Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "crack"

A real do pedreiro

15 de julho de 2011 0

Esta semana, inventei de fazer uma reportagem onde um usuário de crack seria nosso repórter por um dia no Jornal do Almoço. Para que a história desse certo, precisaria encontrar alguém que estivesse disposto a se mostrar como usuário na televisão. Pode parecer viagem minha, mas a intenção era fazer o cara mostrar o rosto e se assumir. Assim, as pessoas entenderiam que o usuário de crack não é necessariamente um bandido, ainda que tenha atitudes de bandido às vezes.

Muitos manos e minas que eram responsa se perderam. E precisam se achar. Cada vez que escondemos o rosto de um usuário, para protegê-lo, estamos dando a ele o anonimato de pessoas em situação de delito. Mas usuários de drogas são doentes que precisam de ajuda como qualquer outro. Esse equívoco faz com que o problema seja passado para a polícia ao invés de médicos.

Na minha busca, constatei que poucos usuários querem se livrar do vício. A maioria não têm condições de tomar essa decisão. As nossas leis não permitem que uma pessoa seja internada contra sua vontade por um longo tempo. Isto porque, há algumas décadas, muitos absurdos aconteceram por conta de internações compulsórias indevidas. Hoje, a lei precisa mudar, ou vai morrer muita gente. O crack retira por completo a capacidade de um ser decidir sobre si. Se os médicos, juristas e políticos não entenderem isso, mais famílias serão estraçalhadas pela pedra.

Sobre nosso repórter, depois de muita luta encontrei um usuários disposto e com coragem de dar o papo reto. Ele mostrou o vício pelo lado de dentro. Semana que vem, poderemos conferir esta história no Jornal do Almoço. Espero que assistam.

Barriga inspiradora

15 de outubro de 2010 0

Eu lembro que, há cinco anos, estava andando de bicicleta no Centro de Porto Alegre, fotografando a noite da cidade, e, de repente, deparei com uma menina grávida pedindo dinheiro para fumar crack, na Elevada Imperatriz Leopoldina, perto da Ufrgs.

Mesmo tendo visto o terror do crack nas quebradas, aquela cena lamentável me abalou, pois a menina não só destruía sua vida, mas também a que estava gerando. Voltei para casa com a foto, que, com outras, resultaram na mostra fotográfica Bak, que ainda percorre o Estado.

A cena me atormentava tanto que, em 2008, quando, por meio da Cufa, fizemos o Campeonato de Basquete de Rua, a competição ocorreu no mesmo local. O objetivo era mostrar que, no lugar em que as pessoas se matavam no cachimbo, podia haver vida. O evento foi um sucesso.

Porém, toda vez que olhava a foto da menina grávida com o cachimbo na mão, meu coração apertava. A galera da Cufa e o amigo Beto Albuquerque entraram em contato com a prefeitura da Capital, pedindo o local para projetos sociais. Prontamente, o prefeito José Fortunati atendeu e disse que é parceiro.

Ontem, nossa felicidade foi selada. O presidente do Internacional, Vitorio Piffero, informou que a implementação será custeada pelo clube. No espaço, a Cufa e o Inter desenvolverão ações que promovam cidadania por meio do esporte e da cultura. Eu, em nome da Cufa e dos favelados que sonham ver suas famílias livre do crack, sou grato a todos os parceiros que alimentam o projeto.

Se cada espaço dominado pelo tráfico e pelo consumo de drogas fosse ocupado com ações positivas, o número de mortes seria menor, mas, para isto, deve haver iniciativa e boa vontade. Nunca mais vi a menina que me inspirou a mudar a aura daquele espaço, por me dar um choque de realidade e me  colocar para fazer a diferença. Mesmo que jamais volte a vê-la, depois que nossas ações estiverem ocorrendo, atenderemos cada
jovem como se fosse a criança que estava na barriga dela.

Aos amigos que vão entrar nesta, meu eterno  carinho.