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Posts de agosto 2009

Lançamento POA

31 de agosto de 2009 12

Postado por Carol Bensimon

Guaíba blues

30 de agosto de 2009 5


Pois Matthieu foi embora, eu extraí um siso, e fico de estômago embrulhado (adoro essa expressão) com a proximidade da sessão de autógrafos do meu livro, e com as obrigatórias aparições na tevê (que sempre podem ser desastrosas).
E Matthieu, lá na Borgonha, escreve “saudade, saudade. Guaíba blues”.
É um tipo de lição para quem não dá bola para a grande porção de água mal-cuidada: Matthieu conheceu o Rio de Janeiro, o verde mais verde, o azul mais azul, a fauna mais fauna, e nem por isso deixou de curtir cada risco colorido do céu de Porto Alegre. Sobretudo quando tratou de vê-lo lá daquele canto da Assunção, o Timbuka em ruínas, mas o pessoal ainda comparecendo em peso e se acomodando nos degraus de pedra, nos restos da mureta, enfim, onde dá. E eu não posso evitar: acabo olhando isso tudo pelo viés da resistência. E acho lindo.
Verdade que não seria nada caro ajeitar aquela área, diz o francês. Quantos por cento do dinheiro público se vai em corrupção? Porque verdade é que nunca há dinheiro para nada. Passo de carro devagar pela Diário de Notícias, olho a nova ciclovia feita praticamente de… paralelepípedos? Quem teve essa ideia brilhante? Não há muitas questões para serem consideradas na construção de uma ciclovia, e a principal delas me parece ser, ahn, o PISO? Não é a toa que um ciclista-experiente-campeão-de-sei-lá-o-quê testou a ciclovia para uma matéria da Zero Hora (eu estava em Paris) e disse: hm, é, há muitos problemas. A começar pelo piso.
Como é que esse tipo de coisa pode acontecer? Resumo surpremo do Brasil.
E essa gente toda sentada aqui na beira do Guaíba num domingo à tarde, tocando no violão de Nei Lisboa a Pink Floyd, outro resumo, e por esse dá vontade de ficar. Encho mais uma cuia, já precisando de um banheiro. Que, obviamente, não há mais.

Postado por Carol Bensimon

Inversão

03 de agosto de 2009 16

Como já citei sem muito alarde, estou com um hóspede francês aqui, que veio passar um mês e meio no Brasil: o Matthieu. É a primeira vez do Matthieu fora da Europa, e o choque e a surpresa disso é certamente maior do que o movimento contrário (um brasileiro na Europa pela primeira vez). Isso porque nós brasileiros sabemos, ao menos em linhas gerais, o que nos espera no velho mundo. Quanto a eles, bem, além dos clichês (nem por isso menos verdadeiros) do samba, do futebol, da favela, das cirurgias estéticas, e por vezes dos travestis, há também uma visão idealizada, quase mitológica, que acho que em geral está relacionada com sol, exuberância da fauna e da flora, essas coisas. Fora isso, quase nada.
Bem, o fato é que o Matthieu está adorando o Brasil, adorando PRA VALER, mesmo que até agora só conheça Porto Alegre (sim, antes que perguntem: vou levá-lo ao Rio). Cada detalhezinho é para ele uma surpresa, um choque cultural, positivo na maioria das vezes. Com ele por perto eu vou de certa maneira aprendendo o que há de Brasil e de Porto Alegre em mim, e confesso que muitas dessas coisas (sem sentimentalismo) me deixam bastante orgulhosa. Outras, envergonhada, como era de se esperar. Bom, mas não entremos em grandes tratados sociológicos agora. Vou apenas citar pequenos exemplos cotidianos.

PESSOAS
Segundo Matthieu, “nós sabemos fazer festa”. E não estou me referindo aqui a grandes festas em grandes casas noturnas. Não. Matthieu acha é que sabemos nos divertir entre amigos. A gente se encontra no bar, ri, fala alto, daí decide estender o programa para casa de alguém e fica tentando ensinar ele a dançar samba ou então ficamos ouvindo Guns n` Roses, enfim. / As festas são “improvisadas e sem normas” (hahaha, não vá aqui o leitor pensar besteira) / Acha que somos acolhedores e que logo incorporamos um “elemento estranho”, que rapidamente passa a fazer parte do grupo / Acha que é muito mais fácil alguém o chamar para a sua casa. Na França, é toda uma história de ter que conhecer muito bem a pessoa antes de partir para essa “intimidade” / Há muita troca. Os brasileiros querem saber coisas da França, assim como querem falar da cultura brasileira e da sociedade brasileira / (vale aqui dizer que tenho amigos ótimos e divertidos que contribuíram para essa visão do Matthieu. Forte agradecimento a eles) / As pessoas se cumprimentam de forma diferente, e se tocam mais. O clássico portoalegrense beijo-e-abracinho (em geral pra quem já se conhece) seria uma afronta na França: algo do tipo uma “invasão do espaço pessoal”

COMIDA
As pessoas amam carne / O ponto de cozimento da carne às vezes causa choque cultural: na França, eles têm o hábito de comer a carne quase crua. A lógica é uma leve fritadinha de cada lado, e pronto, fica aquela coisa roxa por dentro (para mim, isso demonstra que há algo de muito errado com a carne deles, se ela só fica boa hiper crua. mas deixa pra lá) / A picanha agradou bastante / A lógica do rodízio é uma coisa de louco para um europeu. Seja churrasco, seja sushi, seja comida árabe. Amou. / Por outro lado, as misturas às vezes chocam: frutos do mar e churrasco? Impossível misturar frutos do mar e carne de gado segundo os padrões franceses, a não ser que você tenha uma bela justificativa para fazê-lo (do tipo “no prato tal, típico da região tal, isso acontece”/ Entre as comidas que habitualmente comemos em restaurantes ou botecos, há muita fritura (Matthieu se preocupa com a forma) / Os doces são doces demais para o paladar francês. A maioria não agrada / A maneira de consumir caipirinha em casa, do tipo um copo que circula entre as pessoas, foi uma grande novidade para Matthieu. O mesmo vale para o chimarrão, para as pizzas (na França, elas são individuais), e para as porções de qualquer coisa nos bares.

Postado por Carol Bensimon