O fim da Copa se aproxima e, enquanto o mundo espera para saber quem vai levantar a taça mais desejada do futebol mundial, aos poucos a África revela suas faces cotidianas, como as belezas dos sons ambientes. Podemos ver a verdadeira identidade cultural de um continente que até então se misturava com a identidade da cultura do mundo. E digo a vocês que a África do Sul é mais linda quando tira sua roupa de Copa do Mundo. Mas como qualquer corpo nu, a África começa a revelar imperfeições que são impossíveis de ignorar, entre elas a xenofobia. A cidade de Joanesburgo, por exemplo. Apesar de a mineração não viver mais seus tempos de glória, o nome Cidade do Ouro permanece por conta das oportunidades de vida encontradas na capital da economia sul-africana. Além dela, lugares como Cidade do Cabo e Pretória atraem milhares de africanos de outros países mais pobres.
Se estão certos ou errados, não podemos afirmar, afinal quem viveu a história e vive o dia a dia são eles, nos cabe analisar somente os fatos, como o surto de xenofobia que assolou o país há dois anos. Por outro lado, empregadores sul-africanos afirmam que quando é dada uma oportunidades aos negros estrangeiros, eles a agarram com unhas e dentes, prestando serviços de extrema qualidade. É exatamente neste aspecto que o cidadão negro sul-africano sente o calo apertar. Alguns chegam a pedir leis mais rígidas de acesso ao país, para que as oportunidades sejam centralizadas em quem lutou para conquistá-las. Conversando com esses "visitantes" nas ruas, ouvi relatos impressionantes. A maioria diz desejar que a Copa durasse mais, e esse desejo nada tem a ver com futebol, mas porque existe uma forte possibilidade de uma grande onda de hostilidade tomar conta do país depois que as lentes do mundo não estiverem mais aqui. Conhecer a história da África é maravilhoso, mas vivê-la é complexo.



