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Posts de setembro 2009

Tarantino

29 de setembro de 2009 2

Não morro de amores por Tarantino. Digamos que ele tem testosterona demais para o meu gosto e, além do mais, me irritam as pessoas que acham algo realmente genial no fato de ele pegar um monte de referências cinematográficas e jogar dentro de seus filmes. Se isso às vezes funciona e às vezes é muito legal, me parece insuficiente para alçar alguém no nível do “gênio”.
Ainda assim, não desprezo Tarantino a ponto de bater o pé e ignorar seus filmes, quando sei que eles acabam inevitavelmente aparecendo nas conversas de mesa de bar. Por essas e por outras, fui assistir ontem “Inglourious Basterds”.
O filme me surpreendeu positivamente, e me pareceu a léguas de distância do fraco Kill Bill. O contexto Segunda Guerra é usado de uma forma surpreendente, com um desfecho para lá de corajoso.
Foi preciso, é claro, aceitar a enorme licença poética (os quatros maiores líderes nazistas juntos numa première na Paris ocupada, pedindo para sofrerem um ataque fulminante?), até porque há algo de muito próprio no mundo de Tarantino, e portanto seria estúpido exigir dele uma coerência de mundo real.
Há mais de meia dúzia de cenas tensas e diálogos realmente incríveis, com destaque surpremo para todas as mudanças de idioma pelas quais passam os personagens, o que acarreta uma série de desdobramentos na trama.
Ainda assim, fica uma ressalva: porque Tarantino parece trabalhar nesse limiar delicado de drama e humor, às vezes ele cai para uma palhaçada desnecessária. Não citarei exemplos, porque são pontuais e poucos. Ah, e, claro, há muita testosterona, para variar. Cenas nas quais as donzelas fecham os olhos ou pescam uma pipoca.

Update: o filme chega aos cinema do Brasil no dia 9 de outubro. Para quem quiser conferir o trailer, aí vai.

Postado por Carol Bensimon

Primeiras segundas impressões

25 de setembro de 2009 7

Então voltei para Paris e, ao descer no coração da cidade, uma sensação de que as coisas são um tanto silenciosas, apesar de movimentadas. Deve ser a diferença entre uma cidade europeia e uma cidade latinoamericana, apenas isso. Puxamos as malas, cheios de dores, e já rola aquela sensação de que há um certo gasto cerebral maior em andar nas ruas aqui (não ficou boa a explicação, mas vá lá): fico atenta nas pessoas, seus tipos físicos variados, o jeito que se vestem, a língua que falam (que podem ser muitas). Tento me conscientizar de que não devo fazer isso o tempo todo, porque às vezes é bom andar com a cabeça vazia e ponto, deixar espaço para que surjam ideias que nada têm a ver com moda, com idiomas, com cartazes de exposições, mas é impossível. No primeiro re-reconhecimento da cidade, já são várias as pessoas a me pedirem informações: Onde fica a estação Cité? / O Georges Pompidou é para que lado? / Vale a pena, é importante? / O que é esse prédio? / Como chego na île St-Louis? Se a cabeça não reafirma o tempo todo que você está em Paris, as pessoas fazem isso por você.

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Nas esquinas em que não há bonequinhos verdes e bonequinhos vermelhos, não precisa nem ameaçar um pé o asfalto, ou fazer o novo sinal do Fogaça (que, aliás, falhou miseravelmente quando tentei usá-lo na Osvaldo Aranha): basta uma intenção e os carros PARAM. Agradeço sempre com a cabeça, com um sorriso, e geralmente aperto o passo, para não atrapalhar. Eles não. Para eles, é simplesmente um direito em marcha. Nenhuma obrigação de ficar agradecido.

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Os franceses acabam de descobrir o buffet. Verdade que já tinham uma mínima intimidade com o assunto, mas restrita a 1) alguns restaurantes chineses que cobram uns 10 euros para você comer à vontade, que usam pratinhos de sobremesa como forma de contenção e onde é preciso esquentar a comida num forno de microondas ao final do buffet 2) brunchs aos sábados.
Agora, surgiram aqui e ali uns restaurantes cobrando uns 10 ou 12 euros por um buffetzinho “à volonté”. Tendência do verão, como micro shorts que podem chegar a mostrar a dobrinha da bunda? Veremos.

Postado por Carol Bensimon