Então hoje é dia de lavar roupa e colocar o estendedor no meio do studio, e sentir por dois ou três dias (as coisas demoram a secar) que o apartamento fica ainda menor e quase intransitável. Mas agora abriu um bonito de um sol, e não seria exagero dizer que o tempo não estava assim desde aquelas fotos outonais que postei. Ok, salvo umas duas horinhas de sol no sábado. Esse bonito sol então me obrigou a tirar o estendedor de roupas da posição recomendada (que demorem mais a secar!) para que se abrisse um espaço para mim. Aham. Cara no sol, computador no colo, os raios desprendendo as substância necessárias para minha rápida alegria (uma nuvem será o fim de tudo, e ela não demora).
E o assunto de hoje é beaujolais nouveau (o novo beaujolais). Você já ouviu falar disso? Beaujolais é um vinho francês, produzido ao norte de Lyon, e massivamente exportado para o mundo inteiro. Pelo menos até aí iam os meus parcos conhecimentos de enologia, já que não bebo e que sempre me parece por demais engraçado quando pessoas falam em leves gostos amadeirados, sabor aveludado, aromas de framboesa e etc (embora eu seja afetada assim quando se trata de marcas de erva-mate). Enfim. Quinta-feira, no entanto, fiquei sabendo mais, e sem querer, sobre o beaujolais. No caso, o beaujolais nouveau. Era impossível ignorar: restaurantes, bares, todos avisavam que o novo beaujolais havia chegado, com letras coloridas que lembravam cartazes do McDonald`s ou da Coca-Cola. Mas por que diabos esse vinho está em todo o lugar?, eu me perguntava. A resposta veio de um amigo francês, no sábado. Mal sentou na nossa poltrona, colocou uma sacola de CDs recém-comprados no chão (música francesa) e perguntou: tem algum Monoprix aqui perto? [Monoprix é um supermercado]. Dissemos que era meio longe e coisa e tal. E ele: preciso provar o novo beaujolais.
E daí perguntamos a razão de tanto estardalhaço. Basicamente, a coisa toda tem um ritual muito elaborado: na terceira quinta-feira do mês de novembro, a partir da meia-noite (de quarta, portanto), a comercialização do beaujolais nouveau pode começar, e então todos os franceses saem enlouquecidos pelas ruas, pelos supermercados, pelos restaurantes, para provar o vinho recém-chegado.
Mas ele é bom?, perguntei ao amigo francês. Não, ele respondeu. E completou: é só uma razão para fazer festa. E, de ano em ano, a gente já esqueceu do sabor.
Pareceu-me um grande, e simpático, golpe de marketing.

Vinho, chapéus de palha e colar de havaiana no interior da França.
Postado por Carol Bensimon


24 de novembro de 2008 às 3:11 pm
É... por cá também se tem os tais dos carnavais. Um gosto esperado e provado de ano em ano. O tal Marketing!
Abraços
24 de novembro de 2008 às 6:44 pm
Diz aí o preço de um beaujolais nouveau, pra gente morrer de inveja.
O Diego comprou um hoje no supermercado por 2,14. Comprando 3, cada um saía por 1,99.
Por quanto se consegue um aí?