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Posts do dia 14 dezembro 2007

Noel Rosa e o queixo afundado

14 de dezembro de 2007 7

Divulgação
O ator que interpreta Noel Rosa no filme Noel — Poeta da Vila, cuja estréia em Porto Alegre deve ocorrer em seguida, teve de emagrecer 35 quilos para encarnar o compositor. Trinta e cinco quilos, eu disse.

Mas o que realmente impressiona, o que me boquiabriu, é o queixo afundado deste ator, que descobri chamar-se Rafael Raposo. Idêntico ao de Noel Rosa, idêntico. A propósito: a foto que ilustra este meu comenário exibe Raposo, e não Noel.

Mas como conseguiram este efeito? Questiono-me se forjaram, de alguma forma, essa deformidade no rosto do rapaz ou se ele, como ocorreu com Noel Rosa, foi vítima de um acidente no parto. Noel tinha a mandíbula para dentro por conta do mau uso do fórceps pelo médico, que o retirou do ventre materno no dia 11 de dezembro de 1910.

Aproveito para contar uma rápida história de Noel Rosa — na minha opinião, o maior compositor brasileiro de todos os tempos. Certa vez, ele hospedou-se em uma pensão na Rua Bento Martins, no centro de Porto Alegre. Apaixonou-se ardorosamente, então, por uma mulher que morava na pensão defronte à sua.

No dia em que voltaria para o Rio de Janeiro, uma chuva torrencial afligia a capital gaúcha. Da janela de sua pensão, Noel avistou a amada na sacada em frente e bradou: %22Até amanhã, se Deus quiser / Se não chover, eu volto para te ver, ó mulher / De ti gosto mais que outra qualquer / Não vou por gosto / O destino é quem quer%22.

Um dos maiores clássicos da música popular brasileira foi composto em Porto Alegre.


Assista ao trailer do filme Noel — Poeta da Vila:

Postado por Sant`Ana

A CPMF e o show de contradição

14 de dezembro de 2007 23

Paim: a coerência em baixa/Geraldo Magela, Divulgação
Assisti até as duas da madrugada de ontem a sessão que extinguiu a CPMF.

Foi uma das mais históricas sessões do Senado, pela teatralidade sucessiva na tribuna, um grande baile de máscaras.

Em determinado momento, assumiu a tribuna o senador Paulo Paim (PT-RS). Sempre tão calmo na tribuna, ontem Paim incendiou-se surpreendentemente em eloqüência e emoção. Defendeu ardorosamente a prorrogação da CPMF, dizendo que aquele imposto tinha de ser prorrogado em defesa dos pobres. Eletrizou e empolgou a todos os presentes e telespectadores da TV Senado o discurso emocionante de Paulo Paim.

Cheguei a desconfiar, pela força do discurso de Paim, que a CPMF seria prorrogada.

A seguir subiu a tribuna o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Simplesmente lembrou que em 1996, quando foi criada a CPMF e governava o país Fernando Henrique Cardoso, o então deputado federal Paulo Paim subiu à tribuna da Câmara e fez um discurso candente, chegando a chorar, afirmando que %22a CPMF massacrava os pobres%22.

Viu-se pela televisão que, na sua poltrona, Paulo Paim, talvez o mais ativo e producente senador entre os 81, quando ouviu Heráclito Fortes dizer isso, sentiu o chão fugir-lhe aos pés.

Foi quase sempre assim na sessão que terminou na madrugada de ontem. Os senadores e partidos que, durante o governo FH, amaldiçoaram a CPMF, ontem a abençoavam. Os partidos e senadores que antes caíam de amores pela CPMF agora, no governo Lula, reduziram em frangalhos a CPMF com seus argumentos.

Ou seja, o Senado quase que inteiro, tanto na situação quanto na oposição, não tem nenhum compromisso com a coerência.

Caiu a CPMF por quatro votos de diferença. E agora vem aí o longo torneio da ressaca da CPMF, com o governo já acenando que tomará represálias contra a falta que os R$ 40 bilhões da CPMF farão aos seus cofres, ameaçando aumentar outros impostos por medidas provisórias.

Já começaram a cair as ações nas bolsas e vão aumentar os impostos. Quando se pensava que com a extinção da CPMF tivessem sido diminuídos os impostos.

Resta-nos só torcer que não decline mais do que já está declinante o atendimento gratuito nos hospitais e postos de saúde.

Rogo a Deus que não piorem os doentes.
Rogo a Deus para que morra menos gente nas filas das cirurgias e das consultas.

Porque os pobres e os doentes brasileiros não têm culpa nem responsabilidade pelo teatro mambembe da democracia nos plenários do Congresso Nacional.

Postado por Sant`Ana

A minha saúde

14 de dezembro de 2007 14

Chego à garagem e o manobrista me informa: %22Retirou seu carro há pouco a jornalista Celia Ribeiro. Disse-me que está preocupadíssima com a sua saúde, dr. Paulo SantAna%22.

Que força estranha de solidariedade há no ar, capaz de levar uma jornalista a se preocupar com minha saúde e um manobrista de garagem se lincar a ela nessa preocupação?

Que espécie de bondade envolve o pericárdio dessa mulher, Celia Ribeiro, de tal forma estuante que a arremessa para a ternura comovente de se preocupar com a minha saúde até nos labirintos de uma garagem?

Abençoados e benditos sejam todas as pessoas públicas e anônimas que se preocupam com minha saúde, como se eu fosse imprescindível para elas.

Esses dias um leitor me pegou na rua e me disse: %22Sei que fumas três maços por dia e comes doces adoidado, sendo diabético. O Código Penal te concede o direito de te suicidar. Se queres morrer e tudo fazes para que isso aconteça, pouco se me dá. Te rala. Mas te pergunto: caso morras, como é que nós, teus leitores, ficaremos? Como resistir à tua definitiva falta? Antes de te suicidares, pensa nos outros e desliga de ti. Deixa de ser egoísta e faze força para continuares vivendo e nos brindando todos os dias%22.

Postado por Sant`Ana