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Um incesto revoltante

30 de abril de 2008 7

Não se sabe o que é mais brutalmente perplexo neste caso do cativeiro austríaco: se a perversidade do pai ao manter a filha presa num porão durante 24 anos ou se a dor lancinante da filha ao ver-se privada do sol e da sociabilidade por mais de duas décadas.

O que espanta neste caso austríaco e em tantos outros de que temos conhecimento, alguns em nosso meio, é a mais completa ausência de piedade nos corações e mentes dos criminosos.

Não há a mínima concessão à dor e à dignidade dos agredidos. Pelo contrário, os agressores parecem alimentar-se da dor das vítimas. Eles só se sentem realizados quando produzem aflição e ruína físicas ou mentais em suas vítimas.

Estou convencido de que todos esses casos de tortura e crueldade que se cometem contra indivíduos ou coletividades estão ligados umbilicalmente ao prazer sádico dos agressores.

Dessa forma, são atos insanos, cometidos por mentes atingidas por doença mental grave, irreversível.

É a conhecida sentença de que o homem tem um defeito de fabricação.

Se isso é verdade, alguns homens permanecem doentes após o recall e cada vez mais aprofundam sua morbidez, devastando os outros.

Com a colaboração do Olyr Zavaschi, estou publicando a impressionante e horrenda teia de incestos que o austríaco realizou na masmorra de sua casa, interpenetrando todos os parentescos entre si:

1) Ele é ao mesmo tempo pai e avô dos seus filhos.

2) Ele foi ao mesmo tempo marido e pai da filha.

3) Ele é genro de sua mulher.

4) Ele é genro e sogro de si mesmo.

5) A esposa dele é avó e madrasta dos filhos da filha.

6) A esposa dele é também sua sogra.

7) Os filhos nascidos no porão são filhos e netos do pai.

8) Os sete nascidos no porão são filhos e irmãos da mãe.

9) Os sete irmãos nascidos no porão são também tios maternos entre si.

Este caso está chocando o mundo. Tanto pela violência perpetrada contra a filha que gerava os filhos, submetida sexualmente pelo pai, quanto pela extensão de tempo do cativeiro, 24 anos significam uma vida inteira, subtraída pelo pai à filha, dor que ao que tudo indica pode ter-se tornado loucura.

A filha do criminoso sofreu prisão solitária durante 24 anos. Impossibilitada de gritar porque seu pai colocou vedação acústica em todas as paredes (ele é engenheiro), cedo desistiu de tentar avisar os vizinhos, os transeuntes ou a polícia.

O pai criminoso tomou cuidados meticulosos para que seu crime não fosse descoberto durante toda uma vida e para que pudesse se fartar sexualmente de sua filha.

Não há por certo no Código Penal austríaco nem em qualquer diploma legal de nenhum país uma punição adequada para a extensão desse crime.

E se esse delito vai ser muito difícil de ser esquecido pela Áustria, pela Europa e por toda a humanidade, imaginem-se as marcas de trauma que deixará nas vítimas, em todos os membros da infeliz família envolvida.

Há crimes que desafiam o esquecimento.

*Texto publicado na Zero Hora de hoje.

Postado por Sant`Ana

Comentários (7)

  • Lucy Ferreira Melchiades diz: 30 de abril de 2008

    Sant`Ana,li em suas colunas,que a raça pitbul deveria ser exterminada, não achas que o que o mesmo deveria ser feito com a raça dita humana, que comete crimes mil vezes mais hediondos?

  • Luiz Alberto Amaral Abegg diz: 30 de abril de 2008

    ser a nossa espécie. Devido a isto, eu proponho realizar uma alteração a está reflexão: “Devíamos estar felizes por saber que a mesma força que alimenta com tanta sinergia a crueldade humana, pode também alimentar elevadíssimos patamares de sociabilidade”.

  • carla diz: 1 de maio de 2008

    Sant`Ana sinceramente eu acho que ele não conseguiria sozinho.Imagino que o volume do lixo,compra de fraldas,comida ,papel higiênico,conta de gás,luz etc..seríam diferentes com mais 4 pessoas em uma casa.Para mim,a mãe sabia e por uma razão também sem explicação,ficou calada.Bjs

  • Luiz Alberto Amaral Abegg diz: 30 de abril de 2008

    Em relação à crueldade, está característica exclusivamente humana, não se pode dizer muito, sendo que é quase insuportável o fato de que o ser humano tenha a capacidade de chegar a um absurdo grau de insensibilidade ao seu semelhante.
    Como ponderar sobre uma pessoa, capaz de aniquilar duas décadas de uma vida, apenas para suprir seus anseios mais internos?Não há como!
    Que esta história horrível e qualquer próxima por vir, nos sirva de lição. Já estamos cansados de saber o quanto cruel pode

  • Ary da Silva Martini diz: 30 de abril de 2008

    As vezes fico imaginando como são úteis os vizinhos bisbilhoteiros, fofoqueiros e que se metem na vida dos outros (escutam brigas de casais, prestam atenção na educação e comportamento dos filhos alheios, etc.). Por causa deles, muitas crueldades são denunciadas.

  • Pedro Antonio Worm Junior diz: 30 de abril de 2008

    Tendo em vista os fatos , tudo o que foi descrito pela narrativa , essa tamanha crueldade é de se pensar politicamente as leis que defende as pessoas . Como que uma pessoa fica presa por 24 anos da a luz a varias crianças se mantem como refem sem contato algum com outras pessoas não pode ter o direito de ser defendida pela justiça ….. olha o tempo que essa pessoa ficou presa em cativeiro , é uma coisa de se pensar …..onde vamos para os proprios
    Pais prendem e matam os seus filhos …..

  • alexandre fleck diz: 4 de maio de 2008

    Santana, incesto aqui em porto alegre é comun nas favelas. As familias dormem na mesma cama e o relacionamento sexual entre irmãos e pai e filha é comun. A diferença é em regime aberto.

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