Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de junho 2010

McFeijoada

14 de junho de 2010 5

(texto que escrevi pro Outlook desse fim de semana)

Esqueça os diplomáticos apertos de mão, a Copa do Mundo, o “obrigado, Brasil!” exclamado pelo rockstar suado. Esqueça o hino balbuciado em um pátio de escola e a bandeira de plástico (brinde do jornal) que decora o interior de um barraco: a plena afirmação de nossa identidade nacional passa pela criação urgente do McFeijoada. Isso mesmo, o McFeijoada.
Desde meados dos anos noventa, o fast food dos arcos dourados esforça-se em colocar um tempero local em seus cardápios, o que justifica a existência do Cuarto de Libra Guacamole (versão mexicana do Quarteirão), do McKebab israelense, do McRice das Filipinas (no qual o pão é substituído por duas estranhas camadas de arroz) e do indiano e retangular McCurry Pan, além de outras invencionices bizarras a nossos olhos. A política da rede, é claro, se justifica por uma demanda da clientela, que gosta de ver um pouco de comidinha-de-casa compondo com o menu internacional. Nas lojas brasileiras, no entanto, o sanduíche para chamar de nosso é nada mais nada menos do que o Cheddar McMelt, aquele do queijo tipicamente americano (embora inglês) e da cebola refogada no molho tipicamente japonês. Em resumo, a prova suprema de que somos dominados. E não se engane pelo tom de piada que reveste a teoria; sabemos que do McDonald’s nasceu o famoso “índice Big Mac”, criado pela The Economist em 1986, e até hoje levado a sério. Então por que não fazer também um pouco de antropologia?
A soberania de uma nação passa pelo menu do McDonald’s. Se em Portugal é possível degustar um caldo verde − além de outros tipos de sopas e cremes − em mesas de fórmica iluminadas por lâmpadas fluorescentes, o que falta para termos a nossa porção de McCoxinhas, nosso aipim frito substituindo as ordinárias batatas, sem contar o magnífico e imbatível McAcarajé? Por que deixamos nossa brasilidade na porta da lanchonete e entramos de cabeça no insosso melting pot, na lógica do “quanto menos Brasil, melhor”? A consequência meio patética disso é que acabamos revestindo de glamour uma rede que, para os primos ricos do hemisfério norte, é o suprassumo da chinelagem, a opção de quem tem os bolsos quase vazios.
Quase vazios como os meus. Sem nenhuma vontade de cozinhar esta noite, cruzo a Rue du Renard em direção a um McDonald’s. O McChicken está numa promoção eterna, a dois euros. Adiciono ao pedido uma fritas pequena. Total: três euros. Não que eu tenha alguma predileção por frango, mas é que os outros sanduíches custam duas ou três vezes isso e, embora eu more em Paris há um bocado de tempo, minha cabeça ainda converte euro para real (talvez porque eu ganhe em real e sobreviva em euro). A funcionária se atém ao essencial da comunicação; nos McDonald’s parisienses, não há obrigada-desculpe-a-demora-tenha-um-bom-dia. Somos iguais.
É saindo de lá que penso no McFeijoada. A democracia brasileira só teria a ganhar. Eu aceitaria até um McCaldinho de Feijão, até porque diminutivos são sempre ótimas estratégias de marketing. Só peço que não rechacem completamente o Cheddar McMelt. Mesmo com essa carinha de Judas, é meu sanduíche favorito.

O bizarro McRice das Filipinas

Fifa Fan Fest

14 de junho de 2010 2

No Trocadéro, 10.000 pessoas foram ver o jogo mais sonolento da Copa. Engraçado foi que o povo acreditava DEMAIS que o gol rolaria depois da expulsão daquele uruguaio. E eu ali, bem sentada, tive que levantar na onda de ansiedade da galera, que ficou de pé só esperando pra comemorar. Não rolou. Meu segundo 0 x 0 entre França e Uruguai. O primeiro, em 2008, foi no Stade de France – e também a primeira (e decepcionante) vez que fui a um estádio de futebol.
Pelo menos foi um bonito pôr-do-sol. Quando a Torre Eiffel acendeu umas luzinhas de mau-gosto (ref. Shopping Praia de Belas), todo mundo sacou suas máquinas fotográficas. Essa foi instantes antes.

Um pessoal já andava com a bandeira da Argélia nas costas (mal esperavam que esse jogo fosse AINDA pior). Outros caprichavam no estilo parisien.

Todos os jogos estão sendo transmitidos lá. A má notícia para os bebedores é que não dá pra entrar com nada de álcool. Vi um cara na minha frente tocando um PACK de cerveja no lixo.