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Árduo conjunto probatório

29 de abril de 2008 9

Com o auxílio do GPS, a polícia paulistana constatou a hora certa em que o carro de Alexandre Nardoni estacionou na garagem do edifício London. E, pelo depoimento dos vizinhos do apartamento de Alexandre, o corpo da menina Isabella caiu no chão do jardim 11 minutos depois.

Não havia tempo para surgir um terceiro personagem, intrometer-se entre o que Alexandre e a madrasta da menina estavam fazendo e matar Isabella.

A polícia descarta categoricamente a existência de um terceiro personagem e atribui ao casal ter-se dirigido da garagem até o apartamento com o corpo da menina.

Havia manchas do sangue de Isabella no carro. Havia manchas de sangue no corredor. Havia manchas de sangue na rede de proteção da janela. Havia manchas de sangue no chão do apartamento e no chinelo de Alexandre.

As manchas de sangue no carro são fatais para o casal. Porque não interessava a nenhum provável terceiro personagem qualquer mancha de sangue no carro. Qualquer mancha de sangue no carro importava em presença de Alexandre e/ou sua mulher no carro quando a mancha foi derramada.

O carro está ligado umbilicalmente ao casal, que admite ter chegado ao edifício nele, apenas alega que a menina, que estava no carro com os irmãos, chegou intacta ao edifício, tendo sido morta depois por um mitológico desconhecido.

Como então haver manchas de sangue no carro?

As manchas de sangue no carro são uma das mais pesadas provas contra o casal.

A pegada do chinelo que Alexandre usava estava visível no lençol que cobria o colchão da cama do quarto das crianças, de onde foi atirado o corpo de Isabella.

Depreende a polícia, assim, que Alexandre ergueu o corpo de Isabella de cima da cama, posição mais confortável.

Se não fosse para erguer o corpo de Isabella com menos esforço, que outro motivo teria Alexandre para subir com o pé em cima da cama?

Na camisa de mangas curtas que Alexandre usava quando ocorreu o crime, havia as marcas em quadrados contíguos da rede de proteção da janela do apartamento de onde Isabella foi atirada.

Eram marcas do pó, da sujeira, da fuligem que restavam nos fios da rede e que se transferiram para a camiseta de Alexandre com a pressão que seu corpo fez contra a rede para segurar o peso do corpo de Isabella.

Marcas com o desenho da rede.

Nítidas marcas da rede na camisa, provas indubitáveis da autoria de Alexandre no assassinato.

Um assassinato cometido às pressas, mal deu para limpar com um pano as marcas de sangue por toda a parte, que ainda permaneceram indeléveis em muitas partes.

Muita pressa, muito nervosismo. E pressa também em combinar a versão profundamente ficcional de que alguém tinha entrado no apartamento.

Um crime que começou com maus-tratos a uma criança, um acesso de fúria incontrolável, a tragédia da morte ou da quase morte, o desespero, uma criança martirizada e um consórcio criminoso entre duas pessoas sem saída, que resolveram tentar a sorte em serem julgadas pelo júri, quando poderão ter mais sorte do que a imensidão da sua crueldade.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Comentários (9)

  • marilda sortica kelling diz: 3 de maio de 2008

    amigo,tenho certezade que você tanto qto eu e a maioria dos brasileiros gostariamos de ter a confirmaçao da versão dos pais.isto não traria a menina de volta mas com certeza traria a paz de espirito que perdemos a mais de trinta dias.uma pergunta que não quer calar eles são seres humanos normais como nós?então será que existe algo que possa me levar a agir desta forma com meu pequeno lucas que eu amo tanto?tu que no meu ver é um dos maiores psicologos ,me arranca esta duvida.aguardo resposta

  • Claudio Machado diz: 4 de maio de 2008

    Santana, se eles tivessem contato a VERDADE, já estariam fora da mídia, não teriam sido presos, pois tem curso Superior, são primários, seu pai é advogado e ficaria mais fácil a defesa, pois estariam longe dos holofotes.

    A falta com a VERDADE foi e será fatal para eles. Mesmo se forem absolvidos, a opinião pública já os condenou para sempre.

  • Mônica diz: 30 de abril de 2008

    Também pensei nisso,Léo de Floripa. Racicínio lígico o teu.Óbvio que não havia terceiro nenhum na cena do crime.Pior,é que o casal,seus familiares e seus advogados,devem estar rindo da cara de muitos brasileiros que acreditam ainda na versão deles.Motivo:-”Só sendo muito ingênuo mesmo prá acreditar em Papai Noel,Coelhinho da Páscoa,Cegonha e num versão tão mal contada como a deles”. Devem estar debochando dos brasileiros.Ainda bem que o PROMOTOR DE JUSTIÇA eles não conseguiram enganar, iludir.

  • Francisco diz: 29 de abril de 2008

    infelizmente nao ha mais duvida de que o casal assassinou, em um ato desumano, monstruoso e horrendo, a sua pequena e indefesa filha isabela nardoni.

  • Rafael M. Bald diz: 29 de abril de 2008

    Caro Sant´ana, concordo plenamente com as suas colocações, só teimo em dizer que, crimes como esse, não necessáriamente nestas proporções (em termos de barbaridade), mas casos como crianças jogadas no lixo, pessoas as margens das sociedades abandonadas as drogas, políticos roubando milhões, são todos casos geralmente focados pela mídia. Porém, este em especial, está se extendendo muito, e gastando-se muito tempo em algo que já está mais que claro, e que somente, por causa da “audiencia”

  • Rafael M. Bald diz: 29 de abril de 2008

    … continua a ser discutido. Acredito que seja um assunto então já batido, que cansou não só os meus ouvidos, como toda a população brasileira. Há coisas mais importantes a serem esclarecidas, do que este caso pra lá de esclarecido. E não preciso nem menciona-los.

  • David Driemeier diz: 1 de maio de 2008

    Caro Santana Há casos semelhantes sem repercussão veja o menino Bruno assassinado brutalmente em Concórdia SC e nada é noticiado

  • Léo diz: 29 de abril de 2008

    Caro Sant`Ana, tem uma só atitude que acaba com qualquer outra alegação do pai da menina: depois de consumado o fato ele desceu sozinho para o patio do prédio onde a menina agonizava… (e ele nem sequer tocou na menina pra ver se estava viva…). PERGUNTO : Qual homem deixaria seus outros filhos e esposa a mercê de um suposto assassino presente no prédio?

  • Ana Pércia diz: 29 de abril de 2008

    Precisamos garantir aos nossos filhos que eles podem se sentir
    seguros e protegidos com seus pais, precisamos enxergar o que nos difere do
    casal Nardoni, precisamos conhecer esta terceira pessoa envolvida no crime,
    que seguramente, está escondida dentro deles próprios.

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