Um dado espantoso que me foi fornecido pelo secretário municipal de Mobilidade Urbana (eufemismo para secretário dos Transportes): as motos se constituem em 10% da frota de veículos automotores de Porto Alegre. No entanto, metade dos acidentes com mortes acontecidos este ano na cidade envolveu motos.
É inacreditável. É um morticínio de motociclistas.
Por um lado, não surpreende esta estatística. É que é tal a agilidade, rapidez, mobilidade das motos no trânsito porto-alegrense, que elas não são enxergadas pelos espelhos retrovisores dos carros. Também porque são pequenas em relação aos carros, mas principalmente porque se deslocam com tal versatilidade tangencial entre os carros que é impossível alcançá-las pelo retrovisor.
Grande parte das motos, senão a maioria, é pilotada por motoboys. E eles sofrem a mesma pressão profissional dos caminhoneiros: têm que usar a velocidade para cumprir com suas tarefas. Se assim não o fizerem, serão eliminados da atividade por lentidão.
E atiram-se ao trânsito com volúpia velocista. E vão costurando entre os carros. Ganham a vida desafiando a morte.
Mas aqui em Porto Alegre, quanto mais motos forem habilitadas para trafegar, mais mortes haverá no trânsito. Porque em mais de 99% dos acidentes com motos, é lógico, os mortos são os motociclistas. Os carros que batem em motos ou são atingidos por elas vêem seus motoristas saírem ilesos, quase sempre, dos acidentes.
As profissões mais arriscadas em Porto Alegre, atualmente, são as de policial, bancário, motorista de táxi, motoboy e, naturalmente, a dos ladrões.
De todas essas profissões, a mais arriscada é a dos ladrões. Digo profissão porque eles vivem da atividade de roubar.
E os ladrões são mortos a mancheias pelos policiais e pelas suas vítimas. Quase todo dia há vários ladrões mortos, muito mais que policiais, estes últimos mortos no cumprimento do dever.
Já os ladrões morrem no cumprimento do desvio moral.
Embora alguns autores afirmem que é no cumprimento da degradação socioeconômica.
Postado por Sant`Ana
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