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"Ah, eu sou gaúcho!": Paul arrebata o público

07 de novembro de 2010 94


Emocionante. Paul McCartney veio a Porto Alegre para encantar os gaúchos, definitivamente.   De terno roxo, camisa branca, calça preta e os característicos suspensórios, Paul esbanjou uma performance invejável no palco montado no estádio Beira-Rio e arrebatou o público com seu gauchês:

“Mas, bah, tchê!”, “Trilegal” e o famoso “Ah, eu sou gaúcho” foram as expressões que Paul intercalou com “Obrigado, Brasil” e “Obrigado, Porto Alegre” e que serviram para que ele conquistasse de vez a simpatia do público gaúcho.

Veja como foi o show de Paul McCartney em Porto Alegre

Confira fotos do show no estádio Beira-Rio

Pontualidade

- Oi! Tudo bem? Boa noite Porto Alegre! Boa noite Brasil!

Assim Paul abriu a noite na capital gaúcha, contrariando em apenas nove minutos a famosa pontualidade britânica – “Sir” Paul subiu ao palco exatamente às 21h09min.

Extrovertido, não aparentava os seus 68 anos: interagiu todo o tempo e presenteou a plateia com reboladinhas e dancinhas no palco montado no Beira-Rio, causando histeria entre as fãs.

– Obrigado, gaúchos – gritou Paul, e repetiu a expressão várias vezes no show.

Das baladas às mais dançantes

Após as 10 primeiras músicas e quase 50 minutos de show, o público se esbaldou no romantismo de My Love.

– Escrevi esta música para minha gatinha. Mas hoje ela é para todos os namorados – disse o ex-beatle, arrancando suspiros da plateia, enquanto casais se abraçavam e dançavam.

Depois de I’ve  just seen a face, Paul tocou And I Love Her. Mais um momento romântico: casais se abraçam e dançaram na pista premium

Já em Ob-la-di, Ob-la-da, a plateia foi ao delírio. O ritmo, que flerta com o reggae, repete no refrão um bordão do percussionista nigeriano Jimmy Scott, amigo de Paul, que significa “a vida segue” (life goes on).

Homenagem aos amigos

John Lennon e George Harrison foram lembrados por Paul McCartney em dois momentos emocionantes do show.

Ao cantar Here Today – no palco, só ele e o violão – Paul declara seu amor ao amigo John. A canção, do disco Tug of War (1982), é um lamento comovente, dedicada ao ex-beatle assassinado em 1980. “Eu escrevi esta música para o meu amigo John”, diz Paul.

Em Something, Paul homenageou George. Fotos do amigo apareceram no telão durante a música, composta para o álbum Abbey Road (1969).

O grande momento

Após um show pirotécnico e o costumeiro fogo do rock’n roll no palco, o ex-beatle, que já tinha ganho o público desde o primeiro acorde, fez os gaúchos o reverenciarem com, talvez, a mais clássica de todas as canções do show:  Hey Jude.

No telão, um close simples em McCartney dava o tom suave da canção feita para o filho de Lennon, Julie, enquanto as mulheres se escoravam em seus namorados e os homens, sem pudores, se abraçavam e choravam.

Com uma voz afinadíssima e convidativa, Paul chamou para o “na-na-na”: primeiro os homens, talvez por ver de cima do palco a emoção à flor da pele dos gaúchos. Depois as mulheres, em um coro fino e sutil.

Grand finale

Não é qualquer músico que, após mais de 2h30min de espetáculo, finaliza uma apresentação explodindo em êxtase dezenas de milhares de pessoas e volta para o bis com a disposição de quem está recém iniciando a noite. Day Tripper, Lady Madonna e Get Back em sequência fez o gramado e arquibancadas do Beira-Rio se transformarem em uma pista de dança. Palmas, mãos pra cima, sorrisos largos. Os fãs queriam, de qualquer maneira, interagir com sir Paul.

Mais uma breve pausa e a volta para o segundo bis, com Yesterday e Helter Skelter criando um misto de lágrimas e ranger de dentes. Lágrimas, pois Paul, ao primeiro acorde do violão de Yesterday, faz com que a mente voe para o sentimento mais secreto. O ranger de dentes fica evidente quando a cabeça de milhares de fãs sobe e desce — um dos gestos clássicos do rock pode até parecer analogia em reverência a um dos homens que revolucionaram o estilo.

Loucura de fã. Atenção do ídolo

Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band seria o final da performance. Porém, antes, após ver tantos cartazes de boas-vindas e de pedidos inusitados, Paul não resistiu e chamou ao palco duas fãs que carregavam mensagens solicitando autógrafos. Em uma demonstração de carinho com as fãs, Paul autografou o braço das meninas que, emocionadas, aproveitaram a oportunidade para abraçar o ídolo.

As estudantes Elisa Delfino, de Porto Alegre, e Ana Paula Hining, de Florianópolis, ambas de 18 anos, deixaram o Beira-Rio com a missão de passar a noite sem banho e de acordar cedo nesta segunda-feira para encontrar um tatuador que deixasse para sempre a assinatura do ídolo.

Obrigado, Paul

Após cerca de 3h de espetáculo, era a vez de dar tchau. Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi a escolhida para o adeus. Se assitir Paul McCartney na Capital começou como um sonho, um desejo quase impossível de ser realizado, fica na fala final de “macca” o pensamento não apenas de uma noite antológica, mas um novo sonho.

— Obrigado, Porto Alegre. Até a próxima – disse Paul.

Nós que agradecemos, Paul. Volte sempre.

Confira abaixo o set list completo:

Venus and Mars/ Rockshow
Jet
All my Loving
Letting Go
Drive my Car
Highway
Let me roll it
The Long and Widing Road
Nineteen Hundred and Eighty Five
Let ‘em in
My Love
I’ve just seen a face
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Something
Sing The Changes
Band On The Run
Ob-la-di, Ob-la-da
Back in the USSR
I’ve Got a Feeling
Paperback Writer
A Day in the Life/ Give Peace a Chance
Let it Be
Live and Let Die
Hey Jude
Day Tripper
Lady Madonna
Get Back
Yesterday
Helter Skelter
Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band/ The end

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Confira, em audioslide, a chegada de Paul a Porto Alegre