É claro que eu tenho saudades do Zaffari, ora. E se tem coisa que posso falar com propriedade é dos supermercados daqui. Vou diariamente. Bem, antes de mais nada, é preciso dizer que o conceito de hipermercado só existe pra fora da cidade, por razões de falta de espaço. Então os mais próximos são pequenos e, por conseqüência, com pouca variedade. Costumo dizer que o melhorzinho deles é equivalente a meio Zaffari Bordini (não escondo meu bairrismo. Todo mundo sabe que a sina do portoalegrense é encaixar Porto Alegre em tudo, e assim vão se criando coisas lendárias, como um boteco de Parati que, durante sei lá qual FLIP [Festa Literária Internacional de Parati] foi batizado pelos gaúchos de Bambus de Parati, nome que cariocas, paulistas, baianos, repetiam, sem saber por quê).
A primeira coisa que se nota, que é extremamente francesa, eu diria, é certa sujeira, ou melhor, certa falta de pudor higiênico... como dizer? Os franceses não sentem a menor necessidade de esconder as imperfeições dos ambientes, mesmo quando se tratam de ambientes comerciais. Exemplifico: tudo é lindo e caro quando você entra nas Galeries Lafayette, mas, num passeio mais demorado, você vai encontrar certamente algum canto meio mofado, ou um balde jogado de qualquer jeito, ou uma parede mal pintada. Enfim.
Basta dizer que aqui no meu apartamento há uma antiga caixa de luz que continua na parede, simplesmente porque ninguém deve ter cogitado removê-la de lá. E qual não é minha surpresa quando descubro que há uma caixa de luz centenária e inútil no apartamento de um amigo também!
Mas voltemos aos supermercados. Nos supermercados, o princípio de não esconder o lado negro (por isso às vezes brinco que o capitalismo não chegou ainda aqui) impera. Desde um elevador de serviço exposto, e portanto não dos mais limpos, perto dos caixas, até as prateleiras com buracos de falta de reposição e o chão marcado de sujeira. Sem contar que, pela já citada falta de espaço, há em geral dois ou três caixas, e as filas, não tendo muito pra onde ir, se acumulam entre as prateleiras, o que quer dizer que é preciso fazer toda a volta de uma seção à outra pra entrar na fila. Carne? Se você chegar um pouco depois da hora do almoço ou da janta, corre o risco de não encontrar mais do que uma dúzia de bandejinhas mais do que manuseadas. Não preciso nem dizer que o conceito de açougue integrado ao supermercado não existe.
Esses supermercados, na verdade, se assemelham mais a mercadinhos da esquina. No entanto, são grandes redes com propaganda na televisão e tudo o mais. Elas se chamam Franprix e Ed. Há o G20 também, o já citado meio Zaffari Bordini, que é um pouco melhor. Mas o crème de la crème é o Monoprix. Esse é quase um Zaffari. Infelizmente, não dá pra ir a pé.
(Para não terminar tão negativa, cito um pequeno detalhe que muito me agrada: nas etiquetas com o nome e preço dos produtos, há sempre, além desses dados, o preço do quilo daquele produto. Isso quer dizer que não é preciso fazer cálculos mirabolantes de preços e tamanhos de embalagem para decidir-se pelo mais em conta.)
Postado por Carol Bensimon
















