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Nossos medos

25 de novembro de 2011 12

Desde muito pequenos, somos ensinados a não ter medo. Entretanto, no final das contas, o máximo que conseguimos é fingir que não temos medo.

Para a nossa sorte, a maioria não sabe a diferença entre a falsa e a verdadeira coragem.

Apesar dessa demonização do medo, ele tem lá as suas vantagens. Já vi o medo servir como limitador e como estímulo para muitas situações.

Já vi casos em que o marido era um deitado que só esculachava a esposa, até o dia em que ela meteu uma beca, deu uma geral no cabelo e ficou toda gata. Nem precisou falar nada, o amigo já ficou todo errado e entrou numas de chegar junto, pois viu que ela ainda tinha lenha para queimar.

O medo desperta a possibilidade de perder ou o inverso. No entanto, esse sentimento produz uma liga que apimenta alguns momentos da vida.

Outro exemplo clássico é filho que quase perde a coroa. A possibilidade da morte da mãe faz o malandro repensar geral. Parece que precisava sentir aquele medo para que caíssem algumas fichas na sua vida. Por mais que o fato de ter medo seja algo desagradável, ele serve de advertência para a sobrevivência, é como uma espécie de mecanismo de defesa para que fiquemos de orelha em pé.

Nós, pais, precisamos entender que, às vezes, na vontade de tirar os medos dos nossos filhos, tiramos deles também algumas noções básicas de alerta.

Afinal, o medo de tomar choque é que impede a criança de colocar o dedo na tomada. Medo, nesse caso, é proteção. A moral, no fim das contas, galera, é saber refletir e observar o medo. Às vezes, ele deve ser enfrentado, outras vezes, deve ser ouvido, mas sempre temos de entendê-lo. Até. Bom finde!

A África venceu

10 de julho de 2010 0

Confesso que esperava menos, não por subestimar a capacidade do povo sul-africano, mas por entender que a história de dificuldades da África do Sul poderia afetar a realização do Mundial. Neste fim de semana, encerra-se um capítulo da recente história africana com sucesso.

Com a mesma força com que se uniram para enfrentar o Apartheid, ele se uniram agora para dizer ao mundo que na África não só existe fome, aids e miséria, mas um povo que cresce todos os dias, que vai além dos capítulos de sangue escritos por conta das explorações.

Foram quase 60 dias de evento, mais de quatro anos de preparação, e nesse processo o povo africano entendeu que uma Copa não serve somente para realizar jogos de futebol, mas para mostrar ao mundo as potencialidades de um povo.

Claro que tiveram dificuldades, a migração de países mais pobres,os altos índices de criminalidade e desemprego, e para piorar a situação o governo africano não passa por um bom momento – algumas decisões do presidente Zuma recebem críticasferozes da imprensa mundial.

Como se não bastasse, o patriarca da nação, Nelson Mandela, perde a bisneta na véspera do primeiro jogo e se fecha em luto. Alguns jornalistas cogitavam ir embora, pois sem a intervenção de Madiba,a África era uma panela de pressão que poderia explodir em conflitos. Mas mesmo assim o país abraçou a Copa como questão de honra, enfrentou as críticas e desconfianças com hospitalidade e carisma, entregou à comunidade internacional uma Copa simples, mas perfeita, sem escândalos e sem vexames.

Se há 30 anos alguém dissesse que a África do Sul sediaria uma Copa, qualquer um diria que era impossível. Assim como é impossível passar 27 anos na cadeia e liderar negociações de paz. Assim como é impossível a uma nação ser explorada, agredida e simplesmente virar a página, como se tudo fosse apenas história
do passado. A África do Sul colocou o Brasil na obrigação de fazer a melhor Copa já vista, afinal, se eles, com todo esse histórico, superaram as expectativas, resta-nos ir além de uma Copa, em 2014. Teremos de fazer história.