortes sabem olhar nos olhos da derrota, levantar, sacudir a poeira e virar o jogo. Cada vez que conseguimos nos superar, ganhamos.

Primeiro, exercitamos nossa humildade, entendemos que ser competente não é ser perfeito. Aprendemos a entender os erros dos outros, pois uma das características de quem é competente é a paciência. Só vamos ser tolerantes com os erros dos outros se formos antes com os nossos. Por pior que esteja sendo a semana ou o dia, pode ficar tranquilo que vai passar.

Cabe a nós termos maturidade e humildade para entender que não somos os donos do mundo, temos que ter em quem confiar e dividir nossas vitórias e frustrações. Cuidado nessa escolha para não se expor para pessoas que não deve. Outro cuidado importante é não pensar que as pessoas têm que entender nossas limitações. Elas não têm que entender.

A pior ofensa para um competente é aquela cara irônica de quem vibra com nossa falta. Temos que ser exigentes conosco, mas não ser tiranos. Não se apresse em cobrar de outros os seus erros.

Minha real das UPPs

23 de setembro de 2011 3

Uma galera me manda e-mail querendo saber o que eu acho das UPPs gaúchas, claro que junto com a pergunta cada um manda sua opinião a respeito. No fim das contas acho que a galera não só quer saber o que eu acho, mas quer também dizer o pensa a respeito sendo assim, vamos lá.

Uma senhora da Tinga me disse que é muito legal poder andar a noite sabendo que a policia vai garantir a circulação, por outro lado diz que prender traficante não é solução se de dentro da cadeia eles mandam e desmandam. Outra do morro Santa Teresa acha que os postos precisam ser melhor equipados, tem policial que para ir ao banheiro depende da boa vontade de moradores, eles ficam muito expostos e vulneráveis.

Minha opinião sobre essa parada é meio radical, acho que desde que o mundo é mundo o único serviço público que nós conhecemos é a polícia e dessa vez não foi diferente, se a BM chegasse acompanhada de uma bateria de outros serviços de saúde, educação, cultura e lazer aço que eu acharia lindo, mas colocar um ônibus com dois policiais no meio da rua acho arriscado para todo mundo.

O crime é um dos problemas das comunidades, mas temos outros bem piores, mas como o crime é o único que o asfalto sente na carne, a reação vem nesse sentido. Minha pergunta é se as UPPs gaúchas nasceram para ajudar as comunidades ou para calar a boca de quem se incomoda  com a violência que emana dela.

Se é a primeira opção, temos que mudar nosso formato de ação, talvez tenha oficiais que digam que não sei do que estou falando, mas as comunidades também não sabem e precisam saber. Muitas pessoas nas comunidades estão acreditando nessa iniciativa e estão se colocando em risco, algumas famílias já receberam ordem de sair da comunidade quando a polícia se for, quem vai pagar essa conta?

Eu sou a favor da aproximação da policia com a comunidade, mas desde que seja feita com planejamento e transparência, o ideal é que fosse permanente, mas um dia as UPPs vão sair das quebradas e qual será o legado deixado? Volto a dizer não sou contra a polícia, mas nesse tipo de situação tenho que olhar o lado da comunidade. Tem muito mais o que ser dito, mas vamos parar por aqui porque bem ou mal um importante passo está sendo dado.

Pelo amor ou pela dor

16 de setembro de 2011 0

Quando sentimos o peso do corpo sobre os joelhos, e a capacidade de se levantar se reduz a uma vontade, entendemos que algo está fazendo falta. O nome deste algo é espiritualidade. O assunto ficou fora de moda nos dias de hoje. As pessoas não investem mais nisso como antes. Cuidar das nossas crenças e alimentar o espírito deixou de ser prioridade. Mas podem ter certeza que vamos um dia pagar esta conta.

Infelizmente, algumas mulheres só vão ao terreiro cumprir suas obrigações com o santo na hora de tentar dar o troco ao homem amado que se foi ou para trazê-lo de volta. Mas poucos sabem como são ricas e educativas as religiões de matriz africana. Em outros casos, as ricas páginas da Bíblia só servem de seda para fechar baseado.

Por mais que pareça absurdo, já vi gente fumando maconha com páginas do livro sagrado. O pior é que não fazem isso como um sacrilégio voluntário, mas por causa da textura do papel ser similar aos papéis do fumo. Junto com a fumaça sobe a mensagem que, na hora do desespero, poderia salvar uma vida. Este momento de descaso espiritual não é privilégio nosso, foi vivido por outras eras: Babilônia, Egito, império romano e outros. Caíram e caem por ignorar o senso humanitário contido na espiritualidade e por acharem que sua sabedoria é tudo.

Na boa, alimentar o espírito é uma lição que se aprende em casa. Falar com o deus no qual acreditamos é um legado a ser deixado por pai e mãe. Quando não estivermos por perto, nossos filhos terão no que se apegar para enfrentar a vida. Crescer na vida é importante, mas nada disso vale se nossa alma estiver seca e sem fé.

Seremos devorados pela própria vaidade, sem pena. Não é a toa que nas quebradas há tantos terreiros e igrejas. São espaços de aprendizado coletivo. Muitos dos alicerces que vão sustentar nossa ética e nossa honestidade serão aprendidos em nossas escolhas religiosas. Mas precisamos investir nelas com seriedade.

Lembre-se: o espírito vai pedir alimento. Se não for por amor, vai ser pela dor. Escolha agora.

Racismo doce

09 de setembro de 2011 0

Sempre que falo sobre racismo ou outras formas de preconceito as pessoas pensam que é porque sou negro, parte desse pensamento é verdade, o fato de ser negro me faz saber experiencialmente o peso de ser subjugado por conta de uma característica física.

Porém, minha luta não é em causa própria, não é em favor dos negros, mas em favor do que acho certo. Existem leis que são falhas, que não correspondem ao que é justo, neste e em outros assuntos. As leis um dia permitiram que pessoas fossem espancadas, vendidas e escravizadas, hoje essas leis são repugnadas por nós, assim como nossa lei de hoje um dia será motivo de vergonha para as gerações futuras. Mas se as leis não são nosso norte, o que devemos seguir então?

Acredito que o bom senso, a capacidade natural de se colocar no lugar do outro, essa deve ser nossa meta sempre, se assim fizermos a chance de nos rendermos aos pré-conceitos é mínima. Estão chegando a mim muitas histórias de crianças negras que são tratadas de maneira hostil pelos colegas na escola, as professoras se defendem dizendo que fazem de tudo para que isso não aconteça, por outro lado não podem fazer nada se os pequenos reproduzem as lições aprendidas em casa.

Estes dias li em um Twitter que o berço é o adubo do preconceito, sou obrigado a concordar, as palavras ditas no ultimo domingo pelo ator Rodrigo Lombardi no Domingão dos Faustão na final da Dança dos Famosos indica isso. Ele disse que apesar de ser negro, baixinho e caolho o cantor e dançarino Sammy Davis Junior no palco parecia um loiro, alto de olhos azuis. Quem disse que o bonito é assim?

Na ignorante inocência de suas palavras o ator global vomitou o mais doce preconceito que mora em milhares de corações que reproduzem o conceito de sucesso imposto por uma educação social baseada em um ideal quase nazista.

Cabelo ruim, nuvem negra, passado negro entre outros termos fazem parte desse cotidiano racista que nos invade diariamente sem nem notarmos. Convém lembrar aos que ficam pessimistas que a vida já foi bem pior, convém lembrar aos otimistas que poderia ser bem melhor e aos realistas que cabe a nós mudar o que acreditamos estar errado.

Qual é a sua?

05 de agosto de 2011 1

Esta semana, a internet bombou com a música feita pelo cantor Tonho Crocco. Não sei se todos que estão lendo ouviram ou conhecem a música. Mas ela fala como é indecente deputados gaúchos aumentarem seus salários de R$ 11 mil para R$ 20 mil, e a vida das pessoas que eles deveriam representar mudar tão pouco.

O maior quebra-pau é porque ele citou na música o nome de todos os deputados que votaram para aumentar o próprio salário. Pode ter maluco dizendo que ele fez esse som e postou na internet para chamar atenção, mas a verdade é que os artistas deveriam fazer isso sempre. A arte é livre. Os músicos de hoje só querem falar de amor e de festa, enquanto seu público sofre com fome e frio.

Essa indiferença dos artistas, às vezes, decepciona. Quem fazia um pouco disso era o rap e hoje nem os rapers fazem certas críticas. Perdemos a capacidade de nos indignarmos. Pior que políticos fazerem o que eles fizeram em benefício próprio, é a gente ver tudo isso e ficarmos quietos. Os políticos que fizeram isso não foram desonestos, foram desrespeitosos, tiraram onda de nossa cara com a lei que permitiu colocassem mais R$ 8 mil nos próprios salários.

A música do Tonho é simples, sem grandes arranjos, mas com verdades cáusticas. Ele encontrou a maneira dele de fazer a diferença. Eu estou procurando a minha. E qual é a sua?

Metendo a colher

29 de julho de 2011 1

Vou arrumar um monte de briga depois deste texto de hoje, mas como nem Jesus agradou a todos, vamos nessa. sabe aquele papo que em briga de marido e mulher não se mete a colher? é caô, tem que debater e sim, então vamos lá. Sou um eterno defensor da lei Maria da Penha, malandro que acha bonito descer o raço na nega véia tem que dormir de valete no fechado para ver que a vida não é um morango. Pior que os bandidos de verdade reclamam que esses machinhos nos primeiros dias de cana só sabem chorar e atrapalhar o sono dos companheiros de galeria, não são homens nem bandidos, são uns covardes otários. Mas tem uma parte sinistra nisso tudo, infelizmente eu conheço mulheres que fazem de tudo para ver o cara sair do sério. Eu já tive mulher que disse que se eu não batesse nela ela ia pisar em mim, já vi mulheres de amigos meus dizer que depois de umas pancadas o amorzinho é mais gostoso e por ai vai.

Conversando com uma psicóloga amiga minha, ela me disse que muitas mulheres estimulam a violência no relacionamento para combater a indiferença, a lógica absurda é que depois da agressão os homens ficam mais carinhosos. Não quero que achem que eu culpo as mulheres pelas agressões, independente do que seja feito, nenhum homem tem direito de bater em suas esposas, se não tá bem, mete o pé, mas não bata e não adianta vir dizer que perdeu a cabeça. Na boa, porque esses valentes não perdem a cabeça com um brigadiano?

Outro papo que ninguém dá é sobre os maridos tomando pancada dentro de casa de suas esposas, ficam em silêncio para não pagar o mico de tomar um coro da nega-véia, mas independente de onde venha a violência deixa marcas piores que os hematomas, fere a dignidade. Não adianta criar leis, a verdade é que se quisermos homens melhores precisamos criá-los melhor, o cara que hoje bate na mulher há 15 anos atrás era um menino que nunca tinha beijado na boca, quando foi que ele virou um monstro, a menina que se submete a isso, faz porque? amor? Acho que não.

Os agressores e agredidos nos relacionamentos são fruto do que vivem e veem, devemos como pais e responsáveis identificar os traços de violência conjugal e cortar pela raiz. Menino que bate em menina é covarde, menina que provoca menino também é, essas verdades precisam fazer parte de nossa educação diária senão vai faltar leis e sobrar histórias tristes. Fui galera.