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Holandeses

27 fev13:52

A tradição que vem do berço

Leandro Becker, Zero Hora


Cornelia Maria Josepha Van Riel ensina a cultura do seu país para a neta gaúcha Luiza, de seis anos


Há cinco décadas, quando partiu da Holanda para Não-Me-Toque, Cornelia Maria Josepha Van Riel nasceu de novo. No berço da imigração holandesa do Rio Grande do Sul, viu surgir um novo rumo para a vida dos pais e dos 11 irmãos. Hoje, com cerca de 250 famílias de descendentes, o município de 15,9 mil habitantes no norte gaúcho prepara-se para ser palco do lançamento do Ano da Holanda no Brasil.

Aos 70 anos e com sotaque europeu, Cornelia ainda lembra do desembarque no Rio de Janeiro, em 1952, aos 11 anos. Em casa, preserva a cultura holandesa com objetos e esculturas que vão dos moinhos às ferramentas agrícolas. No quarto, guarda roupas típicas e até uma pantufa amarela em formato de tamanco.

– Sinto orgulho pela coragem de meus pais para enfrentar esse desafio – afirma a imigrante, que está escrevendo suas memórias.

Além dos documentos, a cultura se perpetua. Aos seis anos, a neta Luiza já aprende com a avó como prender o lenço no cabelo e anseia por crescer logo para poder usar os trajes típicos que hoje não lhe servem.

A história holandesa acompanha Não-Me-Toque desde a emancipação, em 1954. Nas ruas da maior colônia de imigrantes daquele país no Estado, tamancos de concreto nos canteiros centrais simbolizam a tradição.

– A diversidade étnica estimula o espírito empreendedor a partir das raízes familiares e da integração cultural – afirma Teodora Berta Souilljee Lütkemeyer, vice-prefeita e descendente de holandeses.

Expodireto lança as festividades

A maior contribuição dos holandeses ao desenvolvimento do município foi o conhecimento sobre máquinas agrícolas. Das oficinas que os primeiros imigrantes abriram para criar e adaptar equipamentos que auxiliassem a acelerar a produção, surgiram grandes indústrias. O título de Não-Me-Toque, Capital Nacional da Agricultura de Precisão, foi conquistado com a participação efetiva de holandeses e seus descendentes.

Não à toa, o evento que lançará a programação do centenário da imigração holandesa no país será a 12ª Expodireto Cotrijal, uma das maiores feiras de agronegócio. Em 17 de março, um jantar reunirá os imigrantes e descendentes com o cônsul-geral da Holanda no Brasil, Louis Piët, e com o representante da Embaixada do Reino dos Países Baixos, Bart Vrolijk.

A programação, que seguirá até dezembro, ainda prevê inauguração do Monumento do Imigrante, exposição de fotografias e competições esportivas, entre outras atividades.

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