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Posts de junho 2008

O terror no Gre-Nal

30 de junho de 2008 19

Ricardo Duarte, Banco de Dados

Abaixo, o triste relato do leitor Ramyro Kleinubng Fernandes (chatubarkf@hotmail.com):

“Amigo Paulo Sant`Ana,

Tenho 18 anos e moro em Porto Alegre há quase um ano, mas sou natural de Uruguaiana. Agora que moro aqui, tenho ido a muitos jogos do nosso Tricolor, mas nunca tinha presenciado uma coisa como a que ocorreu hoje (ontem), ao término do jogo.

Para voltar para casa, fui com meu amigo Felipe pegar o ônibus da linha T2. O ônibus vinha cheio de gremistas e, logo na entrada, o motorista do ônibus já fez alguns avisos aos torcedores, de que não queria bagunça. Ele discutiu com alguns torcedores e, um tempo após o ônibus arrancar, ouvimos um forte estouro no vidro — uma pedra havia sido jogada contra o ônibus.

Um tumulto se formou, pessoas se abaixavam para desviar de um possível novo arremesso, gritavam e choravam, quando dois tiros foram disparados. Nesse momento, temi por minha vida e pensei: “Será que vale a pena morrer por isso? Por um jogo? Pelo simples fato de torcer por um time, e não por outro?”

Depois disso tudo, o motorista dirigiu até a polícia. Não bastasse o que todos já haviam passado — a sensação de presenciar um ataque terrorista, pois fanatismo assim é terrorismo —, fomos colocados na parede e revistados como marginais. Foi tudo muito apavorante, nunca havia me sentido tão impotente diante de algo.

Bom, queria apenas registrar meu protesto, porque é vergonhoso que isto ocorra em uma cidade que pretende sediar a Copa do Mudo.”

Postado por Sant`Ana

O Grêmio escapou da derrota no Gre-Nal

30 de junho de 2008 19

O assunto não tem como ser outro. Assista ao meu comentário no Jornal do Almoço:

Postado por Sant`Ana

Decepcionante

30 de junho de 2008 32

Já escrevi na minha coluna diária em Zero Hora e ressalto aqui: que decepção para quem é gremista. O grêmio foi decepcionante, esta é a palavra.

Durante 90 minutos, o Grêmio não mostrou qualquer reação no Gre-Nal de ontem. Desmentiu a liderança de pontos que ele vinha tendo. Deixou a sua torcida bastarda. Não houve um ataque equilibrado. Nada, absolutamente nada.

O Grêmio transmitiu a sensação de que a sua liderança era enganosa. Tomara que não seja. O que jogou esse centroavante Marçal? Absolutamente nada.

O Grêmio não teve ataque. Merecia ter sido derrotado.

Caiu do céu aquela marcação do pênalti. Todos no Olímpico viram que o goleiro agrediu o Rodrigo Mendes, mas ninguém pensava que aquele lance poderia produzir um pênalti e a expulsão do goleiro do Inter, que seria marcado daquela forma tão rigorosa.

É tão raro um bandeirinha marcar um pênalti. Poucos casos a gente conhece, mas marcou e o Grêmio teve uma recompensa que eu considero merecida pela decepção do seu jogo ontem.

Olha, o tricolor estava em casa e jogou contra uma equipe que vinha decadente. No entanto, o Inter merecia ganhar, pois ele foi melhor. O estádio inteiro não via nada do seu time.

Tomara que o Grêmio se recomponha dessa derrota e atuação decepcionante do Gre-Nal.

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje sobre o assunto

Postado por Sant`Ana

Um Gre-Nal medíocre

30 de junho de 2008 20

Mauro Vieira

O Grêmio escapou da sua mediocridade por uma clarividência do bandeirinha. Todos no estádio viram que Renan agrediu Rodrigo Mendes com um chute, mas essas faltas são corriqueiras no futebol. Ninguém no estádio acreditava que o juiz fosse cobrar. Aliás, não foi o juiz que viu. O árbitro socorreu-se do bandeirinha, que inacreditavelmente relatou o pênalti que redundou também na expulsão de Renan.

Foi um prêmio inesperado à ruindade do Grêmio. O estádio lotou porque todos foram levados ao Olímpico pela excelente campanha do Grêmio no Brasileirão.

No entanto, viu-se ontem no Gre-Nal que é enganoso o segundo lugar do Grêmio no certame: o time não tem recursos e isso depõe até a favor de seu treinador, não se sabe como o Grêmio ostenta esta colocação com um elenco tão precário.

O Grêmio praticamente não deu qualquer chute ao gol do Internacional em todo o jogo, foi dramaticamente inofensivo. E o Internacional foi um pouco menos inferior do que o Grêmio, mercê da presença em campo do Nilmar, o único jogador diferenciado entre os 22.

Sorte do Grêmio, há muito tempo que o clube não tinha tanta sorte. Mas vai ter de reforçar o seu time para não cair ali adiante para as colocações mais perigosas da tabela.

O bandeirinha salvou a ruindade do Grêmio.

Quase não acredito que eu tenha atravessado exatamente a metade do século passado assistindo a mais de uma centena de Gre-Nais, na Baixada, nos Eucaliptos, no Olímpico, no Beira-Rio e até um Gre-Nal que me lembro vi em Santa Cruz do Sul, e esteja agora, no limiar do outro século, me pondo ainda nervoso para ver este Gre-Nal do Brasileirão de 2008.

Que estranha paixão essa que me arrasta há quase 60 anos para ver este clássico. Que volúpia futebolística arranca de São Paulo o meu neto Gabriel Wainer, de 16 anos, embarca-o num avião e se encontra comigo ansioso para eu levá-lo até o Olímpico e ver o Gre-Nal de ontem?

Como é que esse amor por um clube e pelo futebol se transmite de geração em geração, para os meus filhos e agora para os meus netos, parecendo arremessar-se para a eternidade?

Daqui a 400 anos ainda haverá Gre-Nais, tenho certeza, esta chama imortal não se apagará jamais, Porto Alegre será uma megalópole, cortada por altos, imensos e sofisticados viadutos e por redes intrincadas de metrôs nos túneis, salpicada em todos os seus trajetos de homens e mulheres desvestindo-se de seus trajes modernos e arrojados e envergando prosaicas camisetas azuis e vermelhas, dirigindo-se para o estádio com seus veículos aéreos individuais. O céu da cidade sendo varado por espaçonaves que vão se arremessar até miniaeroportos próximos do local do jogo, onde estacionarão para ver um clássico que nasceu em 1909 e tinha em sua origem os estádios cercados por palanques onde se amarravam os cavalos, as charretes, as carroças e até as carretas dos que corriam para os poleiros ao redor do campo.

O Gre-Nal vai atravessar os séculos com sua paixão, eu já atravessei de um a outro século com a minha paixão e a transmiti ao meu neto, que foi comigo ao Gre-Nal de ontem. Daqui a 50 anos, este neto que levei ontem ao Olímpico estará conduzindo a um estádio o seu próprio neto, recordando que seu avô foi quem lhe inculcou o amor pelo Grêmio e pelo futebol. O Gre-Nal será eterno como as estrelas. Enquanto o sol brilhar todas as manhãs, essa disputa empolgante de rivalidade continuará a inundar os corações dos pósteros.

Desde que entrei fantasiado de Papai Noel no célebre Gre-Nal de dezembro de 1961 nos Eucaliptos, desde antes, quantas e quantas semanas de Gre-Nais foram vividas com tensão, nervosismo e ansiedade, à espera daquele instante mágico em que o juiz trilava o apito e as nossas intensas emoções eram desfiadas durante 90 minutos.

Quantas e quantas vezes nos arrebatamos de alegria ou nos despedaçamos de amargura assistindo a este clássico que para nós tem importância maior do que a Copa do Mundo, isto é inexplicável, como é que um simples jogo de futebol temperou e decidiu nossas vidas, quem foi que criou essa rivalidade, quem foi que nos dividiu entre essas duas tribos e nos separou entre os homens, como se tivéssemos sido plasmados por barros diferenciados?

Foi-se ontem mais um Gre-Nal , mas virão outros. E entre um e outro se sucederão as flautas, os desafios, as brincadeiras, as apostas.

O Gre-Nal é inseparável do nosso cotidiano, do nosso humor, do nosso destino e das nossas vidas.

É o maior acontecimento das nossas vidas. É uma atração para as nossas vidas, que seriam muito mais pobres e insossas sem ele.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Gre-Nal do Bico Seco

28 de junho de 2008 12

Hoje será um Gre-Nal de um Grêmio com mais time e menos valores.
E de um Internacional com melhores individualidades e pior organização.

***

O futebol, com sua cultura e progresso, extinguiu dois elementos que eram imprescindíveis a ele: os ponteiros e a cerveja na geral.

***

Se não me engano, com a proibição de se tomar cerveja nos estádios de futebol, hoje será realizado o primeiro Gre-Nal do Bico Seco de toda a história.

***

Um juiz de futebol depôs esses dias que, antes de se iniciar um jogo, ele, no círculo central, sente um impressionante cheiro de maconha vindo das arquibancadas.

A cerveja, que não cheira a nada, pagou o pato.

***

Proibiu-se a bandeira com mastro nos estádios de futebol, proibiu-se a cerveja. Nesta escalada, vão acabar proibindo o cigarro e o impropério.

Mas o futebol é tão entranhado na alma do povo, que acabará resistindo a tudo isso.

Enquanto não proibirem o gol.

 

Texto publicado na página 43 de Zero Hora dominical

Postado por Paulo Sant´Ana

Uma coisa de cada vez

28 de junho de 2008 7

Só se afligem os que agora não podem mais beber álcool nos restaurantes por esta estranha mania humana de misturar simultaneamente os alimentos com as bebidas.

É a hora de nos habituarmos a fazer uma coisa de cada vez: empanturrarmo-nos de comida nos restaurantes, pegar o carro e voltar para casa, onde poderíamos nos embebedar sem limite.

Postado por Paulo Sant´Ana

Sem explicação

28 de junho de 2008 3

O que tem impressionado nos últimos dias na Grande Porto Alegre é estarem sendo assassinadas muito mais pessoas dos que as que são saqueadas nos assaltos. Ou seja, mergulhamos definitivamente num tipo de crime que era característico do Rio e São Paulo: as execuções.

Quando uma pessoa é assaltada e morre, é um fato lamentável, mas que encontra explicação pelo motivo original. E os que vêm tombando nos últimos dias sem nenhuma explicação, simplesmente porque alguém decidiu que eles tinham de ser eliminados?

No bairro Mário Quintana, em Porto Alegre, em um minimercado, dias atrás, chegaram dois ciclistas e perguntaram: “Quem é o dono do estabelecimento?”.

Um homem identificou-se como tal e foi assassinado a tiros pelos dois ciclistas. Ele e seu enteado. Fugiram imediatamente os assassinos.

Mas que motivo teriam os criminosos para essa execução?

Pode ser simplório afirmar que todas essas execuções sejam determinadas pelo tráfico de drogas.

* Texto publicado na página 43 de Zero Hora dominical

Postado por Paulo Sant´Ana

Civilização e Progresso

28 de junho de 2008 6

Um dia ainda nos arrependeremos de termos extinguido os carroceiros como exterminamos os índios.

Os índios e os carroceiros são o achincalhamento do progresso. Por sinal, tanto os índios quanto os carroceiros terão sido extintos pelo mesmo motivo: atrapalhavam o trânsito.

Os que elogiosamente se preocupam com os cavalos maltratados pelos carroceiros e por isso querem o extermínio dos carroceiros, saibam que esta civilização e progresso que hoje defendem um dia vão exigir também a extinção dos cavalos.

 
*Texto publicado hoje na página 43 de Zero Hora dominical 

 

Postado por Paulo Sant´Ana

O pecado da gula

28 de junho de 2008 6

Já repararam os leitores que as propagandas de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal são exibidas mais intensamente na televisão perto do almoço e durante a tarde?

Por quê? Exatamente porque esse tipo de propaganda visa a atingir as crianças, altamente vulneráveis a esses tipos de anúncios. E as crianças costumam ver televisão nos horários diurnos, quando são exibidos desenhos animados e outras atrações para o público infantil.

Vai daí que os índices de diabetes e doenças do coração já se vêem incentivados desde a infância pela propaganda de alimentos gordurosos.

É grande a incidência de obesidade entre as crianças e os adolescentes. E não pode um fato exercer pior influência psicológica numa criança ou num adolescente que elas se tornarem obesas.

Além da desconstituição de sua auto-estima, as crianças e jovens gordos sofrem a troça dos seus colegas e amigos, sofrendo muito com essa pressão.

Por isso é que o Ministério da Saúde está lançando uma ofensiva para regulamentar a propaganda de alimentos com açúcar, sal e gorduras na televisão, licenciando a sua veiculação apenas para após as 21h, horário em que as crianças assistem menos televisão.

A propaganda de fast-food, guloseimas e sorvete, biscoitos, bolos e doces, refrigerantes e sucos artificiais constitui-se em 72% dos anúncios de alimentos veiculados na televisão.

Quase sempre esses anúncios são associados a personagens de programas assistidos pelas crianças, inclusive em desenhos animados que anunciam alimentos sedutores do público infantil.

Diz o Ministério da Saúde que não é uma questão de cercear a liberdade de expressão, mas sim de regular uma prática publicitária de mercado.

Uma das coordenadoras da pesquisa sobre esse tipo de propaganda, Elisabeta Racine, propõe que quem tem até 12 anos não consegue discernir entre o que é desenho animado e o que é propaganda de um produto apresentado por um personagem desses. “A criança”, diz ela, “não tem esse filtro. A televisão é chave na formação de hábitos dos pequenos, por isso é preciso controlar a propaganda de alimentos, sim”.

Assim como a propaganda de cigarro na televisão é obrigada a acrescentar aviso sobre os males de saúde que encerra o tabagismo, o Ministério da Saúde quer que, em anúncio de alimento com altas taxas de açúcar, tenha de ser exibida mensagem de que há risco de o consumidor desenvolver obesidade e cárie dentária.

E no caso de anúncio com alimentos que contenham muito sal, um aviso de que pode causar problemas de pressão alta e doenças do coração.

É mais uma das brigas a que se atira o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele já comprou encrenca com o cigarro e as cervejas, envolvendo até atrito com o cantor Zeca Pagodinho.

Ele tem a idéia fixa de que a sedução que certos produtos exercem sobre os consumidores, quando são pregados por anúncios bem elaborados pela arte publicitária, tromba muitas vezes com a saúde pública.

Realmente, não só em crianças, como também em adultos, certas delícias nos chamam para devorá-las ou bebê-las quando expostas em colorido musical da televisão.

Dá vontade de a gente beber e comer o que está sendo anunciado.

E, como tudo que é bom, cigarro, bebida, em suma, todos os prazeres são nocivos à saúde, agora chegou a hora dos alimentos.

Não é por outro motivo que um dos sete pecados capitais é a gula.

                                                                 *Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Reciclagem teórica

27 de junho de 2008 5

Paulo Franken, Banco de Dados

Abaixo, e-mail do leitor Alfredo F. Schmitt (regdall@terra.com.br).

“Prezado Paulo,

Depois de ter a habilitação suspensa por excesso de pontos, tive que realizar um curso de reciclagem teórica de 30 horas. Quero dizer que foi ótimo fazer a reciclagem. Recobrei minha licença, acertando 27 das 30 questões da prova.

Fora algumas perguntas — que me deram a impressão de buscar não o conhecimento, mas a capacidade de se decifrar textos —, achei muito produtivo o curso. Acho até que, do mesmo modo que cursos de treinamentos são repetidos periodicamente em empresas, um curso de reciclagem de 10 horas deveria ser obrigatório a cada cinco anos, para todos os motoristas.

Acho que o resultado seria melhor que todas as campanhas de consciência no trânsito.

Postado por Sant`Ana

Tolerância zero

27 de junho de 2008 39

Arte ZH

É imenso o número de prisões a motoristas que dirigiam alcoolizados no RS. Foram 120 para a cadeira em seis dias. Cerca de 20 por dia. O número é enorme.

Então, a intimidação da medida começa a surtir efeitos. As pessoas que achavam que não haveria fiscalização tem que ter em mente que ela está ocorrendo. e vai se tornar ainda mais rigorosa. Neste final semana, serão destacados mais de 700 agentes da polícia para controlar as estradas. O que quer dizer que não vai dar mesmo para dirigir com álcool no sangue.

As pessoas tem que ter em mente isso. Terão que mudar os seus hábitos. o comandante da BM disse que não houve fiscalização especifica, com essa finalidade, e que as pessoas caíram na malha das prisões naturalmente.

Quando um individuo se recusa a fazer o teste de bafômetro, o próprio policial, se constata que há sinais claros de embriaguez, aplica a multa de R$ 955.

A lei veio pra valer. Não dá mais para beber em restaurantes e bares e sair dirigindo. Pelo cálculo, são 20 pessoas presas por dia!

Olha, nunca houve nada parecido.

Tem que soar o alarme na consciência das pessoas para que se evitem essas prisões, pois não são bandidos, mas sim pessoas comuns.

Tá séria a coisa!

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje sobre o assunto

Postado por Sant`Ana

O minhocão dos bebuns

27 de junho de 2008 37

Este será o segundo fim de semana da vigência da lei de tolerância zero para o álcool no sangue dos motoristas.

Os bares e restaurantes, inteiramente prejudicados pela nova lei, já estão bolando medidas para tornar seus negócios viáveis.

Poderão tanto instalar beliches para depositar os clientes que se embriagaram até que passem os porres quanto deverão organizar um sistema de transporte dos clientes embriagados para suas residências.

Seria uma linha circular de ônibus articulados, tipo minhocão, que cumpriria um sistema circular pela cidade, arrecadando de bar em bar, de restaurante em restaurante, de churrascaria em churrascaria, os clientes embriagados.

Os ônibus seriam dotados de macas, parece que estou vendo os clientes sendo retirados dos bares e restaurantes sob a vista de todos, de macas.

E sendo acondicionados todos eles em nichos, tipo prateleiras, dentro dos ônibus, que conterão desfibriladores e oxímetros, além de tubos de oxigênio que socorrerão os casos mais graves de embriaguez.

Os ônibus serão tripulados por enfermeiros titulados em primeiros socorros e síndromes etílicas.

Os libadores contumazes poderão se organizar em cooperativas de transporte dos bares e restaurantes para suas residências.

Pagarão uma mensalidade e terão direito a atendimento diário, tipo Ecco Salva. Telefonarão para a central de atendimento e darão a localização do estabelecimento em que se entregarão à beberagem, que serão visitados de hora em hora pelos enfermeiros, que verificarão se já ocorreu o nocaute dos bebedores, quando serão acionadas as macas e outros equipamentos.

Já está provado que as pessoas normais costumam ser moderadas na quantidade de álcool que ingerem em bares e restaurantes, justamente para se acautelarem do detalhe que terão de dirigir para voltar para casa.

Com a nova lei, como não poderão dirigir depois de beberem nos bares e restaurantes, em face de que terão atendimento médico nos ônibus coletores, afundarão em porres homéricos, na certeza de que serão entregues sãos e salvos em seus domicílios pelas equipes de socorros.

A lei, que parecia ter o condão de conter o consumo do álcool, pode afinal vir a expandi-lo.

Tendo a certeza de que se cercarão de todas as garantias médicas e de transporte para retornarem para suas casas após a libação, os bebedores sociais se transformarão logo em seguida em bêbados inveterados.

Pode sair o tiro pela culatra.

Desde que não dirijam.

Em zonas noturnas de altíssimo consumo de álcool, como a Rua Lima e Silva e adjacentes, a Rua Fernando Gomes, a Calçada da Fama, e adjacentes, a Rua Padre Chagas, haverá, em face do altíssimo número de bebuns que teimam em concentrar-se nesses pólos, estandes médicos equipados com UTIs e albergues, todos impeditivos de que os pacientes alcoolizados insistirem em dirigir.

Os próprios bares e restaurantes poderão adquirir bafômetros para examinar seus clientes, ir controlando-os aos poucos – e encaminhá-los para os serviços de atendimento e recolhimento competentes, conforme o índice de alcoolemia que apresentarem.

São apenas algumas das medidas que podem vir a ser adotadas às dezenas, para adaptação dessa nova lei repressora, que inaugura novos hábitos entre a população, os novos costumes que advirão com a revolucionária norma que está abolindo com os últimos prazeres das pessoas, que eram tomar um chope gelado num bar ou um vinhozinho nos restaurantes.

Nessa escalada regulatória, em breve será proibido beber em casa, no que por sinal farão muito bem os guardiões da ordem pública, pois não há nada mais sem graça do que beber em casa.

Sendo assim, vão ter que continuar saindo para beber na rua, se é que lhes permitem os legisladores esse prazer derradeiro.

Mas com o cuidado de não poder terminantemente voltar para casa dirigindo.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

11 horas de embriaguez

26 de junho de 2008 19

Na Zero Hora de hoje, uma reportagem com especialistas mostra que os vestígios do álcool, em algumas pessoas, permanecem no organismo por até 11 horas. Nesse caso, a pessoa não pode sequer beber na noite anterior, pois na manhã seguinte estará sujeita à prisão.

Veja meu comentário sobre o assunto:

Postado por Sant`Ana

Quem dirige não vai poder beber nunca!

26 de junho de 2008 20

Surgiu uma notícia assustadora essa semana. O álcool poderia permanecer no sangue durante 24 horas.

Eu me preocupo muito com essa polêmica da Lei de tolerância zero ao Álcool no sangue dos motoristas, porque este é um assunto de todas as rodas. Em qualquer parte que você vai as pessoas estão falando nisso.

Mas agora especialistas entrevistados por ZH, entre eles, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, que há muitos anos se dedica a esse tema no hospital Mãe de Deus, diz que, dependendo do organismo de uma pessoa, o álcool pode permanecer até onze horas circulando nas véias de quem bebeu.

Isso quer dizer: quem dirige não pode beber nunca, porque ele vai dormir e, mesmo depois de algumas horas, quando for sair de manhã ainda vai ter álcool no sangue.

E se for flagrado, será preso.

É impressionante o rigor dessa lei.

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje sobre o assunto

Postado por Sant`Ana

Transtornos

26 de junho de 2008 45

Arivaldo Chaves, Banco de Dados - 05/06/2008

Esta nova lei do álcool no sangue dos motoristas já começou a me causar transtornos.

Assim como receitaram todos, contratei um motorista para me trazer de volta todas as vezes que eu for a um restaurante para jantar à noite.

Lá fomos eu e o motorista, anteontem, ao restaurante.

Não é meu feitio deixar um motorista dentro de meu carro, enquanto eu como um churrasco com alguns chopes. Convidei então o motorista para jantar comigo.

Ao final da janta, o motorista estava completamente embriagado.

A cena final foi ridícula: eu e o motorista voltando a pé para casa, o motorista cambaleando e eu a ampará-lo.

Agora já decidi, vou agir como a cronista Martha Medeiros anunciou ontem em sua coluna, quando for jantar fora, como ela não abdica de tomar duas taças de vinho, irá de táxi.

Mas vou tomar uma cautela: estou adquirindo um bafômetro para testar meu taxista.

Em princípio, os bares e restaurantes vão se prejudicar muito com a tolerância zero para o álcool no trânsito, principalmente nos fins de semana.

E, em princípio, os taxistas vão se beneficiar com a medida.

Mas ainda não há alarma na sociedade com a nova lei, embora eu, por exemplo, esteja recebendo muitos e-mails protestando pelo excessivo rigor da norma legal que passou a viger esta semana.

É que as pessoas com quem converso me dizem que no início há rigor, mas logo em seguida relaxa-se a fiscalização.

Não creio. A lei, assim como está, vai estimular a fiscalização a ser muito mais aplicada em seus misteres.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana