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07 dez02:00

Um palhaço entre nós

Fernanda da Costa | fernanda.da.costa@gruporbs.com.br


Foi em um ônibus na capital carioca que o passo-fundense Fernando Dias concebeu a ideia para o documentário “Rir”. O ator e estudante de cinema, que mora no Rio de Janeiro, trabalhava como animador de festas infantis e teve de usar o coletivo urbano vestido de palhaço para se locomover de uma festa à outra.

- Muitas pessoas me olhavam com estranhamento, muitos riam, alguns me chamavam e tentavam se comunicar, outros viravam o rosto com medo de que eu fosse até eles – conta Dias.

As diferentes reações diante da figura do palhaço inspiraram Fernando a registrar em vídeo os passos de seu personagem pelo país. Depois de gravar em vários bairros do Rio de Janeiro e em Teresina, no Piauí, o palhaço Doril chega nesta quarta-feira a Passo Fundo, cidade natal do idealizador.

- Ao contar o cotidiano de um palhaço, um ser inesperado, transitando por lugares comuns, o documentário fala sobre a importância do sorriso – explica o diretor.

Com lançamento previsto para fevereiro de 2012, o audiovisual experimental ainda terá gravações em São Paulo e Porto Alegre.

- Meu foco é enviar o documentário para festivais de cinema e mostras competitivas, mas também pretendo fazer uma versão para internet – afirma Fernando.

Doril é gaúcho

O palhaço Doril, protagonista do documentário, nasceu em Passo Fundo, em 2006, quando Fernando trabalhava com animação de eventos.  De acordo com o idealizador, é um personagem transparente, sincero, corajoso e sem pudores.

- Sem medos e com defeitos salientes, Doril fala alto, chama atenção e ri de si mesmo a toda hora – conta o ator.

Para ele, o palhaço é sua extensão como ser humano, um personagem que lhe permite vivenciar momentos emocionantes, como despertar sorrisos nas pessoas que lutam bravamente para viver, como pacientes com câncer.

Teatro e cidadania

Além de gravar cenas para o audiovisual “Rir”, Dias também traz a Passo Fundo o projeto social “Sorriso”, que mantém no Rio de Janeiro com o seu grupo de teatro Arlekynos. Na cidade gaúcha, ele levará a alegria do palhaço Doril para uma escola de educação infantil e um asilo.

O retorno do ator à cidade natal ainda servirá para viabilizar a apresentação do espetáculo de clowns Sementys (foto) que ele realiza em parceria com a atriz Sarah Christina Carvalho. Com estreia prevista para 22 de janeiro, no Teatro 4 de Setembro, em Teresina, no Piauí, e agenda confirmada no Maranhão, Fernando busca apoiadores para realizar o espetáculo em Passo Fundo.


CONFIRA A ENTREVISTA COM O ATOR

clicRBS Passo Fundo: Quando iniciou sua trajetória no teatro e como foi sua mudança de Passo Fundo para o Rio de Janeiro?
Fernando Dias:
Comecei a me envolver com teatro com 14 anos, quando participava de atividades com a arte no CLJ (Curso de Liderança Juvenil). O teatro começou a me fisgar aos poucos e então decidi fazer um curso de profissionalizante na escola de teatro FEMA. Nessa época, eu trabalhava com contabilidade e me dividia entre o trabalho com os números e trabalho com a arte. Foi quando descobri que era o teatro que eu queria para minha vida e comecei a planejar, com uma amiga e atriz, a viagem para o Rio de Janeiro, em 2007. Desde então trabalho com teatro, figurações, recreação infantil e estudo Cinema na Universidade Estácio de Sá.

clicRBS Passo Fundo: Como nasceu o grupo Arlekynos e qual o foco de trabalho para o próximo ano?
Fernando Dias:
O grupo Arlekynos foi formado a partir das experiências adquiridas desde o início dos meus trabalhos em Passo Fundo, em 2006, com o palhaço Doril. Em 2008, no Rio de Janeiro, eu resolvi montar um grupo cujo foco principal seria ações sociais. Assim nasceu os Arlekynos, que atualmente conta com oito artistas. Nosso foco atual é o espetáculo Sementys.

clicRBS Passo Fundo: Qual é o enredo da peça Sementys?
Fernando Dias:
A proposta do espetáculo consiste em misturar teatro, cinema, música, dança e circo para contar uma tragicomédia romântica de dois palhaços, chamados Ele e Ela, abordando situações e conflitos cotidianos dos relacionamentos. Meu sonho é levar este trabalho para minha cidade natal. Acho que Passo Fundo precisa investir mais em cultura.


clicRBS Passo Fundo: Você também traz o projeto social “Sorriso” para Passo Fundo. Qual é a proposta da ação?
Fernando Dias:
O Sorriso iniciou juntamente com os Arlekynos e tem o objetivo de levar o riso e a diversão dos palhaços para locais como hospitais, asilos e escolas de educação infantil. No Rio de Janeiro, temos uma parceria com o hospital infantil Prontobaby e a Casa de Apoio à Criança com Câncer. Em Passo Fundo, visitaremos uma escola de educação infantil e um asilo.

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