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Jornada 2011

10 out08:13

Jornadinha de Literatura vai receber Prêmio Educação RS 2011

O Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul – Sinpro/RS divulgou os vencedores da 14ª edição do Prêmio Educação RS, escolhidos por votação on-line pelos professores associados do Sindicato. A Jornadinha Nacional de Literatura está entre os premiados.

A cerimônia de entrega do troféu Pena Libertária aos vencedores será realizada no dia 14 de outubro, sexta-feira, no átrio do Santander Cultural (Siqueira Campos, 1125), às 19h, em Porto Alegre.

Para esta edição, foram indicados 84 profissionais, 14 instituições e 73 projetos, totalizando 171 indicações. “Neste ano, o diferencial foi a participação da comunidade, desde as indicações, que foram feitas também pela internet, até a escolha dos vencedores pelos associados do Sinpro/RS”, afirma Celso Stefanoski, diretor do Sinpro/RS.

Instituído pelo Sinpro/RS em 1998, o Prêmio Educação RS tem como objetivo estimular e valorizar profissionais, instituições e projetos comprometidos com o ensino de qualidade e com a construção da cidadania.

De acordo com a coordenadora das Jornadas Literárias e das Jornadinhas, professora Tania Rösing, a premiação é o reconhecimento ao trabalho dos professores que aceitaram mais uma vez a proposta de estimular crianças e adolescentes a lerem livros indicados e se envolverem com a leitura de forma aprofundada. Tania agradece a todos os que se envolveram com a realização da Jornadinha, em especial à equipe do Mundo da Leitura e à Comissão Interinstitucional das Jornadas Literárias.

- A leitura é um ato transformador – salienta.

A sexta edição da Jornadinha de Literatura reuniu 18,6 mil professores e estudantes de mais de 160 escolas.   

VENCEDORES DO PRÊMIO EDUCAÇÃO 2011

PROJETO
Jornadinha de Literatura (Passo Fundo) – Destinada ao público infanto-juvenil, oferece aos leitores a oportunidade de interagir com os autores e conhecer mais sobre suas obras por meio de conversas com escritores, contação de histórias, feira de livros, sessões de autógrafos e espetáculos teatrais e musicais. Em 2011, na sua 6º edição, teve ênfase na leitura e interconexões com novas mídias e linguagens.

INSTITUIÇÃO
Fundação Thiago de Moraes Gonzaga (Porto Alegre) – Criada em maio de 1996, promove a valorização e a preservação da vida. Com o programa Vida Urgente, desenvolve ações de mobilização da sociedade para a mudança de cultura e de comportamento na vida e no trânsito, além da consolidação deste como tecnologia de educação e cultura. Tem abrangência estadual e trabalha com voluntários para reduzir as mortes de jovens no trânsito nas capitais brasileiras.

PROFISSIONAL
Iván Izquierdo – É médico e doutor em Medicina (Farmacologia) pela Universidade de Buenos Aires. É professor titular de Medicina e coordenador do Centro de Memória da PUCRS. Seu é nome destacado internacionalmente nos estudos da memória e suas pesquisas já abriram novos caminhos para o tratamento de anormalidades neurológicas.

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29 ago18:15

Das palavras aos quadrinhos

Priscila Dalzotto, Colaboradora

A tarde de quinta-feira foi animada e dinâmica para o jovem público, do 6º ao 9º ano das escolas participantes da Jornadinha. Estiveram presentes nas lonas os escritores juvenis Cláudio Fragata, Rodrigo Lacerda, Marcelino Freire, Gustavo Bernardo Luiz Antonio de Aguiar, Tiago de Melo Andrade, Maria Tereza Maldonado e Telma Guimarães.

Os autores contaram como desenvolveram o gosto pela leitura e escrita, descreveram seus personagens e seus livros e enriqueceram o público com suas histórias. Depois das apresentações, responderam atentamente às perguntas dos jovens, que aproveitaram o momento para descobrir mais sobre seus autores e obras preferidas.

- Na verdade, não temos controle sobre o que o público vai achar dos nossos livros. Demorei dois meses para escrever “O fazedor de velhos”, que a princípio era apenas uma distração – afirma Rodrigo Lacerda.

O escritor ainda contou que o livro acabou fazendo mais sucesso do que os trabalhos que levou quase dez anos para concretizar.

- Essa carreira é imprevisível. Você não tem como controlar a recepção, nem o que o leitor vai achar – confessa Lacerda.

Durante o rodízio feito nas lonas, entre os autores, o contador de histórias Tino Freitas divertiu os jovens com espontaneidade em suas apresentações, fazendo o público jovem interagir. Cláudio Fragata aproveitou o momento e também brincou com o público.

- Eu vou escrever livros até os 200 anos. Depois eu paro, prometo!

Jovens do Ensino Médio conversaram com os autores

O último dia de Jornadinha foi dedicado aos estudantes do Ensino Médio. Participaram os autores Leonardo Brasiliense, Giba Assis Brasil, Sérgio Capparelli, Heloisa Seixas, Christopher Kastensmidt, Gabriel Ba, Fabio Moon, Tiago de Melo Andrade e Rodrigo Lacerda.

Trabalhando com quadrinhos, há aproximadamente 15 anos, os gêmeos Gabriel Ba e Fábio Moon dedicaram seu tempo respondendo perguntas do público.
Os autores começaram a desenvolver seus primeiros trabalhos com base em temas do cotidiano e cenas de filmes e livros. Atualmente são um dos mais premiados quadrinistas brasileiros.

Os gêmeos comentaram sobre a adaptação para quadrinhos, a obra O Alienista, de Machado de Assis. A intenção, segundo eles, era introduzir o leitor ao clássico de maneira visual, para que as imagens e palavras trabalhassem juntas, fazendo um chamado à arte.

- Procuramos realizar adaptações que agradem quem gosta de clássicos, arte e quadrinhos – finalizam.

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29 ago17:03

Marcelino Freire participou da última manhã da Jornadinha

Priscila Dalzotto, Colaboradora

Um sobrevivente. Foi assim que Marcelino Freire definiu-se. Os adolescentes que estavam no Circo da Cultura nesta manhã, ficaram encantados com a simplicidade do escritor. Pernambucano de uma família com 14 filhos, ele enfrentou as dificuldade do sertão nordestino desde cedo.

Quando foi questionado sobre uma de suas obras, o livro Contos Negreiros, ele comentou:

- Esse livro traz o preconceito em todos os sentidos. O que apresento em Contos Negreiros é uma maneira de mostrar que não estou satisfeito. Mostro no livro situações que me incomoda.

A estudante de Sarandi, Giulia Gentilini, deu sua opinião sobre a obra.

- Achei que o livro mostrou a realidade, que o preconceito realmente existe entre nós. Consegui fazer associações com o mundo atual, que tornou a leitura interessante – disse a jovem.

Marcelino se mostrou otimista com as novas tecnologias e as variadas formas de comunicação. Segundo ele, a internet veio acrescentar. Atualmente o blog eraOdito, criado por Marcelino está entre os mais influentes no Brasil. Vivendo a mais de vinte anos em São Paulo, Freire também é o organizador da Balada Literári,  que terá sua 6° edição em novembro. O evento reúne shows de artistas conhecidos e muita literatura.

Finalizando a conversa o escritor falou sobre o prazer de escrever e o que o inspira:

- Eu escrevo pra me vingar de uma sociedade que não funciona, de uma política que não melhora ou até de um amor que foi embora. Escrever é meu prazer. Encontro inspiração na rua, na fala das pessoas e nas frases ditas em conversas.

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29 ago16:46

Encerramento da Jornight teve bate-papo e show do Pouca Vogal

Matheus Dalla Costa, Colaborador

Na quinta noite da Jornight, evento paralelo à Jornada de Literatura, o médico psiquiatra Jairo Bouer e o músico Humberto Gessinger se reuniram para um descontraído bate-papo mediado por Kleber Rocha, batizado de “Cova dos Leões”. Respondendo à perguntas diretas de fãs, a conversa passou por assuntos como política e futebol, sem deixar de lado o tema principal: a literatura.

- Meu início na literatura teve relação direta com a música – conta Gessinger, que passou a se interessar pelo autor Hermann Hesse graças à banda Steppenwolf, cujo nome é uma referência ao livro O Lobo da Estepe.

Para Jairo Bouer, livros como Ana Terra e Um certo capitão Rodrigo, ambos de Érico Veríssimo, estão entre os principais em sua estante. Para o doutor, que também apresenta programas de rádio e televisão e escreve para jornal, o gosto pela leitura desenvolvido durante a infância foi o responsável pela sua veia comunicacional.

- Minha mãe tinha o costume de ler histórias para mim – conta.

Ambos ainda responderam à questões relacionadas a seus livros. Jairo possui diversas publicações com temáticas educativas voltadas a adolescentes, enquanto o líder dos Engenheiros do Hawaii é autor de um livro biográfico de sua banda. Ao término das sessão de perguntas, Jairo Bouer ainda recebeu o troféu Vasco Prado como homenagem, e Gessinger deu um “até logo” para preparar sua entrada com Duca Leindecker, dando início à etapa musical da noite: o show do Pouca Vogal.

Um grande show da menor banda de rock
Ao ver “a menor banda de rock” – como se auto-denominam – subir ao palco, pode-se criar a falsa impressão de que o som tocado pelo Pouca Vogal é algo simples e modesto. Afinal, são somente duas pessoas. Mas basta que os primeiros acordes sejam soados para que se perceba a dimensão do espetáculo multifuncional que a dupla é capaz de proporcionar.


Gessinger, além de cantar e tocar violão, comanda simultaneamente a percussão e um baixo eletrônico com os pés e também opera um teclado e uma harmônica. Leindecker também canta, toca guitarra e um bumbo. O talento musical de ambos fica visível com tantos instrumentos sendo executados ao mesmo tempo e de forma impecável.

Em meio à uma música e outra, o público aproximou-se cada vez mais do palco, para que nos minutos finais, um número considerável de pessoas já se encontrassem sentadas no chão, acompanhando o show à uma distância muito próxima dos músicos – sem maiores problemas. Ao final, aos gritos de “bis”, a dupla gaúcha retorna para mais uma última cancão. A plateia, em pé, cantou “Infinita Highway” com os artistas, encerrando as atividades da primeira Jornight na Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo.
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29 ago14:47

“O segredo é ouvir de olhos abertos”

Por Rafael Zanolla e Fernanda da Costa


A busca pela valorização da arte independente teve seu espaço em Passo Fundo, durante a 6ª Jornadinha de Literatura. Em duas apresentações, a trupe d’O Teatro Mágico, levou a magia do circo, a rima de sua
poesia inteligente e o batuque dos ritmos brasileiros para um público de cerca de 5 mil crianças e adolescentes.

Pela primeira vez na cidade do Norte gaúcho,
o vocalista Fernando Anitelli conversou com o ClicRBS Passo Fundo, destrinchando um pouco da complexidade do grupo pouco antes de seguir rumo a Porto Alegre, onde a trupe apresentou-se no fim de semana.

clicRBS Passo Fundo: Fernando, o Teatro Mágico, aqui em Passo Fundo, tocou na Jornadinha, para um público quase que exclusivamente infantil. Como foi essa experiência?

Fernando Anitelli:
Na verdade uma vez já tínhamos feito algo parecido. Em certa ocasião nós fomos tocar em um teatro, onde entraram umas 400, 500 crianças correndo, e então a professora falou “Calma, que o mágico já vem!” (risos). Ficamos pensando: “Meu deus, tem um monte de crianças esperando um mágico!” (risos). O nosso trabalho não é exatamente para um público infantil, mas também, de certa forma, não deixa de ser. Nós conseguimos dialogar com as crianças e os mais jovens, que gostam da magia, da estética da coisa. Com os mais adolescentes, que gostam da crítica, da poesia. E com os mais velhos, que gostam das duas coisas. Então é interessante porque você consegue falar de coisas do cotidiano de maneira crítica, com política, com a festa que é poetizar o circo, e falar com famílias. Ficamos muito felizes de vir até aqui, participar desse evento, afinal, são trinta anos de literatura, sempre trazendo conteúdos interessantes. Sermos recebidos de forma tão carinhosa foi muito bacana, nos sentimos em casa.

clicRBS
:
E qual o segredo para que as crianças e os mais jovens também possam entender essas críticas, presentes em boa parte das letras das músicas da trupe?

Anitelli
:
O segredo é ouvir de coração aberto, ou talvez nem tenha segredo. Quando ouvimos as crianças falando, repetindo a palavra, elas são curiosas, querem saber o que é aquilo, o que significa. O jovem também é assim, e ainda mais o jovem universitário, que está cheio de hormônios, quer inovar, revolucionar… A começar por si mesmos. Acho que o segredo é ouvir com outros olhos as coisas que são apresentadas pelo Teatro Mágico. Tem sempre uma moral da história, um porquê. É dentro desse espírito que a gente apresenta o projeto.


clicRBS
:
O novo disco A Sociedade do Espetáculo tem o mesmo nome do livro de Guy Debord. Quanto de literatura existe e qual o poder dela, nas letras do Teatro Mágico?

Anitelli: O nosso novo álbum teve o nome inspirado no livro, mas o CD mesmo, não foi uma tentativa de traduzir o que o livro passa. Até porque o livro ainda é algo que eu preciso ler e digerir de maneira intensa, tem muito conteúdo interessante ali. É fundamental você não somente entreter as pessoas, fazer uma música dançante, mas você levar ao debate, à provocação, ao questionamento. Tudo isso, por incrível que pareça, quando você faz de cara pintada, é aceito de uma maneira muito mais tranquila pelas pessoas. O palhaço não tem tribo, ele consegue chegar a qualquer lugar, seja para o cara do reggae, do clubber, do roqueiro… Ele chega e traz o debate de forma acessível. Eu creio que é esse papel que a gente cumpre. Cada vez mais tentamos amadurecer a maneira como a gente escreve, para que faça sentido. Você tem um figurino legal, um arranjo de música legal, mas também uma poesia à altura, um questionamento, com conteúdo.

clicRBS: O Teatro Mágico se posiciona a favor da música independente, não paga “jabá”  para tocar em rádios e disponibiliza todas as músicas para download gratuito. Qual a opinião do grupo sobre a revolução da internet e a relação com o Ministério da Cultura?

Anitelli:
Estamos passando por um momento inédito. Hoje, com um celular, você aperta alguns botões e recebe fotos, vídeos e músicas. Não há razão para criminalizarmos quem baixa música, quem é interessado em descobrir novos sons, compartilhar coisas interessantes. A nossa ministra é um tanto quanto equivocada em relação ao Creative Commons, justamente uma oportunidade que você tem de editar seu próprio material, dizer se você quer que ele seja remixado, compartilhado, duplicado, que é o caso d’O Teatro Mágico. Você pode baixar e compartilhar nossas músicas da forma que quiser, só é necessário entrar em contato com a banda se for fazer uso comercial. É uma possibilidade de trabalhar com uma economia mais solidária, de cultura livre. Não perdemos o direito autoral e não deixamos de ganhar frutos econômicos, porque a música roda o país todo. O pessoal do estúdio já foi remunerado quando gravou o CD, todo mundo que é da produção já foi remunerado. A música é um bem imaterial. Devemos olhar com bons olhos para os 90% de músicos que estão por aí, numa “pindaíba danada”, tocando a troco de suco de laranja e misto quente e não somente para aqueles 10% de amigos que recebem sempre os mesmos editais e estão toda hora na mídia.


clicRBS:
Muitas músicas do grupo são inspiradas em criações literárias. Algum dos autores convidados para a 14ª Jornada Nacional de Literatura foi influência para vocês?

Anitelli: Sem dúvida. O Maurício de Souza, os irmãos Caruso a Elisa Lucinda. Temos os textos do Maurício de Souza, que influenciam toda uma geração e a Elisa Lucinda com os textos de poesia. Acho isso fundamental. Eu consegui falar com a Elisa, com o Humberto Gessinger e com o Maurício de Souza. Para mim foi uma oportunidade muito bacana de poder tietá-los e ver o quanto é importante ser humilde e ter caráter.

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27 ago11:38

Bate-boca marca fim da Jornada

Carlos André  Moreira| carlos.moreira@zerohora.com.br


O clima esquentou ontem, no último dia da 14ª Jornada. Não só fora do Circo da Cultura, com o sol forte marcando o fim da festa, mas no próprio palco de debates, no qual os críticos argentinos Alberto Manguel e Beatriz Sarlo partiram para o confronto com a editora escocesa Kate Wilson por suas ideias com relação à tecnologia aplicada à leitura das crianças.











> O QUE ELES DISSERAM.


Foi no último debate da Jornada, que contou ainda com os brasileiros Fabiano dos Santos e Affonso Romano de Sant’Anna. Sant’Anna abriu a conversa com um relato de como o Brasil abraçou um projeto de desenvolvimento que separou leitura e educação e que não previu o incentivo à leitura. Manguel e Sarlo compararam a leitura à sexualidade, duas atividades pessoais e subversivas de ensino “muito mais complexas do que se pensa”.


– Alfabetizar alguém é diferente de torná-lo um leitor – disse Manguel.


A discussão se acalorou após a intervenção de Kate Wilson. A editora, que produz livros e aplicativos para leitura digital, apresentou números segundo os quais as crianças convivem cada vez mais com a tecnologia. É por meio da tecnologia, portanto, que deve-se buscar os novos leitores, defendeu. Quando concluiu a apresentação, Manguel imediatamente tomou o microfone e, em espanhol, promoveu um ataque frontal ao que havia ouvido:


– Achei que esta mesa falaria de formação de leitores, e não de deformação. Leitura não é comércio.


Kate Wilson respondeu dizendo que, embora não compreendesse espanhol, havia entendido aquilo. Manguel, que é naturalizado canadense, ofereceu-se para traduzir para o inglês. Ignorando o comentário, Kate Wilson afirmou:


– Não me importo com o que as pessoas leiam, desde que leiam. Como elas passam muito tempo diante de telas, se não levarmos a leitura às telas elas podem não ler mais.


– Esse tipo de raciocínio não forma leitor algum – retrucou Manguel.


– Quem você pensa que é para decidir isso? – perguntou a escocesa, curvando-se de indignação na cadeira.


Beatriz Sarlo também falou:


– Ninguém aqui trouxe livros próprios. Se você fez isso, deve estar aberta à crítica. Não vou criticar sua pessoa, mas seu trabalho. Esteticamente, seu livro é um retrocesso de 40 anos.


A plateia parecia querer que o circo pegasse fogo, metáfora apropriada para um debate sob uma lona: cada intervenção era recebida com aplausos acalorados, mesmo que defendesse o contrário da anterior. O chargista Paulo Caruso, sentado em frente ao palco, aproveitou para fazer desenhos nos quais Beatriz, Manguel e Kate são vistos num ringue de box, em confronto apaziguado por Affonso Romano de Sant’Anna (veja no alto da página).


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26 ago21:09
26 ago21:04

Jornada registra venda de mais de 15 mil livros

Leandro Becker  |  leandro.becker@zerohora.com.br


Sacolas plásticas carregadas de livro disputando espaço entre os dedos das mãos. A cena se repetiu rotineiramente na Jornada de Literatura com a venda de mais de 15 mil livros. As obras preferidas do público foram justamente a dos autores que vieram a Passo Fundo: Maurício de Souza, Elisa Lucinda e Edney Silvestre.

— Conheço muitos eventos literários pelo mundo, mas a Jornada superou a expectativa — afirma Arcangelo Zorzi, diretor da Livraria do Maneco.

Há 41 anos no mercado, ele disse ter se fascinado com a diversidade de leitores, desde crianças até professores, intelectuais e escritores brasileiros e estrangeiros. De olho na próxima edição, Zorzi planeja ampliar a seção de literatura internacional. Para o livreiro, a Jornada cresce ao criar um ambiente de estímulo à leitura.

As editoras também tiveram sucesso nas vendas. Na Editora Paulus, os negócios cresceram 15% em relação à edição passada. Diante da procura intensa, algumas obras da Editora Paulinas esgotaram. No estande da Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (Corag), o destaque foi a participação dos professores.

— Mais que o aumento nas vendas, percebemos o interesse do público por literatura de qualidade — observa Irmã Jurema Andreolla, da Editora Paulinas.

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26 ago21:02

Exposições encantam público com novas formas de leitura

Leandro Becker  |  leandro.becker@zerohora.com.br


Arte para ler, ver, ouvir e tocar é o que oferece o cardápio de 20 exposições na programação paralela da Jornada de Literatura. Com projetos que vão do humor à história e pitadas de sustentabilidade e inovação, as mostras atraíram um público predominantemente jovem em busca de um olhar contemporâneo.

— A proposta foi apresentar a leitura em várias linguagens e mais de 1,8 mil visitantes marcaram presença só no Circo da Cultura — revela Mariane Loch Sbeghen, coordenadora das exposições.

Da sátira política à preservação ambiental, os cartuns deram o ar da graça na Jornada pelos traços de ícones como Chico Caruso e pela sensibilidade das 108 obras do 4º Ecocartoon. Outro destaque foram as exposições QR-Comms e QR-Poema, de Giselle Beiguelman, que aliaram literatura a novas tecnologias multimídia

A releitura de obras textos clássicos como o de Machado de Assis, feita por artistas plásticos do grupo A flecha, também atraiu o público. As mostras fotográficas Escolas de valor, da Editora Moderna, e Infinitos Nós, do Grupo da foto de Passo Fundo, apresentaram novas formas de leitura visual.

A história de três décadas das Jornadas Literárias foi retratada por uma exposição com memórias das edições anteriores e, ainda, pelo olhar ousado do grupo Bando de Barro, que homenageou a movimentação literária com formatos diversos e a possibilidade de tatear as obras.

As exposições fora do Circo da Cultura também convenceram, como a mostra de trabalhos feitos por alunos na Pré-Jornadinha, que vai até domingo no Zaffari Bourbon Shopping. Mas engana-se quem pensa que o término da Jornada põe fim às mostras. Algumas delas prosseguirão até setembro.

É o caso do projeto Arte e rede no Largo da Literatura da Praça Armando Sbeghen e da trinca Poesia da Imagem de Jener Gomes, vídeo Lapsos e série fotográfica Fulgores no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider. Ainda há o projeto Jornada em Ação, que rodará o campus da Universidade de Passo Fundo (UPF).

Entre tantas novidades, uma história curiosa. A mostra de objetos pessoais do autor homenageado Josué Guimarães, um dos idealizadores das Jornadas Literárias, fascinou o público. O local se transformou em sala de aula com professores apresentando a máquina de escrever para crianças que nunca haviam visto uma de tão perto.

— Cada obra de arte tem a sua linguagem, até mesmo o que parece ser algo comum — observa Mariane.

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26 ago19:27

Ao vivo: Conferência "Leitura entre nós: 30 anos de Jornada"


Tania Rösing encerra a 14ª Jornada Nacional de Literatura com uma conferência sobre a história da mobilização literária. Acompanhe ao vivo  “Leitura entre nós: 30 anos de Jornada”.

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