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Posts de maio 2010

Provocações

20 de maio de 2010 14

Sábado passado estreei como colunista da seção “Provocações”, no caderno cultural Outlook do jornal Brasil Econômico. Reproduzo aqui a crônica. Devo aparecer lá uma vez por mês.

Direto ao point: o Brasil é melhor do que a França?


Eu ia de um mundo francófono a outro − França, pátria mãe, e Québec, essa aldeia do Asterix no continente norte-americano − quando fiquei face a face com meu próprio país: na entrada do avião, lá estava a última Le Point, uma espécie de Time à la française, cuja capa homenageava o Brasil, proclamando-o como “o novo eldorado”. Lembrando que eldorado é uma história da carochinha, prossigamos.
Com olhos azuis e um sorriso maroto, usando um vestido floreado (o Brasil é multicolorido, em oposição à Paris dos casacos pretos), a modelo Adriana Lima convida o francês de centro-direita a abrir a revista e conhecer esse país em 21 páginas. Preparando-me para a leitura, sorrio involuntariamente, enchendo-me de um orgulho besta: se colocam minha pátria no mapa, se a bandeira do Brasil encontra-se entre a dúzia de bandeiras na fachada de um hotel qualquer, já vejo aí motivo de alegria. Nada mais brasileiro que se contentar com pouco.
Percebo, de pronto, que a ode será enérgica: o Brasil esbanja uma “saúde insolente”, é “furiosamente otimista e descomplexado”, em oposição a uma Europa que se estagnou. Começamos por Lula, “o campeão do mundo dos presidentes”, passamos por animadores índices econômicos, mestiçagem, um milionário, chegamos a um bancário itinerante no coração da Amazônia, concluímos que a felicidade pode ser encontrada na favela e, por fim, um reconhecido cineasta nos dirá para não acreditarmos em tudo que se fala a respeito do Brasil.
Se índios abrem contas bancárias e compram geladeiras a crédito em plena floresta tropical, tudo parece estar bem. Se Lula abraça e beija o povo, que diferença com esse outro presidente de pouca altura, que, em caso de tempo ruim, não ousa segurar seu próprio guarda-chuva! Na reportagem sobre o morro de Santa Marta − essa favela pop que já recebeu Michael Jackson, Madonna e Beyoncé e cuja ocupação policial, desde novembro de 2008, a torna uma exceção entre as favelas cariocas − desconstrói-se a ideia de “inferno na Terra”. Fala-se em bondinho, iluminação pública, internet sem fio, fim do tráfico. O texto deixa um gosto amargo de otimismo exacerbado. É como se o futuro de todas as favelas fosse o de Santa Marta, ou no mínimo, é como se o futuro de todas as favelas pudesse ser, com relativa facilidade, o dessa favela-modelo.
Talvez o escárnio só escape quando se fala de Eike Batista, nosso milionário que ocupa um graúdo 8o lugar na lista da Forbes das maiores fortunas do planeta. Mas como não debochar de alguém que expõe uma Mercedes na sala? Como falar bem de quem possui um piano branco? Quem tem um piano branco nunca leu Proust, é certo. Ou seja: o fascínio pelo exótico tem limites. Admira-se, evidentemente, mas com uma certa superioridade europeia no canto da boca.
De qualquer modo, isso é mero detalhe, e o encantamento prevalece. Se o povo do hexágono possui um natural pessimismo, a tendência vira do avesso quando o Brasil é assunto: ao dizer de onde venho, o francês médio responde com um entusiasmado c’est un beau pays (é um belo país), mesmo que a maioria nunca tenha cruzado o Atlântico. A base de tanto otimismo é sem duvida o binômio natureza exuberante e simpatia o povo. Parece ingênuo, mas tente viver um inverno na Normandia, e tudo que você vai querer é abrir a janela e ver uma maritaca gritando sobre uma jaqueira. É como na célebre canção interpretada por Aznavour, cujo refrão exalta toda essa terra não-europeia banhada de sol: Emmenez-moi au bout de la terre / Emmenez-moi au pays des merveilles / Il me semble que la misère / Serait moins pénible au soleil (Leve-me para o outro lado do mundo / Leve-me para o país das maravilhas / Me parece que a miséria / É menos penosa ao sol).
Mas a principal razão para termos ido parar nas páginas da Le Point é, na verdade, econômica: um grande 6,8% em vermelho mostra o quanto o Brasil deve crescer em 2010, um motivo para lá de racional para fortalecer o mito (a previsão de crescimento da União Europeia é de apenas 1%). Na página oposta, sob as águas cristalinas de Fernando de Noronha, Lula faz um sinal de positivo.

Postado por Carol Bensimon

Não vi um alce

06 de maio de 2010 5

Voltei ontem do Canadá, ou melhor, de Québec (simpatizo com os separatistas) e, por uma estranha configuração dos astros, daqui a duas horas pego um trem para Roma, de modo que quase não tive tempo de pôr as pernas na horizontal, como recomendam os angiologistas.
Na maior parte do tempo, vivi a vida de uma montréalaise (o que agradeço aos meus anfitriões, Julia e Nader); passei três dias explorando a região dos Laurentides, ao norte da cidade, onde havia NEVE INTENSA num dia e um maravilhoso céu azul no outro; e 24 horas foram bem gastas na simpática cidade de Québec.
Já coloquei algumas fotos no flickr. Vá lá.

Postado por Carol Bensimon