Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de dezembro 2008

Thomas Dutronc

31 de dezembro de 2008 2

Enquanto o clima festivo me impede de voltar à programação normal, fiquem com um clipe do Thomas Dutronc. Thomas é filho da Françoise Hardy e do Jacques Dutronc, e acaba de lançar o seu primeiro álbum, com influências de canção francesa e do jazz manouche (o jazz cigano cujo maior expoente é o mestre Django Reinhardt). Um bom álbum para receber amigos com um vinho. A música abaixo se chama J`aime plus Paris (Eu não gosto mais de Paris).
Aos leitores espalhados um pouco por todo o mundo, um bom Ano Novo!

Postado por Carol Bensimon

Quarto mito: come-se muito bem na França?

27 de dezembro de 2008 18


Um dos muitos simpáticos restaurantes de Montmartre.

Quando vi, durante uma caminhada qualquer, uma menina num restaurante (mesa na rua) prestes a abocanhar seu nada apetitoso crepe recheado com uma nada apetitosa fatia de presunto, pensei: está na hora de uns breves comentários sobre a culinária deste país.
No imaginário internacional, ela é brilhante, bonita, apetitosa, sempre acompanhada do vinho perfeito, das guarnições lindamente organizadas no prato, do pão crocante, dos doces de-comer-com-os-olhos. Quando abre um restaurante no Brasil se pretendendo francês, nem que o francesismo fique só no nome (“Chez” alguma coisa é sempre um prato cheio, com o perdão do trocadilho), é certo que fará sucesso – e cobrará caro por isso.
Mas mesmo curtas estadias em território francês são suficientes para que se coloque em dúvida a tal da supremacia gastronômica. O que nos leva ao mito de número 4:

Come-se muito bem na França?

Pois numa breve defesa do SIM, digo o seguinte: o pão e os doces, tanto quanto o cigarro, são uma entidade no país. Croissant, sinceramente, nunca comi um com o mínimo de decência no Brasil (sei que me dirão “ah, as padarias de São Paulo!”, mas até me seduzirem com um, continuo irredutível). E minha definição é categórica, e em única frase: o verdadeiro croissant, ao ser partido, tem que esfarelar no prato. Quanto à baguette, inicialmente, é preciso algumas semanas para que o maxilar se adapte à nova consistência de pão que lhe é apresentado. Depois, não se quer outra coisa. É claro que há baguettes e baguettes. De qualquer forma, a “verdadeira” responde inclusive a imposições governamentais. Não, eu não estou brincando. Aqui vai um trecho do decreto (o todo pode ser conferido aqui):

“ART. 2 – Só podem ser postos a venda ou vendidos sob a denominação de “pão de tradição francesa”, “pão tradicional francês”, “pão tradicional da França” ou sob denominação que combine esses termos, os pães que, independente de sua forma, não tenham sofrido nenhum tratamento de congelamento no decorrer de sua elaboração, não contenham nenhum aditivo e resultem do cozimento de uma massa que apresenta as seguintes características(…)”.

Ok, agora chegamos na parte que digo que a culinária francesa é completamente superestimada. Faço isso, é claro, na posição de alguém que ainda pensa – e ganha – em reais, e que portanto não pode freqüentar muitos restaurantes, e que dirá os mais caros deles (provavelmente os melhores). E também na posição de alguém que não recebe muitas indicações confiáveis, nem de amigos daqui (quais?), nem de guias especializados (Veja Paris?).
Bem, os restaurantes que fui – ou os que observo – são uma completa decepção. Em primeiro lugar, a maioria deles tem um cardápio pobríssimo e sempre igual, que já decorei só de observar mesas na rua. Passar por eles, aliás, é inevitavelmente pensar: ok, mais um turista sendo enganado. Porque, convenhamos, é muito fácil fazer dinheiro com um restaurante meia-boca numa zona turística de uma cidade altamente turística. O público não podia ser melhor, alguém que não é preciso fidelizar, que só estava ali de passagem e que, entre um monumento e outro, precisou parar para o almoço.
Coisa irritante número 2: por que tanto nome de carne? Por que comer coelho, veado, e outras bichos fofos que eu não estou acostumada a matar? Não, obrigado. Coisa irritante número 3: impossível descobrir quais são as guarnições que virão com o seu prato. Você tem o nome da carne e é tudo. Surpresa total (não podia estar entre parênteses no cardápio?).
O que não dá pra negar, no entanto, é que os caras sabem como organizar e enfeitar um prato. Só que às vezes isso acaba tendo um efeito nefasto. Estimulado pelo visual, você imagina que a comida é altamente saborosa e, no fim, ela deixa muito a desejar. Além do que, como disse um amigo ontem à noite, pratos arrumadinhos significam muitas mãos inevitavelmente mexendo na sua comida.
Por isso é que, até agora, os tailandeses e os libaneses acabam sendo a solução.

Postado por Carol Bensimon

Nas ruas

24 de dezembro de 2008 8

Versão concreta e complementar do despretensioso post sobre moda: finalmente encontrei o que queria, que era poder mostrar um pouco da moda nas ruas parisienses. Havia cogitado fotografar vitrines, mas bem sabemos que vitrines, tais como catálogos de lojas ou o diabo a quatro, já trazem uma certa distorção do que as pessoas estão mesmo usando com o quê. Depois pensei também em fotografar pessoas nas ruas, mas, se eu fosse discreta na minha intenção, creio que as pessoas ficariam pequeninhas demais, de costas, fazendo careta, enfim. Se fosse clara na minha intenção, abordando a pessoa e coisa e tal… hm, não teria coragem de fazer (sou só uma escritora tímida e pouca à vontade em interações sociais desse calibre). Eis então que encontrei quem já houvesse feito a tarefa por mim: Street Style & Mode de la rue à Paris et en France, onde a idéia é justamente essa, fotografar gente, quer dizer, exclusivamente mulheres, na rua (e ainda por cima dizer onde a garota comprou cada peça de roupa). Dá pra ir navegando mês a mês ou por palavra chave (vintage, rock, glamour, chapeau, zara, jeans e etc).
Ainda que muitas das meninas ali (que, aliás, sempre parecem mais velhas do que realmente são, vocês não acham?) sejam estudantes de moda, ou seja, elas provavelmente estão mais bem-vestidas que as comuns mortais, acho que o site faz um retrato bastante fiel do que está rolando por aqui.
De todo o modo, se casacões e mantas não interessam em nada quem está em pleno verão brasileiro, sugiro uma olhada nos arquivos de junho, julho e agosto, onde é imprescindível a pouca roupa. Aliás, isso talvez venha a provar o que um leitor de Mônaco já havia comentado por aqui: que o francês sabe ser muito mais elegante no inverno.
Mas o inverno, não é ele, por si só, mais elegante? Confesso que ainda não cheguei a uma conclusão.

Algumas imagens do site (muito massa o casaco da última):

Postado por Carol Bensimon

Fim de ano tropical para Sarkozy e Carla Bruni

22 de dezembro de 2008 5

Então Sarkozy e Carla Bruni vão passar as festas no Brasil.
Todo aquele tom oficial, aqueles cumprimentos, aqueles sorrisos, aquelas visitas a favelas, a ONGs, a desfile de moda de roupa feita com garrafa PET (ok, isso é só uma suposição-piada). O que sabe-se por aqui é que Carla Bruni deve passar o Natal em São Paulo com seu pai biológico, Maurizio Remmert, um executivo italiano que, aliás, ela só veio a conhecer em 1996.
Quanto à virada do ano, bem, daí começam as suposições. Aqui na França, a imprensa diz que o lugar é um segredo bem guardado, mas já especulou: Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Itaipava. Enquanto isso, no Brasil, a Carta Capital falou em Fernando de Noronha.
Independente do lugar, a expectativa francófona é que Carla Bruni receba todos os holofotes (aliás, como é habitual). Uma matéria do jornal suíço Le Matin começa assim, com o estereótipo/a verdade brasileira a todo vapor: “No Brasil, onde as novelas são acompanhadas com paixão, Carla Bruni, ex-manequim vedete, cantora de sucesso e esposa do presidente francês, tem tudo para seduzir: a beleza, o talento e o poder”.

E, já que falamos nela: ainda ontem eu estava assistindo a um vídeo da Carla Bruni num programa televisivo de variedades, e o assunto era a marionete que representa Carla Bruni no programa Guignols de l`Info (um tipo de programa-sátira com marionetes que não poupa ninguém. Guignols de l`Info está para a França como o Casseta & Planeta está para o Brasil). Aí já começam a pulsar as diferenças culturais. Ou alguém acha que veria, no Brasil, a primeira-dama, ou qualquer figura pública desse calibre, debatendo com um bando de jornalistas engraçadinhos sobre a sua própria imitação televisiva? Confesso que isso ainda me causa estranheza. E não estou julgando se é melhor ou pior, apenas dizendo que ainda me causa estranheza. Bem, de qualquer modo, o melhor ainda estava para vir, e foi quando Carla Bruni disse que ela achava que a sua marionete era, na verdade, a marionete de Ségolène Royal reciclada. E não só a ex-adversária presidencial do seu marido é evocada, como também Cécilia, a ex-mulher de Sarkozy, como uma naturalidade que sempre me deixa boquiaberta.
Transcrevi um pedaço do diálogo (para quem dominar o francês, o vídeo pode ser visto aqui):

Carla Bruni: E a marionete, eu acho que é a Ségolène… é, eles não fizeram uma marionete para mim. Acho que é a Ségolène reciclada. Eles pegaram a Ségolène e mudaram o cabelo. (risadas gerais).
Carla: Sim! Eles pegaram a marionete da Ségolène.
Jornalista: Eu acho que é a Cécilia reciclada.
Carla Bruni: Não é a Cécilia, porque ela não tem essa cara pontuda de jeito nenhum.
(…)
Carla Bruni: mas a marionete, ela lembra muito a da Ségolène Royal. Eu não tenho nada contra, eu acho a Ségolène Royal muito bonita. Mas eles podiam ter feito uma marionete para mim!

                    Carla Bruni discute, sexta à noite no canal M6, sobre marionete que tira sarro dela.

Postado por Carol Bensimon

Mini Cooper

21 de dezembro de 2008 23

No Brasil, eu nunca vi esse carro, mas certamente seria a escolha dos publicitários, cineastas, escritores, designer e descolês em geral. De clara tendência retrô, o Mini Cooper é produzido, desde 2001, pela MINI, do grupo BMW. É uma espécie de releitura do Mini original, de 1959, da British Motor Corporation (BMC).
Acho uma graça.
Curiosamente, o motor hoje é feito no Brasil.
Há uma série de variantes, incluindo o charmosérrimo conversível. Os valores começam pelos 16.000 (equivalente a R$ 51.000). Só a título de comparação: um Peugeot 206 zero quilômetros, básico, está custando aqui na França 12.000 (algo como R$ 38.000).
É. Não há Mini Cooper no Brasil. Só na Argentina, no Chile, na Colômbia… no Uruguai. A lógica? Certamente tem relação com a tendência obsessiva da classe média brasileira em comprar carros enormes.

(o site internacional aqui)

Postado por Carol Bensimon

Pequenas observações sobre moda

18 de dezembro de 2008 6

Penso sobre a moda mais do que sigo a moda. Algumas questões para mim são incompreensíveis e envolventes, e talvez a maior delas seja o processo de transformar algo ridículo ontem em algo desejado hoje. Entendo que as coisas comecem nas celebridades, nos desfiles etc etc, e que corre um tempo até que essas tendências, ou adaptações dessas tendências, atinjam os comuns mortais. Mesmo assim, por não acompanharmos esse processo de muitas etapas, às vezes parece que alguém simplesmente aperta um botão e que, a partir disso, a opinião de todos sobre determinada peça de roupa ou corte muda do não para o sim. Do horrível para o lindo. Do preciso-me-desfazer ao quero-um-agora. 
O curioso, e talvez o mais cruel, de tudo isso é que aqueles que acham os mecanismos da moda ridículos não podem escapar deles. Me explico: se alguém quer marcar no seu visual traços de rebeldia, de contestação, como fazer isso, se não usando roupas ou acessórios que passam essa idéia? Mas, se há roupas e acessórios que passam essa idéia, é porque eles já foram incorporados ao grande sistema da moda. Não adianta eu usar uma pulseira, sei lá, feita de casca de melancia, e achar que isso me faz parecer rebelde. Alguém antes precisa aceitar esse tipo de pulseira como uma marca de rebeldia.
(avisando algum leitor mais ingênuo que isso é um exemplo abstrato, ok? Eu não uso pulseiras de cascas de melancia. Aliás, duvido que elas existam)
Paris é, todo mundo sabe, muito marcada pela moda. E chegar aqui é viver, nos primeiros meses, uma espécie de curto-circuito estético. É claro que é mais fácil ser cool em Porto Alegre. E leva algum tempo para se entender como as coisas funcionam (eu juro que ainda não entendi muito bem), e em que lugar você quer se colocar no novo esquema. Mas o que não deixa dúvidas é que as pessoas sabem se vestir. A moda faz parte deles como o queijo e o cigarro. É um troço ancestral. O mais interessante, contudo, é que essa elegância deles é atingida de um modo muito natural. É difícil explicar, mas… há poucas peruas aqui, muito pouca afetação. Não há uma ânsia, como a da elite brasileira, em mostrar através da roupa e da estética de um modo geral, a classe social a qual pertencem.  
Ou pode ser que seja ingenuidade minha, no sentido de ainda não conseguir ainda decifrar os códigos, de não perceber as marcas sociais que as roupas carregam. A não ser a estética dos negros da periferia, importada dos Estados Unidos. Isso é algo bem marcado. Aliás, são quase os únicos a usarem cores, e eu os aplaudo por isso. Sabe, aqui cansa um pouco ver aquela multidão de preto ou tons de marrom. Entendo que o inverno defina isso de certa maneira, afinal, é mais prático e funcional ter um casaco preto do que um, sei lá, verde bandeira. Ainda assim, antes de esfriar tanto, já dava para perceber a sobriedade geral das roupas. É algo que me incomoda (já me incomodou mais, é verdade). Me dá a sensação de que falta um pouco de rock, um pouco de adolescência, de rebeldia mesmo (para fazer um link com o que eu havia dito ali no segundo parágrafo). Paris, definitivamente, não é uma cidade com esses componentes, tal como Londres e Berlim.

(ah, aqueles que moram em outras cidades européias e que gostariam de comentar sobre a moda nessas cidades, por favor, sou bem curiosa, postem nos comentários)

Postado por Carol Bensimon

Terceiro mito: francês fuma pra caramba?

16 de dezembro de 2008 14

Um dia cinza padrão, um resto de gripe, uma decepção açoriana, e lá venho eu com o terceiro mito envolvendo franceses, o relativo ao cigarro.

Afinal, o francês fuma muito, tanto quanto aparece fumando no cinema e no nosso imaginário? Sabe, Camus fumando, Sartre fumando, ou tipos anônimos em cafés anotando coisas (nunca sabemos o que são, o que fazem, o que escrevem) nas mesas dos cafés por horas a fio (no Brasil, já teriam sido expulsos por ocuparem lugar por tanto tempo tendo só consumido um mísero café). Sim, tudo verdade. O tempo passa, a ciência evolui, o cigarro vira vilão, e o francês continua fumando assustadoramente muito. E mais tempo passa, e mais a ciência evolui, e mais o francês fala de transgênico, de reciclagem, do anti-ecológico de usar sacolas plásticas, do mal que faz o aspartame, e o francês segue fumando. E proíbem de fumar em alguns locais fechados, depois proíbem em todo e qualquer restaurante, todo e qualquer bar, toda e qualquer casa noturna, o preço do cigarro aumenta (uma carteira custa em média 5 euros), e lá segue o francês com o seu cigarro.
Está tão colado na identidade francesa, que não sei se existirá alguma medida eficaz para combater o tabagismo aqui.
Os números são bem assustadores: 40% da população masculina adulta fuma, e 30% das mulheres. Ande 200 metros em Paris e você verá esses números em ação.
Para não ficar tão abstrato, comparo aqui com a estatística brasileira, de 2007, em levantamento realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca): 18,8% da população brasileira com mais de 15 anos é fumante. É um número que vem caindo desde o fim da década de oitenta.
Enquanto isso, na França: não faz muito que começou a ser posta em prática a tal da medida de não se fumar mais em espaços fechados, sem nenhuma exceção. Mas, segundo li, isso não fez nem cosquinha no consumo de cigarros. Ainda assim, é uma coisa e tanto para os fumantes passivos. Vocês devem imaginar que ótima é a sensação de ir numa festa e não voltar defumada.
Por conta da tal medida, e para não perderem clientela, os cafés e bares estão investindo pesado naqueles aquecedores externos. Mas parece que o troço não é lá muito ecológico. Eu sei, ecologia é coisa de quem não tem problemas mais palpáveis. Tipo fazer análise. Não é pra nós, brasileiros, a ecologia. De qualquer maneira, acho pra lá de estranha a idéia de fumar perto de um botijão de gás.
A minha explicação é que essa gente fuma é de tristeza. Fuma é de ser tão blasé. Na beira do Mediterrâneo, aposto que se fuma menos (hein, Antônio?). Mas esse ar, essas janelas… que dá uma vontade de fumar, dá. Por isso que a gente não comprou incenso ainda (serviria para combater o cheiro de comida do studio). Comprar incenso significa ter que comprar isqueiro. E comprar isqueiro significa o primeiro passo para virar uma emulação de francês posudo. Não, não, brigada. A duras penas, venho mantendo o meu tropicalismo.

Postado por Carol Bensimon

Melhor história etimológica

15 de dezembro de 2008 2

Vasistas quer dizer “janela basculante” em francês. Ok, até aí, nenhuma grande emoção, embora, se você dizer a palavra em voz alta, ela soe levemente não-francesa.
Pois a história por trás dela é de chorar de rir.
Acredita-se que a sua origem esteja relacionada às campanhas napoleônicas na Prússia. Os habitantes da região olhavam assustados, das suas pequenas basculantes, os soldados franceses passarem. E daí exclamavam:

Was ist das?

(was ist das quer dizer “o que é isso” em alemão. Ok, você sabe inglês e já tinha percebido…)
Esse tipo de janela ainda não existia na França.
Então foi adotado. E batizaram-na, por ingenuidade ou grandessíssima piada, vasistas.

Postado por Carol Bensimon

Florent Marchet

14 de dezembro de 2008 7

Enquanto me recupero de uma gripe e junto forças mentais para o terceiro mito francês (que deve ser sobre o cigarro), fiquem com mais uma dica musical.

Florent Marchet certamente é meu artista francês número 1. E foi um pequeno acaso, ou um pequeno esforço, que fez com que eu o escutasse (ele, que, mesmo entre os franceses, é bem pouco conhecido): armada de boa vontade em desbravar a música francesa, num fevereiro fervente de Porto Alegre, eu ouvia um podcast importado de uma rádio universitária. E, no episódio em questão, Florent Marchet divulgava o seu recém-lançado álbum, Rio Baril. Foi deslumbramento instantâneo, daqueles que acontecem poucas vezes na vida (em geral, são necessárias várias audições de um álbum pra gente poder dizer se gosta ou não, ou pelo menos assim se passa comigo). 
O álbum é bem conceitual, ou, como o próprio Florent Marchet prefere dizer, é um álbum-romance. Centrada na cidade fictícia de Rio Baril (uma pequena cidade francesa padrão), as faixas vão contando uma história pra lá de misteriosa que aos poucos vai fazendo sentido. As letras são excelentes, poesia madura, sarcasmo na medida, vida contemporânea e blá blá blá. Os arranjos são preciosos. Recomendo fortemente a audição, e de cabo a rabo. Quem fala francês então tem o dever de ficar atento nas letras, ou procurá-las no site do moço.
Rio Baril é o segundo álbum do Florent Marchet. Quando estive aqui ano passado, comprei o primeiro, o também excelente (porém mais irregular) Gargilesse. Destaque para Le Terrain de Sport que, se eu me armar de paciência, prometo colocar aqui traduzido e tudo o mais (Mes Nouveaux Amis também já levantou elogios em trinta segundos num piquenique de aniversário).
O problema do Florent Marchet, como eu discutia aqui com o namorado, também fã, é que o garoto parece não ter muita consciência sobre sua própria criação. No palco (vimos na semana passada), tanto quanto no clip que você poderá ver aí embaixo, ele se enche de um humor que nada tem a ver com seus versos melancólicos e a trama com ares de tragédia.

Tá, mas é massa.

Postado por Carol Bensimon

O milagre do bonequinho amarelo

12 de dezembro de 2008 9


Durante o ano, os parisienses viram um misterioso New Beetle circulando pelas ruas, todas as ruas, munido de uma estranha câmera no teto. Pois, descobriu-se mais tarde, o tal do New Beetle era do Google e a câmera, uma com tecnologia capaz de captar imagens 360o, e que custa alguns milhões de dólares.
O objetivo de tudo isso? Disponibilizar o recurso Street View do Google Maps, já ativo em várias cidades dos Estados Unidos, também em Paris. O uso é simples: você digita um endereço e, depois, caso o bonequinho amarelo apareça na tela, você clica nele e simplesmente está no meio da rua em questão, podendo olhar para os lados, para cima, para baixo, e se movimentar em todas as direções que o trânsito permite (ou melhor, em mais direções do que o trânsito permite, já que você pode também andar na contramão).
O recurso é, realmente, embasbacante. Ver como as coisas se parecem antes de ir até elas, ou ir parar nos confins dos Estados Unidos que, sim, são idênticos aos meus road movies favoritos, é incrível demais.
Além de Paris, há outras cidades francesas já contempladas: Lyon, Marseille, Toulouse, Lille e Nice. Na Europa, também o recurso já está disponível em Barcelona e Madri (Londres, Amsterdã e outras cidades importantes devem aparecer logo).
Abaixo, algumas imagens para dar uma idéia. Mas a noção real mesmo, só entrando no Google Maps e vendo o Street View em ação.
Quer dizer então que imagens de satélite já se tornaram coisa do passado…

Postado por Carol Bensimon