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Posts de março 2010

Street hockey de quarta à noite

17 de março de 2010 15

Comecei a fazer aula de street hockey na semana passada, e a notícia surpreendeu os amigos. Parecia uma escolha totalmente aleatória e sem um histórico que a justificasse. Quem me conhece, no entanto, deveria ficar boquiaberto se de repente eu optasse por aula de tango ou ritmos caribenhos. Isso sim seria descabido.
Mas o hockey: em primeiro lugar, embora eu não pratique esportes com muita frequência, sempre fui algo entre mediana ou boa nos jogos com bola (ou, no caso, com disco) e, além disso, curto o aspecto lúdico da coisa. Em segundo, desde que o roller entrou na minha vida naquela modinha na metade dos anos 90 (pista no shopping de Capão da Canoa e outras lembranças dilacerantes), o hockey esteve ali, de canto, esperando companhia. E tanto é verdade que, na época, comprei um TACO na Traxart do Praia de Belas (a mesma que nunca teve um boné do Detroit Pistons pra vender, o que eu desejei por vários meses, por culpa do Mega Drive). Usei o taco talvez duas vezes, ou mesmo uma só, com um amigo de colégio e mais dois (?) carinhas da Zona Sul. E depois? Depois era eu patinando pela garagem do meu prédio com o taco na mão, conduzindo a bola. Aham, so much fun. E depois fim.
Mas isso do hockey ficou guardado, de modo que acabou aparecendo até no meu romance. Quando escrevi esse capítulo, fiz o mesmo exercício solitário de anos atrás, patinar e ir conduzindo a bola e eventualmente dar uma tacada, só pra saber como o corpo se comportava e quais eram os desafios que a situação apresentava.
Para quem não sabe, Paris gosta de se dizer “a capital do roller”. Durante boa parte do ano, é possível ver uma porção de gente usando os patins como meio de transporte e, nas sextas à noite, um tradicional passeio reúne milhares de patinadores, de modo que a ideia de jogar street hockey sempre foi mais concreta aqui do que em terra brasilis.
Como estou numas de tomar as rédeas da vida (esperando que não passe nunca) e realizar todos os desejos humanamente possíveis, lá fui eu me inscrever no tal curso de street hockey, oferecido pela loja Nomades, a maior referência parisiense do mondo sobre rodinhas.
Na véspera da primeira aula, fiquei imaginando que tipo de gente eu iria encontrar. Haveria turmas de MENINOS e turmas de MENINAS? Dificilmente. Seriam os caras violentos? Hm, provável que não. Intuí que todos iam estar lá simplesmente pela diversão e relaxei.
Minha chegada no local da aula, depois de vários imprevistos que merecem essa elipse, foi no mínimo curiosa: encontrei Thomas, o jovem professor, e 4 alunos (dois caras e duas mulheres), todos eles surpreendentemente mais velhos que eu, que já me tomava por antecipação como a titia da atividade. Num primeiro momento, foi um tal de criar afinidade com o disco. Num segundo, fiz alguns exercícios com a galere, alguns alunos de já ano e pouco. No terceiro, finalmente, o jogo. Total: DUAS HORAS E MEIA de intensa atividade física, que resultou em dores descomunais por dias. Mas, sim, tudo valeu a pena.
O hockey não parece intrinsecamente e intencionalmente violento, mas é verdade que o troço todo é dado a acidentes de toda a ordem, afinal você está com um PAU na mão e se movimentando sobre patins.
Fora isso, é preciso acrescentar que a aula acontece numa dita “praça”, mas que basicamente é uma espécie de largo numa das tantas saídas da Gare de Lyon (uma das estações ferroviárias da cidade), de modo que é comum sujeitos arrastando malas surgirem no meio da partida (um deles, inclusive, decidiu me pedir uma informação, ignorando as luvas gigantescas que eu ostentava nas mãos, assim como todo os outros apetrechos. Luvas, aliás, que seriam um capítulo à parte dessa história).
Para minha satisfação feminista, é preciso dizer que as duas mulheres jogam bem melhor que os dois homens, mas isso provavelmente é explicado pela diferença de idade (os homens são quarentões para cima, as mulheres trintonas). Uma delas em especial, Corinne, entra no jogo PRA MATAR, mas juro que não me intimidarei. Com exceção de Corinne, todos mostraram-se surpresos com meu desempenho e foram simpatissíssimos comigo, que no entanto ainda permaneço sendo a brasileira jogando hockey.
Hoje é a segunda aula. Não me peçam fotos.

Postado por Carol Bensimon