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Posts de janeiro 2009

Ano Novo chinês na janela

31 de janeiro de 2009 2

Hoje o 22m2 deu presentão: além de um sol quase tropical (não fosse o 1o lá de fora), entrando gostoso pelas duas janelas que fazem um ângulo de 90o, um desfile de Ano Novo chinês resolveu passar pela rua. A descoberta foi, assim, nada sutil. Ao sair para o supermercado, me deparo com chineses maquiados e vestidos de dourado, bordados, e com chapéus pra lá de estranhos. O tempo de voltar do supermercado e encaminhar as coisas no fogão, o desfile começou.
Não bastassem as brigas de trânsito, o bar gay da frente com confusões cotidianas, e a mulher com touca do reggae que ajuda as crianças a atravessarem a rua algumas vezes por semana, agora isso. Eu disse que essas janelas aqui são melhores que televisão.

Postado por Carol Bensimon

Morar em 22m² - Parte 1

29 de janeiro de 2009 15

Desde que escrevi o primeiro post deste blog, em novembro, me apresentando e apresentando sobretudo o lugar onde eu moro (retenha a informação mais relevante: studio de 22m2), nunca mais falei sobre nuestro simpático apartamento cravado no centro de Paris. Parece injusto, levando em conta que é onde eu passo a maior parte do tempo. E parece injusto também pelo fato de ele ser, o meu studio, uma fonte inesgotável de historietas engraçadas e choques culturais de intensidades que beiram o fatal.
Então hoje começo uma série, em tópicos, da enriquecedora experiência de ter a cozinha dentro do quarto, de hesitar em comprar um balde porque não haverá lugar para ele, e de tudo que se aprende sobre cultura francesa só de ficar olhando pela janela.
Comecemos. Mas antes de entrarmos no amplo apartamento de, hm, uma peça, admiremos a organização do prédio, que representa, aliás, a maioria dos pequenos prédios parisienses.

A área comum

Elevador? Não entro num desde que saí do Brasil. Mentira. Devo ter usado o das Galeries Lafayette dois meses atrás, só de saudade. Porteiro? Não me faça rir. Síndico? Não não, o prédio se auto-gerencia – daí porque as propagandas de limpadores de chaminé no chão, próximos à porta de entrada, os rolos de pó nas escadas, e a cada dia mais difícil porta de entrada, que sou obrigada a abrir com a bunda, e só na terceira tentativa.
Eventualmente, isso não posso negar, aparece um faxineiro. Quando ele vem? Quem o chama? Para mim, é um mistério. E é igualmente um mistério o fato de ele às vezes estar sozinho, e às vezes estar acompanhado de garotas que, como dizer?, parecem bonitas garotas patricinhas do leste europeu. E elas pegam no pesado também. Da última vez que as vi, esfregavam as paredes centenárias com clorofina.

Digicode

Nos prédios de apartamentos maiores e mais caros, há interfone: o painel, que fica na rua, ostenta dezenas de botões e, do lado de cada um deles, o nome da família que mora naquele apartamento (não preciso nem dizer que isso no Brasil seria um convite a todo o tipo de golpe, né?). Para todos os outros edifícios, existe outro sistema de entreda e saída: o digicode. O digicode tem números, de 0 a 9, e duas letras (A e B), de modo que cada prédio tem um código secreto de cinco dígitos (algo como B2253). Basta digitá-lo, e a porta abre. Não precisa chave nem nada parecido.
A coisa bizarra para nós, latino-americanos habituados à violência urbana e à má fé, é a seguinte: se um amigo vem lhe visitar, você dá o digicode para ele. Se você encomenda um livro pela Internet, você dá o digicode para os caras da Amazon. Se técnicos vem consertar o telefone, eles precisam do digicode para entrar no prédio. O carteiro tem o digicode. Até mesmo os lixeiros tem o digicode, para poderem esvaziar a lixeira do prédio toda manhã.
Conclusão: não me parece assim um graaaande segredo, parece?

Números de apartamentos e caixas de correio

Na maioria dos prédios franceses, não há número de apartamento. Não, você não leu errado, é isso mesmo. Por certo, mais uma herança medieval. Aos amigos que vem jantar, portanto – já munidos do digicode – como fazer com que eles batam na porta certa? Facinho. Você diz: terceiro andar, à direita. Se há mais do que esquerda e direita, não há problema: terceiro andar, primeira porta à direita, ou terceiro andar, a porta na frente da escada, e assim vai. Mas isso não é mero informalismo entre amigos não: no caso de você receber uma correspondência que não cabe na caixa de correio, ou que o carteiro precise da sua assinatura como confirmação, é bom que esteja escrito, no envelope, o seu apartamento. Ou melhor: é bom que esteja escrito terceiro andar à direita. De forma que meu endereço, nesses casos, não é simplesmente 25, rue du Temple. O endereço é 25, rue du Temple – 3e droite.
Se isso não estiver escrito no envelope, o carteiro gentilmente vai lhe deixar um aviso para você buscar a sua correspondência na agência dos correios. E vai marcar lá o x na opção que diz que ele não encontrou o seu apartamento.
Isso porque as caixas são marcadas só com o sobrenome da pessoa. O que, aliás, permite ao carteiro ser criativo muitas vezes, como quando meu namorado, Diego Grando, recebeu uma carta endereçada à Madame Legrand.

Cenas do próximo capítulo: a dura arte de cozinhar com duas bocas elétricas de fogão, o misterioso cheiro de cigarro em casa de não-fumantes, e os malabarismos necessários com o estendedor de roupas.

Postado por Carol Bensimon

Descansar o olho

27 de janeiro de 2009 8

Londres, porque não é um cubículo de 10×10, como essa cidade de onde falo, tem muito mais espaço aberto que Paris. Espaço aberto: preciso muito. Não é à toa que, em Porto Alegre, eu gostava imensamente da Zona Sul, mesmo morando bem longe de lá. De tempos em tempos, precisava olhar o Guaíba, mesmo que não seja, sabemos todos, a coisa mais linda e azul do mundo.
Em Londres, os prédios são bem mais baixos – sem contar que há as tais casas vitorianas, georgianas, e algum terceiro tipo que me escapa (missão da semana: aprender a diferenciá-las). Além disso, londrino adora uma praça, ou qualquer metro quadrado com graminha. De qualquer maneira, para os que, como eu, precisam um pouquinho de espaço aberto, recomendo, em Paris:

1) Olhar a cidade de cima. Sacre-Coeur é uma boa opção sem custo. Olhar a cidade de cima me traz uma paz imensa. Talvez porque dê uma sensação provisória de domínio sobre a cidade.

2) Porções de água também cumprem bem a função descansa-olho, e mesmo que o Sena pareça um córrego em alguns trechos, se comparado à fúria do Tâmisa (que, por sinal, é muito feio). Para mim, a visão mais sorria-você-está-em-Paris é na ponte em que se vê a ponta da Île Saint-Louis (a 600m da minha casa. Sim, eu tive sorte). Ponta essa, aliás, que é ótima para uma farofada. No verão, é claro. 

3) O parque Buttes-Chaumont, que segue a idéia inglesa de parque (não sou eu que estou dizendo), aquela um tanto mais, hm, selvagem, é um dos lugares mais legais da cidade, ou pelo menos antes de chegar o inverno, É um belo descansa-olho também pelo fato de ter um relevo diferente que o resto de Paris – que é essencialmente plana.

Postado por Carol Bensimon

Socorro, voltaram os oitenta

26 de janeiro de 2009 13


A amiga de Nova York alertou-me, e eu comecei a reparar: anos oitenta é a grande tendência do momento, tanto aqui em Paris quanto em Londres. O curioso é que quem aderiu a essa moda não viveu os anos oitenta. Mas o que parece contrasenso é, na verdade, a lógica da moda, não é mesmo? De vinte em vinte anos, ou um pouco mais, o ciclo se repete, e assim o que já acabou, e que depois virou brega, e que depois foi esquecido, volta às vitrines e passa por novidade.
Os tênis estão especialmente anos oitenta: a Reebok, além de ter relançado aquele seu clássico cano alto com tiras, que toda garota nascida em meados de 1980 calçou, está vendendo uma série de recriações psicodélicas desse mesmo modelo. A Nike também está pegando pesado nos canos altos. Ah, sim, Puma está com uns surreais na mesma linha (desculpa, eu ainda não me acostumei ao verniz e às cores fosforescentes, que tomaram conta também dos acessórios, sobretudo o verde, o rosa e o amarelo). Enfim, toda a marca tem a sua linha de tênis volta-aos-oitenta. Adidas tem. Le coq tem. Dolce e Gabbana tem.
Seguem fotos de algumas vitrines que eu cliquei (alguém pode me dizer se isso já está chegando no Brasil?).
Ah, sim: nos tênis com linguetões, a tendência é deixar a lingueta aparecer por cima da calça.

Postado por Carol Bensimon

Maconha que não é maconha?

23 de janeiro de 2009 4

Nas lojas de Camden Town, a zona coturno e cintos de tachinha de Londres, somam-se mais produtos ao sempre presente cantinho-do-maconheiro (esmurrugadores, sedas de todos tamanhos e cheiros, cachimbos de durepoxi): um tipo de maconha legalizada, e que portanto pode ser vendida livremente pela Europa, a exceção da Alemanha e da Áustria. Quer dizer, não é exatamente uma maconha. Os caras estão chamando de biosmoke, ou spice. O spice é basicamente uma mistura de ervas que trazem efeitos semelhantes aos da maconha quando inalada. Mas não vá achando que isso é papo de vendedor ou site fajuto: aqui pela França, a impressa tem mostrado estudos científicos que provam que a misturinha com cheiro de incenso tem sim propriedades estupefiantes.
Como não há ainda legislação que impeça a venda do spice, a situação segue essa: produto vendido em embalagens fosforescentes de preços e tipos variados, saquinhos transparentes mostrando a erva pra lá de abundante, e por aí vai. Ah, há também sites com venda online, que despacham o blend de ervas para todo o mundo.
Aliás, não há só a maconha que não é maconha, mas também os cogumelos que não são cogumelos e os ácidos que não são ácidos, todas as opções devidamente embaladas em sacos plásticos com logotipo da marca.
Mas está mais evidente que isso tudo não dura muito: com a biosmoke na boca da mídia, a proibição deve vir rapidinho.

Postado por Carol Bensimon

De volta

22 de janeiro de 2009 6

O que esperar de uma cidade que tem entre seus símbolos o ônibus, o táxi, um grande relógio e guardas? Resposta: ritmo alucinado de pessoas indo ao trabalho, voltando do trabalho, ou no meio do trabalho, e daí porque as mesas dos cafés dão a impressão de estarem sempre presenciando alguma grande transação financeira. Paris assemelha-se assim, por comparação, a uma província. Antes, dizíamos que Londres era São Paulo, e Paris era Porto Alegre. Agora, no auge de nosso gauchismo com boas doses de ironia e deboche, Londres virou Porto Alegre e, para manter as proporções, Paris é Caxias.
Brincadeiras à parte, o choque cultural continua sendo enorme. E quem disse que a Europa é toda igual (ao menos a ocidental), engana-se feio. Entre Londres e Paris, que é só uma Mancha pra cruzar, a diferença grita. O que primeiro chama a atenção, em Londres, são as grandes cadeias de fast food. Há, é claro, McDonald`s, Burger King, KFC em abundância, mas também as de comida oriental, e as  que se pretendem saudáveis. Nessa última linha, a com recorde de aparições na paisagem é a Pret à Manger que, apesar do nome, não é francesa. Mais conhecida simplesmente como PRET, a cadeia vende sanduíches, salada de fruta, bebidas fresquinhas, muffins, enfim, todo o tipo de comida que pode ser exposta em prateleiras refrigeradas do tipo “sirva-se você mesmo”, e devidamente embaladas em plástico. Sério. Tudo está dentro de saquinhos plásticos em Londres.
Starbucks, que não pega de jeito nenhum em Paris (só tem turista), é constante em Londres, assim como outros cafés nessa linha grande rede com decoração minimalista (um tal de Costa é um deles). Nada, absolutamente nada, a ver com um café, um tabac ou uma brasserie parisiense. O que me leva a crer, aliás, que a França e a Itália são a grande resistência européia ao lifestyle internacional contemporâneo que se impõe em todo o lugar. Em todo o lugar com dinheiro, diga-se de passagem.
Quando visitei Berlim no ano passado (odiei), também achei a cidade tomada de cadeias sem graça, e aquela modernidade minimalista retumbante (me cansa). Só que Berlim não tinha o charme londrino, que existe, apesar do capitalismo selvagem, e tampouco parecia ter pessoas. Ficou parecendo para mim, naqueles três dias, uma cidade fantasma. Londres tem pubs com carpete no chão e sinuca. Tem mercados de rua e casas vitorianas (às vezes meio creepy, às vezes cheias de charme. Mas não são elas que mudam, é a minha opinião que muda). E, se os parisienses sabem se vestir muito melhor que os londrinos, e inegável que há muito mais londrinos estilosos e irreverentes.
Por último, não custa confessar que sucumbi ao capitalismo desenfreado, aos preços baixos, às promoções de pague 1 e leve 2. Ainda mais com a quase paridade entre o euro e a libra. Também sucumbi à comida rápida, a coisas nada saudáveis com mil e uma forma e gostos e cheiros que pairam dentro dos ônibus porque as pessoas simplesmente não tem tempo, ou não acham tão importante assim, sentar decentemente para comer.
Minha primeira refeição parisiense será, portanto, uma deliciosa sopa de batatas, alho-poró e champignon gigante, com devido acréscimo de croutons e emmental ralado.
Fiquem ligados, estou cheia de reflexões e meias verdades para os próximos dias.

Postado por Carol Bensimon

Londres sábado

16 de janeiro de 2009 7

Estou indo para Londres amanhã (sábado), aproveitando uma promoção do eurostar para o mês de janeiro. Já conheço Londres, mas acho que nunca consegui sair do esquemão turístico (que tem, é claro, seu inegável valor). A última vez, em 2007, com uma amiga, fiquei no albergue mais pulguento que já vi na minha vida. E pulguento não é força de expressão: havia, sim, algum tipo de inseto no ambiente, e fotos de minhas pernas, que obviamente não publicarei, comprovam o fato com horror. Eu acho que eram percevejos. Além do que, espanhóis mal-educados, certa noite, resolveram jogar cartas aos gritos NO CORREDOR DO ALBERGUE. Aquilo lá era um troço de louco. Não tenho mais paciência para tanta juventude. Ah, sim, o nome do albergue é Picadilly Backpackers. Não tivemos dúvida na hora de optarmos por ele, já que tinha essa localização privilegiada (Picadilly Circus, coração de Londres, etc e tal). De toda a forma, sempre tive a impressão de que Londres tem gente demais. Creio que agora é a chance de me afastar do epicentro e mudar as ideias: ficarei na casa de uma amiga que já está lá há mais de ano, e que certamente me apresentará bares e lojinhas obscuras, além de bairros residenciais tranquilos.
Se alguém quiser deixar alguma dica londrina, aliás, é bem-vindo.

Postado por Carol Bensimon

Amizade itinerante

14 de janeiro de 2009 8

Há algumas semanas, uma brasileira esteve aqui. Chamarei-a de A. A. é falante, animada, mora em Londres. Não nos vemos muito em Porto Alegre, a não ser quando uma amiga em comum tinha, em Porto Alegre, algum motivo para reunir um bom número de pessoas. A. entrou em contato, dizendo que estava em Paris por uns dias, vamos sair e etc. Lá fomos, com mais duas brasileiras (que eu não conhecia), e um enfermeiro francês em final de noite. Foi uma bela noite, gelada, em que todos os franceses estavam simpáticos, talvez pelo ano que recém virava, e não se contentavam à relação padrão de quem presta um serviço, faziam piada, desejavam bonne année, e um puxou papo no metrô, queixando-se da baixa temperatura, e achando que Guadalajara era no Brasil. Foi boa, a noite. O frio, verdade, era muito, os pés, embaixo da dupla camada de meias, estavam congelados, mas aliviava-nos entrar nas sex shops de Pigalle, cair em ruas sem saída, ver, sobre nós, o Sacre-Coeur todo iluminado, e finalmente depois descobrirmos uma creperia fantástica, de decoração curiosa, de boa comida, e com um piano pra lá de minimalista tocando.
Creio que foi quando saímos de lá, com J., o francês (mostrou-nos alguns cantos escondidos de Montmartre, e também a casa de 1926 construída para Tristan Tzara), que me veio o insight sobre as amizades itinerantes. 
Morar aqui é estar sozinha a maior parte do tempo. Não porque os franceses são especialmente chatos e fechados, mas porque, bem, não foi o lugar que nasci, e portanto não é aqui que está a família, os amigos de infância, os da faculdade, enfim. Sim, morar aqui é bem solitário. Por outro lado, faz com que eu experimente um fenômeno curioso, e extremamente recompensador: as amizades itinerantes. Porque há sempre alguém vindo para Paris, amigos ou meros conhecidos, e eles entram em contato, combinamos de sair, e temos momentos bonitos, de uma troca curiosa: para eles, deve ser bom encontrar alguma ilha conhecida no meio de um território que, às vezes, dá um choque cultural bem forte, e também ver como essa pessoa – tão semelhante a eles – está se comportando e sobrevivendo no meio disso daqui, e o que ela tem pra mostrar. Para mim, é ótimo exercer um pouco de portoalegrismo, só pra variar. Mas, paradoxalmente, o efeito mais forte que me causam esses encontros é o de uma espécie de confirmação de que sim, estou morando aqui. São as horas em
que sinto que eu e Paris estamos mais próximas da comunhão.


O Sacre-Coeur à noite é muito mais impressionante.

Postado por Carol Bensimon

Qual é a música?

12 de janeiro de 2009 9

Uma amiga francesa mostrou-me o primeiro desses vídeos, e eu pensei, rindo e meio chocada: hm, temos essa música paga-vale também no Brasil. Supostamente, aqui na França, é possível de as pessoas cantarem isso em casamentos. Não quero nem pensar se fazem também a coreografia. De qualquer maneira, logo em seguida, pensei: isso dá post. Porque não é a primeira música que me surpreende encontrar em francês (quando eu, ingênua, sempre acreditei – até porque a maioria delas datam da minha infância – que elas tinham sido feitas exatamente do jeitinho que eu ouvia).
Então fui procurar mais duas que, nos últimos anos, também descobri que existem por aqui. E não vou dizer quais são para não estragar a surpresa. O estranhamento de ouvir, garanto, é impagável.

(ah, tenha paciência com a segunda, é só a partir de um ponto que ela fica reconhecível).


1.Essa é internacional. Há versão em alemão, húngaro, japonês, norueguês, italiano, enfim, qualquer idioma e cultura que se puder imaginar. A origem é suíça, e data dos anos 50.
2. A origem é uma música tradicional russa (que pode ser vista nesse vídeo. Reparem naquele alaúde tamanho violoncelo. Jesus). Há também uma versão em inglês, com o título de Those were the days.
3. Ao que tudo indica (que quer dizer: minhas pesquisas indicam), o original é francês mesmo. Esse do clip, contudo, já é uma releitura. O original é dos anos 60.

 

Postado por Carol Bensimon

M

10 de janeiro de 2009 2

Talvez você se lembre de As bicicletas de Belleville, uma animação francesa pra lá de simpática, que chegou até a concorrer ao Oscar em 2004 (não levou, mas participou de outras premiações de peso, e venceu uma série delas). Pois bem, uma das coisas mais acertadas de As bicicletas de Belleville era a trilha sonora retrô, cheio de referências jazzísticas, que casava bem com o humor um tanto particular do filme. Creio que foi ali que eu conheci o Mathieu Chedid, ou simplesmente M. Um nome artístico não muito bem para fazer pesquisas no Google e afins, mas tudo bem. M cantava a canção mais bacana da animação, Belleville rendez-vous (inclusive, quem toca o violão, acabo de descobrir, é o Thomas Dutronc, a minha dica musical anterior). M é, além de um cantor bacana, dono de um visual para lá de bizarro: roupas com golas enormes e esvoaçantes, violões pink, e um penteado nunca dantes visto. Como não poderia deixar de ser, os clips estão em harmonia com essa estética exagerada.
Separei dois. O primeiro é de Belleville rendez-vous, mistura de dancinhas surrealistas com imagens de As bicicletas de Belleville. O segundo, de Qui de nous deux, do álbum homônimo.

Postado por Carol Bensimon