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Posts do dia 24 setembro 2008

Ainda o homem traído

24 de setembro de 2008 12

O homem traído vive e respira a traição de sua mulher. Se sua mulher fosse fiel, se tornaria completamente enfadonha ao homem traído, ela só o interessa agora e o empolga por não ser sincera (já escrevi sobre a intrínseca e sedutora capacidade da mulher de fingir e a atração que o fingimento feminino exerce sobre o homem). 

É da natureza da mulher fingir. Aquela ali que passa no corredor do shopping e atrai a atenção de todos nos arredores da zona de alimentação usa uma mentira, se quiserem, um fingimento, para se tornar assim um objeto de fascínio dos homens: ela usa sandálias espetacularmente altas.

Se usasse tênis, ninguém jogaria um só olhar para ela, penso enquanto a observo deixando tontos os homens que a seguem com olhares voluptuosos.

No entanto, parece a todos no shopping absolutamente natural que aquela mulher esteja aumentando artificialmente a sua altura em 12 centímetros com aquele salto alto que a faz andar com uma sensualidade capaz de, agora, neste instante, fazer um rapaz sujar-se todo com o sorvete, distraído por aquela aparição fulminante da gata estupenda.

Então é dado o direito de fingir à mulher: esta do shopping finge que é alta e os homens se põem loucos a mirá-la. Todos sabem que ela ficará insignificante se descer das sandálias. Mas o que eu quero observar é que a mulher é tão mais atraente para os homens quanto mais finge.

Mais ali adiante outra fingirá que tem o rosto estonteantemente belo porque usa uma maquiagem de Cleópatra. Não importa a nenhum dos embasbacados homens que se deslumbram com seu rosto adornado por aqueles vivos, inquietos e desafiadores olhos que certamente a beleza daquela mulher se desmerecerá e ruirá desvanecida como uma miragem, caso ela se despoje das tintas magnificamente artesanais, porém claramente artificiais, da sua maquiagem.

Porque o homem vê e quer a mulher como uma fantasia. O homem valoriza a mulher pelo poder que ela tenha para seduzi-lo, enquanto não for sua, e o poder que terá para seduzir os outros homens e incutir-lhes inveja de si, seu dono, depois que ela for sua.

Voltando ao homem traído, que se encaixa perfeitamente na tese de que a grande atração da mulher é o fingimento. O grande êxtase do homem traído é a extraordinária capacidade de afetação da mulher que o trai: ele se ergue, se alimenta, se alegra e se realiza com o grande aparato de palavras, de gestos e desculpas que lhe lança a mulher no seu jogo de delícias dissimulatórias.

“Me engana que eu gosto” não é uma frase sem conteúdo ou significação. É uma das frases mais importantes das relações humanas. Uma mulher que não minta, que não finja, que não tenha segredos impublicáveis, eis aí uma mulher absolutamente desinteressante para um homem.

Um homem pode até não gostar de saber que é traído, mas ele só nutre entusiasmo por uma mulher quando pairar sobre ele, mesmo remota, a ameaça de ser traído. Aí é que ele se esmerará em cuidados, atenções, carinhos, homenagens a esta mulher, de tal sorte que tentará, por todos os meios do seu engenho, superar todo e qualquer eventual e intruso vulto que possa vir a substituí-lo no coração e no desejo dela.

Já o homem que sabe que é traído passou do estágio magnificamente alentador, extraordinariamente orgástico do homem que tem dúvida se é traído, a maior delícia da existência.

O homem que é traído realmente, este passa a nutrir-se de outra forma de realização: a esperança de que a mulher que o trai capacite-se em tempo muito próximo de que sua traição redundará finalmente numa grande decepção: o rival intrometido, na avaliação dela e presunção dele, não tinha condições de superar nem emocional nem corporalmente o homem desperdiçadamente traído.

E junto com isso os saborosos encantos da mulher que trai, a mentira ferina, a lânguida dissimulação, os artifícios todos para escapar da vigilância, as farpas de falso ciúme, essas emocionantes fibrilações que adubam o romance e a empreitada da reconquista.

Uma prova de que o fingimento, a afetação e a mentira inspiram piedade ou admiração na mulher e asco quando emanam do homem o Brasil teve tempos atrás. Quando foram acareados Antonio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda e a diretora Regina Célia, os três envolvidos numa fraude no sistema de votação do Senado Federal.

Os três estavam meticulosamente preparados para fingir e mentir. Os dois senadores nos causaram revolta.

Regina Célia nos inspirou simpatia e compaixão.

Porque pertence à natureza intrínseca da mulher e a seu congênito encanto de feminilidade o direito inalienável de fingir e de até mentir.

* Texto publicado em 03/05/2001 em Zero Hora

Postado por Sant`Ana

Onde tem dinheiro tem corrupção

24 de setembro de 2008 9

Um absurdo o desvio das verbas da Lei de Incentivo à Cultura.

Assista ao meu comentário no Jornal do almoço:

Postado por Sant`Ana

Interesses distintos

24 de setembro de 2008 4

O Internacional quer entrar na Libertadores e o Grêmio quer ser campeão. O tricolor declina, o colorado avança. Que fim terá isso?

Assista ao meu comentário no Jornal do Almoço sobre o assunto:

Postado por Sant`Ana

Eu queria Nilmar no time do Grêmio

24 de setembro de 2008 17

Ontem a tarde, eu estava dentro do meu carro a espera do horário do médico, na Rua Monteiro de Carvalho, em Porto Alegre, e ouvia música quando veio um rapaz, se esgueirando pelo edifício, em direção a calçada. Parecia esperar alguma coisa. Olhei bem para ele e o identifiquei: Nilmar.

Um rapaz alto, esguio, esbelto, magro e de uma agilidade espantosa. Ele estava esperando um táxi. Pensei comigo: nos pés desse jogador está a decisão do Gre-Nal.

Ontem, no Sala de Redação, o Kenny Braga disse que se ele tivesse que escolher um jogador do Grêmio, para jogar no Internacional, ele escolheria o Vitor. E eu pensei comigo: se eu tivesse que escolher um jogador colorado para o Grêmio, eu escolheria o centroavante Nilmar.

Ele soa o retrato da realidade financeira dos dois clubes, que é muito mais sorridente para o Inter do que para o Grêmio.

O Inter foi buscar Nilmar e conseguiu mantê-lo a peso de muito dinheiro. O Grêmio não. O Grêmio tem um centroavante baratinho, o Marcel, que nos últimos jogos não vem com bons desempenhos.

Não sei como será o Gre-Nal, mas se o Vitor defender as bolas chutadas pelo Nilmar, sabe lá se o Marcel não consegue enfiar um gol no Clemer.

Acredito que será pelos pés dos centroavantes e pelas mãos dos goleiros que esse Gre-Nal se decidirá.

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Mesmo número de mortes

24 de setembro de 2008 36

Marcos Nagelstein

Leio que baixa a cada mês a queda nas mortes por acidentes de trânsito após os três meses de vigência da Lei Seca.

E também baixa a cada mês a queda no número de acidentes de trânsito após a vigência da Lei Seca.

Ou seja, depois do estrépito inicial, a Lei Seca começa a revelar efeitos da ineficácia de sua implantação. 

É impositivo que se crie uma norma legal que obrigue parlamentares ou governantes que criem leis que tornam mais rígidas as normas penais que apontem recursos para o funcionamento da nova legislação.

O Congresso Nacional tem-se esmerado em legislar sobre endurecimento das penas sem prever recursos de fiscalização, policiamento e vagas nos presídios.

Quanto mais rígido for o sistema penal, como no caso desta Lei Seca e de dezenas de outras que têm partido do Congresso e do Planalto, algumas criando crimes, maiores terão de ser os recursos de pessoal, dotações de efetivo policial e penitenciário para aplicar as novas e mais enérgicas penas, sob pena de assistirmos ao que está acontecendo com a Lei Seca: ela está perdendo o seu sentido, mês a mês, que era o de diminuir as mortes no trânsito e os acidentes de trânsito. 

Assim como os parlamentares não podem criar leis que aumentem as despesas do erário, não poderiam legislar sobre medidas incompatíveis com os recursos materiais e pessoais de que dispõem as autoridades do Executivo.

Não há bafômetros, não há policiais suficientes para exercer fiscalização nas ruas e nas estradas, não há vagas nos presídios, mas a lei é levada à frente com a ousadia, glória e consagração de seus autores. 

Se fosse só isso, não era nada. Mas agora se verifica que aqui no Estado permaneceu o mesmo número de mortos em acidentes de trânsito em relação ao mesmo período do ano passado, quando a lei não vigia.

Mas e os milhares de garçons que foram demitidos em razão da vigência da lei, em restaurantes, bares, lancherias, discotecas etc.? 

E as centenas de restaurantes e bares que fecharam em insolvência por não poderem mais os clientes beber e depois dirigir?

E os estabelecimentos comerciais atingidos vitalmente pela Lei Seca, que cambaleiam em suas finanças e negócios, em estado de pré-falência de seus proprietários, que viram despencar até o desespero os clientes que consumiam bebidas de álcool?

Como é que fica a economia e esse atentado social ao comércio que empregava mais do que emprega hoje ou já não emprega mais ninguém?

Como é que ficam? 

Esta Lei Seca que pretendia atingir os bêbados no volante não previu que atingiria os que bebiam socialmente em bares e restaurantes, provocando uma ruptura nos costumes da população, de tal sorte que a tradição milenar dos brasileiros para ir almoçar e jantar fora de casa foi inteira ou parcialmente extinta.

Tem direito o Estado de assim mudar drasticamente os hábitos das pessoas, acabando com seus prazeres, destruindo a sua confraternização em mesas de estabelecimentos comerciais onde costumavam beber um cálice de vinho ou dois copos de cerveja e foram penalizados com a extinção brutal desse deleite, num tempo de tão poucas alegrias e realizações?

Estamos virando um Estado policialesco em que por leis impositivas ou bisbilhotice as pessoas ficam proibidas de fumar, de beber e até de telefonar.

Quem sempre freqüentou bares e restaurantes e depois pegou no volante e nunca matou ninguém no trânsito, fazendo disso uma diversão e exercitando o direito individual de distrair-se, de repente ficou imobilizado pela Lei Seca castradora de prazeres e que condena as pessoas a serem tristes nos limites dos seus domicílios.

As leis e seus autores têm o direito de normatizar condutas, nunca no entanto dispõem da faculdade de limitar os prazeres e as alegrias das pessoas idôneas ou normais.

E se jactavam os pregadores e criadores da Lei Seca que iam infernizar os comerciantes e os clientes de bares e restaurantes em nome de um valor maior, que era o salvamento de vidas.

Mas e agora que aqui no Estado não está salvando vida alguma, quem indeniza a tristeza, a depressão e a clausura dos cidadãos?

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana