Desde muito pequenos, somos ensinados a não ter medo. Entretanto, no final das contas, o máximo que conseguimos é fingir que não temos medo.
Para a nossa sorte, a maioria não sabe a diferença entre a falsa e a verdadeira coragem.
Apesar dessa demonização do medo, ele tem lá as suas vantagens. Já vi o medo servir como limitador e como estímulo para muitas situações.
Já vi casos em que o marido era um deitado que só esculachava a esposa, até o dia em que ela meteu uma beca, deu uma geral no cabelo e ficou toda gata. Nem precisou falar nada, o amigo já ficou todo errado e entrou numas de chegar junto, pois viu que ela ainda tinha lenha para queimar.
O medo desperta a possibilidade de perder ou o inverso. No entanto, esse sentimento produz uma liga que apimenta alguns momentos da vida.
Outro exemplo clássico é filho que quase perde a coroa. A possibilidade da morte da mãe faz o malandro repensar geral. Parece que precisava sentir aquele medo para que caíssem algumas fichas na sua vida. Por mais que o fato de ter medo seja algo desagradável, ele serve de advertência para a sobrevivência, é como uma espécie de mecanismo de defesa para que fiquemos de orelha em pé.
Nós, pais, precisamos entender que, às vezes, na vontade de tirar os medos dos nossos filhos, tiramos deles também algumas noções básicas de alerta.
Afinal, o medo de tomar choque é que impede a criança de colocar o dedo na tomada. Medo, nesse caso, é proteção. A moral, no fim das contas, galera, é saber refletir e observar o medo. Às vezes, ele deve ser enfrentado, outras vezes, deve ser ouvido, mas sempre temos de entendê-lo. Até. Bom finde!

