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Então, eles morreram...de saudade!

17 de janeiro de 2008 5

Morreram e caíram os meus três coqueiros da infância pobre, digna e alegre. E isso me fez recordar uma das canções mais famosas e folclóricas da história musical brasileira. De autor desconhecido, foi gravada por mais de 200 intérpretes:

%22Tu não te lembras da casinha pequenina
onde o nosso amor nasceu?
tinha um coqueiro do lado
que coitado de saudade já morreu
tinha um coqueiro do lado
que coitado de saudade já morreu%22.

Morreram de saudade os coqueiros da minha casa de infância no Partenon. Saudade de meu irmão, Cirilo, lindo como um fauno, coitadinho viria a morrer 40 anos depois, de câncer, nos meus braços, sem mais ar para respirar, nem o dos tubos.

Morreram os três coqueiros de saudade de minha irmã Teresinha, querida, ainda hoje vive com seu marido, Antônio Oliveira, aqui no Menino Deus.

Os coqueiros morreram de saudade da minha outra irmã, Rosa Maria, querida irmã que me adora, embora eu cretinamente não lhe ofereça motivos para tal. Ela ainda resiste aqui numa travessa da Avenida Bento Gonçalves, dá-me uma vontade imensa de ir lá enchê-la de beijos.

Morreram os três coqueiros de saudade dos meus outros dois irmãos, José Carlos e Flávio Roberto, adoradas criancinhas que brincavam de roda em torno dos três coqueiros.

E morreram, os três coqueiros antes altivos diante dos ventos do Partenon, de saudade principalmente do coronel Ciryllo, meu pai, e de minha madrasta, Zica. Quantos os sacrifícios que eles fizeram para criar a nós, seus seis filhos e enteados, quantos trabalhos, quantas preocupações, dores e aflições para nos manter vivos até a morte!

Os três coqueiros do Partenon foram o sinal de esperança das nossas existências. E coitados de saudade já morreram.

Postado por Sant`Ana

Comentários (5)

  • Jani Scarlet Azeredo Garcia diz: 17 de janeiro de 2008

    Caro Santana, como sempre mexes com as nossas emoções com as tuas cronicas,´começo sempre a ler ZH on line de trás pra frente, como fazem tantos leitores, parabéns, vai correndo encher de beijos a tua irmã.Um abraço quebra-costelas! Jani Scarlet

  • Rosane diz: 17 de janeiro de 2008

    Caro Sant`Ana
    Sou uma assidua leitora da tua coluna.
    A de hoje, “Os três coqueiros ” mecheu tanto com minhas emoções, que até o momento não consegui conter minhas lágrimas, que teimam em continuar rolando, embora já tenha feito vários esforços para me conter.Inclusive este, (o de escrever-te).
    O que estás querendo fazer com teus leitores?
    Com carinho
    Rosane

  • DF diz: 19 de janeiro de 2008

    Não faça isso Sant´Ana, fui às lágrimas mais uma vez!
    Abraço e Saúde

  • Vagner diz: 17 de janeiro de 2008

    Então Sr Sant´Ana, não deixe que mais tempo passe e aproveite para encher sua irmã de beijos.
    O tempo passa muito rápido… aproveite o desejo de fazer e faça!

    Abraços….

  • Leonardo Vitola diz: 17 de janeiro de 2008

    Parabéns Santana,ao abordar esse tema. Também tive na distante infância, não três coqueiros, mas uma praça inteira de palmeiras na Praça Garibaldi, pertinho da Ilhota que o Santana acho que deve conhecer também. Praça linda na época, e hoje entregue a toda sorte de vândalos e mendigos. Saudade daquele tempo, do carnaval da rua da Margem, das muambas de carnaval dos domingos a noite na Praça Garibaldi. Velhos tempos. Santana, vá beijar sua irmã e todos os teus, e mande um abraço por mim também.

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