
A violência passou a ser tema definitivamente incorporado aos códigos de educação e orientação pedagógica ministrados pelos pais e professores no Rio de Janeiro.
Os pais passaram a ter grande parte de seu tempo gasto com instrução aos filhos de como evitar os assaltos e de como se portar no caso de que sejam vítimas deles.
Eu simpatizo muito com esse tipo de orientação pedagógica. E assino embaixo que esse critério de educação seja ampliado até os adultos. Nós não podemos mais encarar com surpresa a falta de segurança, é o que penso.
Devemos estar preparados para ela, tanto tentando evitar os assaltos quanto adotando um plano de ação (ou omissão) no caso de que sejamos vítimas de assaltos.
Sei que esse tipo de compreensão e comportamento não são aceitos por muitas pessoas e até por algumas raras autoridades que discordam dos seus pares, afirmando que a complacência das vítimas com os assaltantes estimula ainda mais a prática criminosa, facilitando a ação dos bandidos.
Eu discordo, tanto que durante algum tempo gastei alguns de meus espaços jornalísticos a inculcar na mente das pessoas que elas um dia serão assaltadas, não vai dar para escapar desse tremendo inconveniente ou fatalidade.
Nós chegamos a um ponto no cotidiano brasileiro das grandes cidades em que o assalto tem de ser encarado com a mesma normalidade das blitze policiais.
Ninguém gosta de ser atacado em uma blitz policial, vai demorar, terá de mostrar documentos. Mas a blitz policial passou a ser corriqueira nas nossas cidades. E, por incrível que isso possa parecer, aconselho as pessoas a se comportarem da mesma forma diante de uma blitz policial ou de um assalto.
O certo é conformar-se com o fato de que foram escolhidas pelo destino para serem assaltadas e proceder da melhor forma possível, sem contestação ou reação física ao assalto: as estatísticas mostram que, em 99% dos assaltos em que as vítimas não reagem, elas salvam suas vidas, perdendo só seus bens pessoais.
Sendo assim, os pais e professores cariocas, no que serão copiados logo em seguida por todos os brasileiros, estão educando suas crianças com medidas preventivas contra assaltos, mas também como postura aconselhável de submissão e cordialidade diante dos assaltantes, quando chegar o momento, que deve ser esperado, do assalto.
Algumas cartilhas cariocas estão pregando até que as vítimas não devem considerar o assaltante um inimigo, mas sim produto de uma circunstância social.
Podem me criticar, mas aprovo essa conduta. Pela simples razão de que ela é psicologicamente favorável a que os assaltados não venham a sofrer ferimentos nem a perda de suas vidas.
Leia a íntegra da coluna em ZH
Postado por Sant`Ana
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