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Posts de setembro 2008

Um pedido de desculpas

30 de setembro de 2008 30

Daniel Marenco

Reproduzo abaixo o e-mail do leitor Eduardo Michael Friedrich:

“Caríssimo Sant`Ana,

Gostaria de lhe pedir desculpas por tudo o que a imensa Nação Tricolor lhe criticou.

Sua opinião, apesar de realmente pessimista, é completamente baseada em fatos (ao contrário de certos colegas seus de profissão, principalmente de outros Estados). Gosto muito de lhe ver falar sobre o nosso time. O senhor sabe usar as palavras como poucos, aproveitando-se muito bem da arte da ironia.

Pois talvez seja desse mal que o senhor padeça. Assim como boa parte das manifestações artísticas, a ironia vem se extinguindo. Poucos a compreendem. Menos ainda são os que sabem usá-la. E, num país onde a educação é ridiculamente precária, a ironia está se tornando um artificio mitológico da nossa linguagem.

O senhor mesmo fez questão de frisar que os nossos co-irmãos chegaram a acreditar que seriam campeões. Por isso, nota-se que o problema da incompreensão da ironia não é específico do torcedor gremista, mas é também de todo o nosso Estado, quiçá do país.

Estes que o condenam são aqueles que pouco, ou até mesmo nada, entendem das suas maravilhosas ironias. Estes são aqueles que não sabem o poder da sua palavra, e toda a repercussão que esta traz. Estes mesmos acreditam que apoiar o time durante os 90 minutos do jogo é o mesmo que apoiar de segunda a segunda, até mesmo com o time tomando um vergonhoso 4 a 1 do seu mais tradicional rival.

Por isso, senhor Sant`Ana, peço-lhe que os perdoe, e cito uma famosa frase bíblica: “Perdoai-os, ó Pai, pois eles não sabem o que fazem”.

Gostaria também de aproveitar o espaço para pedir-lhe que continue duvidando do nosso querido Imortal. A desconfiança, aquela mesma que paraiva nos arredores do Olímpico no começo do campeonato, após um mês de intertemporada e duas eliminações prematuras, deve manter-se agora até o final do campeonato.

O time precisa sentir-se mais uma vez humilhado, ultrajado, ridicularizado. Já vimos que somente assim os “operários” e seu excelentíssimo “patrão” conseguem tirar o que de melhor têm. E ninguém melhor que o senhor para aumentar a desconfiança sobre eles.”

Postado por Sant`Ana

É hora de reagir!

30 de setembro de 2008 24

É preciso mudar para voltar à liderança do Campeonato Brasileiro! Assista:

Postado por Sant`Ana

Não estamos imunes

30 de setembro de 2008 8

Richard Drew, AP

O mercado mundial de ações está desabando por força da queda da bolsa norte-americana. Com essa crise financeira nos EUA, os especialistas aconselham, para quem tem ações na bolsa, que tenham paciência, coragem e sangue frio. Como é que uma pessoa vai ter essas três coisas se a cada dia vê que o seu dinheiro está se reduzindo a pó?

Mas é preciso ter paciência, coragem e sangue frio.

Que situação terrível para quem é investidor!

O momento é parecido com a depressão de 1929. Eu me lembro que quando começou essa crise eu disse: com a globalização, como é que o Brasil pode estar imune a tudo isso?

Já se noticiou hoje que o crédito a longo prazo já começou a sofrer modificações e os juros estão subindo assustadoramente.

Então, meus amigos, o Brasil vai sofrer sim, tristemente, com essa crise.

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Esgota-se até o esgoto do presídio

30 de setembro de 2008 7

Divulgação, Banco de Dados - 05/06/2008

Na próxima quinta-feira, dia 2 de outubro, às 17h, defronte à Igreja Matriz de Viamão, haverá uma manifestação de que participarão várias entidades e instituições viamonenses, visando ao protesto pelas condições de saúde e segurança da população viamonense.

Será uma mobilização dos viamonenses em favor de melhores condições de saúde e segurança para o povo daquele município.

A mobilização está sendo liderada pelo padre Rogério Flores, auxiliado pelo padre Gérson. A paróquia da histórica matriz viamonense é o centro dessa manifestação.

E o motivo que levou a essa mobilização dos paroquianos e das outras entidades representativas do tecido social viamonense foi o assassinato de Carlos Alberto Grando, um paroquiano com intensa atividade religiosa, uma pessoa muito querida na comunidade, que no dia 16 de setembro passado foi baleado por um assaltante em Viamão, vindo a falecer ontem pela madrugada, depois de dramático internamento na UTI do Hospital Cristo Redentor.

Segundo o pároco, o mesmo senhor Grando, falecido em face da bala assassina do assaltante, lutava intensamente para que fosse punido um outro criminoso. Dessa vez, o assassino de um filho seu, a cujas vestes foi ateado fogo para cometer o bárbaro crime. 

Será uma manifestação pacífica, manda-me dizer o padre Rogério. Será uma manifestação apartidária, voltada apenas para a paz, a saúde e a segurança da população viamonense.

O pároco viamonense brada que “basta desta barbárie que a todo momento está ceifando as vidas de pessoas, basta deste mundo do crime organizado que se implantou em nossa sociedade e está nos levando para o caos e o fundo do poço”.

“Basta dessas organizações do tráfico de drogas que já foram alertadas pelo papa Bento XVI de que terão de prestar contas a Deus do mal que estão fazendo. Basta da indústria do seqüestro, do roubo de cargas e de toda a ladroagem nos altos escalões dos poderes públicos e outras instâncias que nos estão levando a nenhum lugar. Sem exagero, a esses segmentos do crime e do mal, queremos dizer-lhes que o inferno não lhes será apenas uma possibilidade na vida eterna, mas os seus autores já começaram fatidicamente a edificar este inferno aqui em nosso mundo”, acrescenta o pároco de Viamão.

E convoca todos os cidadãos e cidadãs do município para pacificamente erguerem sua voz por urgente melhoria nas condições de segurança e saúde de Viamão.

Será depois de amanhã, dia 2, às 17h, por iniciativa de membros da Igreja, o início dessa mobilização da sociedade civil viamonense, traumatizada com os assassinatos que ocorrem em seu município. 

Quando vejo assim sacerdotes e religiosos mobilizarem seus fiéis e a sociedade para que se ponha um basta na insegurança e condições precárias de saúde reinantes em nosso meio, sou obrigado a entender que os governos e demais poderes públicos precisam urgentemente comover-se e reagir contra estes colapsos.

Na semana passada, setores do Ministério Público cogitavam de interditar o Presídio Central. Como tanto temos insistido, não pode haver segurança pública sem vagas nos presídios.

O Presídio Central é um monumento ao descaso de sucessivos governos. Agora, com 4,5 mil presos, com capacidade para menos de um terço desse número, entrou em fadiga séria e definitiva o sistema de esgoto daquele estabelecimento penitenciário.

Só podia entrar. O Presídio Central recebe diariamente 40 presos. Há dias em que cem presos são recolhidos. Juntando-se a uma população carcerária que vive em infamantes condições de sobrevivência e segurança, assistidos por agentes penitenciários e policiais militares que vêem seus nervos se estressarem e suas mentes entrarem em depressão pelo que acontece lá.

E nenhuma reação pronta e enérgica parte do poder público. Nada. O Presídio Central está implodindo.

E como há de querer-se que nas ruas haja assim segurança, se nem lugar para os presos existe mais em nossos limites?

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Uma falsa liderança

29 de setembro de 2008 65

Chamaram-me de pessimista. Eu sou clarividente. Previa o que estava por vir. Eu sabia, mas a torcida do Grêmio, coitada, não sabia!

Postado por Sant`Ana

Minha voz está só

29 de setembro de 2008 111

Daniel Marenco

É muito difícil, quase impossível, haver restrição a uma arbitragem quando o escore é de 4 a 1 no Gre-Nal. No entanto, deixo registrado a minha observação sobre os dois primeiros gols do Internacional. Duas faltas inexistentes que redundaram nos dois primeiros gols do Inter. Quando estava zero a zero, ele inventa uma falta que absolutamente não existiu e D´Alessandro fez um belíssimo gol. Quando estava um a um, endureceu o jogo e ele inventa outra falta e deixa que os jogadores colorados cobrarem enquanto o Grêmio pede barreira.

Então é impossível resistir a essa volúpia da arbitragem para favorecer o time que está com o estádio lotado. É verdade também o pênalti claro de Clemer sobre Marcel, mas fica a minha voz solitária.

Uma liderança, que antes era de seis pontos, virou pó.

E a cegueira do treinador Celso Roth? O atacante Marcel, que não vem jogando nada, é o único que não é substituído. E por que que contrataram Morales? Por que que contrataram esse atacante? Se Marcel não vem jogando nada e o centroavante uruguaio fica no banco? Foi contratado para ser reserva?

É difícil de fazer futebol jogando cinco, seis, e sete partidas com um centroavante inútil dentro do campo. Falta liderança e lucidez ao treinador gremista.

Outra conseqüência funesta da arbitragem: Tcheco não jogará os dois próximos jogos. Uma arbitragem desastrosa a desse gaúcho que eu não sei de onde é que veio.

Mas a minha voz fica muito pálida, solitária, sem autoridade diante dos 4 a 1.

Parabéns aos colorados!

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

A desastrosa arbitragem do Gre-Nal

29 de setembro de 2008 109

David Coimbra, Guerrinha e eu, comentamos o jogo de ontem, aqui, na redação de Zero Hora. Ouça a minha opinião sobre o árbitro do clássico. Que nunca mais apareça por aqui este árbitro. Nunca mais!

Postado por Sant`Ana

Liderança virou pó

29 de setembro de 2008 162

Daniel Marenco

Quinta-feira passada, no Sala de Redação, eu disse o seguinte: Se há alguma conspiração no comando das arbitragens para tirar o Grêmio da liderança, suspeita que se levantou ao não ser marcado um pênalti claro sobre Soares em Curitiba, o beneficiado dessa montagem será o Internacional no Gre-Nal do próximo domingo. O Internacional não tem nada a ver contra esse suposto complô, mas ele será o beneficiado, desde que o que se pretenderia centralmente com essa armação era afastar o Grêmio da liderança. Lucra quem joga contra o Grêmio e quem joga contra o Grêmio no domingo é o Internacional”. 

Se havia esse complô, foram achar um árbitro gaúcho de fora para apitar o Gre-Nal. Pariram esse árbitro gaúcho para apitar o Gre-Nal.

Antes do Gre-Nal, o árbitro gaúcho que apitou o clássico ainda disse o seguinte à reportagem: “Devo confessar que tenho uma irmã que é torcedora do Internacional”.

Gelei.

Pariram um árbitro gaúcho que não mora aqui para apitar o Gre-Nal. Que ventre produziu tão feio parto? 

Bem, então vamos à participação do árbitro na goleada de ontem. Para que o D’Alessandro fizesse aquele belo gol de abertura do escore, esse lance foi originado por uma falta de um jogador gremista na intermediária.

Rigorosamente não houve a falta. O defensor gremista nem encostou no jogador colorado.

Mas foi cobrada a falta e saiu o primeiro gol. 

No segundo gol colorado, outra falta contra o Grêmio. Quando grande número de jogadores gremistas se preparava parar armar a barreira e o árbitro se aprestava para organizar a barreira, cobraram a falta e o juiz, em vez de ir armar a barreira como já tinha se designado, deixou a bola correr.

Quando o time que fez a falta pede para armar a barreira, o juiz tem de ir organizar a cobrança de falta com barreira. Pára o jogo. 

E o juiz não parou.

Já temos aí duas irregularidades em dois gols do Internacional. 

No terceiro gol do Inter, nada de irregularidade. Gol legítimo de Índio. Só não sei como o Celso Roth, sabendo que o Índio é goleador nessas bolas aéreas, não designou ninguém para vigiá-lo. Omissão do treinador do Grêmio e de seus zagueiros. 

Finalmente, o quarto gol do Internacional: Nilmar estava impedido, à frente uns 10 centímetros do defensor gremista que o custodiava.

O árbitro encheu, desde o início, os jogadores do Grêmio de cartão amarelos. Foi minando a confiança do time do Grêmio.

Se havia armação do comando de arbitragens para beneficiar Palmeiras e Flamengo, este árbitro do Gre-Nal cumpriu rigorosamente com seu papel.

Não foi só no Gre-Nal que a atuação do árbitro influiu decisivamente. Ele deu um cartão amarelo para Tcheco e mais tarde deu um outro cartão vermelho para Tcheco, expulso junto Edinho.

As melhores informações dizem que Tcheco não jogará o próximo jogo pelo cartão vermelho e nem o seguinte por força do segundo cartão amarelo.

Ou seja, o árbitro gaúcho que não mora aqui foi trágico para a liderança ou vice-liderança do Grêmio. Tcheco não joga as próximas duas partidas.

Serviço completo do árbitro, validou várias irregularidades nos gols colorados e desfalcou o Grêmio para as próximas partidas.

Que nunca mais apareça por aqui este árbitro. Nunca vi tão desastrado.

E como o jogo resultou em uma goleada, isso tudo passou despercebido a todos e vamos em frente.

Lucrou o Inter, que deu a sorte de ser adversário do Grêmio quando a conspiração se voltou contra a liderança tricolor. 

Mas é merecida a queda do Grêmio da liderança. Há vários jogos o Grêmio vem atuando com 10 jogadores, Marcel é absolutamente inútil. Inútil! E Celso Roth não vê isso? Como é que um treinador não enxerga isso? E quando é que vai botar em campo o uruguaio Morales?

Celso Roth, de grande influência na liderança que o Grêmio tinha construído até ontem, agora está sendo o responsável pela queda do time. Responsável direto.

Não ver que o Marcel é uma nulidade é injustificável incompetência do treinador gremista.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Três mulheres e um só lugar

27 de setembro de 2008 21

Preteou o olho da gateada. A pesquisa divulgada hoje pelo Ibope tem vários flagrantes surpreendentes.

O primeiro é que na pesquisa anterior a diferença entre Manuela D’Ávila e Maria do Rosário era expressiva, a favor da primeira.

Mas agora, embora Maria do Rosário não tenha crescido, houve queda de Manuela D’Ávila, pelo que as duas se mostram, pela pesquisa, em empate técnico. Manuela D’Ávila tem 19 pontos e Maria do Rosário 16.

                                                             ***

Como qualquer criança sabe, as pesquisas erram. E as três pesquisas que têm sido publicadas mostram discrepâncias. Será preciso confrontar esta pesquisa do Ibope publicada hoje com as outras duas que virão a seguir.

No entanto, embora se deva demonstrar cautela frente aos índices, o jornalismo não pode ignorar as pesquisas.

E esta pesquisa do Ibope divulgada hoje mostra uma mexida séria na eleição.

                                                             ***

Já vimos então que o primeiro dado impactante da pesquisa de hoje do Ibope é que endureceu a disputa pelo segundo lugar no primeiro turno, isto é, sobre quem acompanhará Fogaça no segundo turno.

O favoritismo para essa posição era de Manuela D’Ávila nas pesquisas anteriores. Agora não é mais, embora ela continue com três pontos à frente de Maria do Rosário, essa diferença decaiu, apesar de que a candidata do PT não tenha crescido.

Mas como Manuela perdeu pontos, as duas agora estão no que se convencionou chamar de empate técnico, o que deve ter sido saudado com estrépito nas fileiras petistas.

Manuela com 19 pontos, Rosário com 16 pontos, preteou o olho da gateada.

                                                              ***

O outro dado estupefaciente da pesquisa do Ibope de hoje é que, na projeção para o segundo turno, José Fogaça cresceu intensamente.

Algumas pesquisas, antes, chegavam a acusar empate técnico entre Fogaça e Manuela para a hipótese de que se defrontassem em um segundo turno.

E agora a projeção para o segundo turno mostra Fogaça com 52 pontos, enquanto Manuela tem apenas 31 pontos.

Ou seja, Fogaça cresceu abundantemente e Manuela caiu na mesma intensidade. Um subiu, a outra entrou em declínio.

                                                             ***

Além disso, pela primeira vez em pesquisas, Maria do Rosário passou à frente de Manuela em um aspecto: a diferença entre Fogaça e Manuela na projeção de um segundo turno é maior do que a que separa Fogaça de Maria do Rosário.

Traduzindo, o que parecia ser antes inviável, aconteceu: embora com pequena margem, esta pesquisa do Ibope de hoje mostra que Rosário é mais candidata que Manuela para um segundo turno, a candidata do PT teria 34 pontos num segundo turno, enquanto Manuela ficaria com apenas 31.

Apesar de que a diferença entre Fogaça e as duas, na projeção de um segundo turno, seria de 21 pontos com relação a Manuela e de 16 pontos com relação a Maria do Rosário, não deixa de ser espetacular que, de repente, Maria do Rosário ofereceria maior resistência a Fogaça num segundo turno do que Manuela.

Nas pesquisas anteriores, dava-se o contrário, Manuela era a mais cotada para enfrentar Fogaça no segundo turno.

Manuela deverá hoje estar torcendo o nariz para esta pesquisa, Maria do Rosário, embora não tenha crescido, repito porque é importante, com certeza comemora esta projeção do Ibope e vai incendiar esta eleição.

                                                             ***

Outro dado significativo da pesquisa é o crescimento de Luciana Genro. Ela agora tem 10 pontos, seis apenas a separam de Maria do Rosário. Porque a candidata do PT estagnou na pesquisa e Luciana Genro cresceu meteoricamente.

Ou seja, Manuela caiu, Luciana Genro cresceu, Fogaça cresceu, Maria do Rosário estagnou mas viu sua mais séria rival, Manuela, cair lá de cima e despencar no seu colo na luta acirrada, sempre em face da pesquisa de hoje, pela segunda colocação.

                                                             ***

Aparentemente, Fogaça tem lugar garantido no segundo turno, salvo grande surpresa.

Mas ninguém mais tem lugar garantido no segundo turno, como parecia que Manuela vinha tendo nas pesquisas anteriores.

Nos debates que acontecerão esta semana, tudo pode acontecer com as três peças femininas que disputam o segundo lugar, portanto um só lugar no segundo turno.

Vai ser uma luta de pranchaços e coronhadas nos debates entre as três candidatas.

Saiam da frente, que preteou o olho da gateada.

Tudo, é claro, lembrando que as pesquisas muitas vezes erram.

                                                       
                                    * Texto publicado na página 59 de Zero Hora dominical


                                                                                 

Postado por Sant´Ana

O sono na direção

27 de setembro de 2008 2

Repercutiu bem a coluna de ontem, quando aconselhei a todos os passageiros de ônibus que conversem com o motorista durante o trajeto.

Não deu outra: o motorista do caminhão que ia em direção ao Chuí e bateu no ônibus depôs ontem que dormiu muito pouco antes da viagem.

Foi o que calculei: quem está na estrada às 6h da manhã, seja no fim ou no início do trajeto, em qualquer caso está com sono: por não ter dormido ainda ou por ter dormido pouco antes de sair.

Sei porque já senti sono dirigindo em viagem turística. E teimosamente queria levar a viagem adiante. Outras vezes foi tão nocauteador o sono, que parei à margem da estrada e dormi por cerca de uma hora.

Imaginem o caso dos caminhoneiros e dos motoristas de ônibus que são obrigados a cumprir o trajeto dentro de determinado horário, não podem parar para dormir. O sono se torna fatal.

Quantas e quantas vezes os motoristas param em postos de gasolina para molhar o rosto e os olhos, com a finalidade de afastar o sono!

 

***

 

Esta sacada que tive de pregar que se converse com o motorista, ao contrário do que pedem os cartazes, me surgiu quando analisei o mais famoso dos soníferos vendidos em farmácia: o Dormonid (receituário azul).

O Dormonid serve também como anestésico nos hospitais. Fui ler a bula do Dormonid: este poderoso remédio para dormir nada mais é do que um inibidor da memória.

Ou seja, nós só não dormimos porque estamos com a memória a funcionar. Se estancarmos a memória, entramos em sono profundo.

Por isso é que, concluo eu, quando temos um problema grave para resolver, não conseguimos dormir. Ou seja, pensamos fixamente no problema, o que quer dizer que nossa memória está trabalhando, em atividade intensa.

Em vista disso, aconselhei que se converse com os motoristas, enquanto eles estão dirigindo, isso estimula o seu raciocínio e espanta o sono.

“Distraia o motorista”, ordenei eu. Quando uma anencéfala idéia corrente quer o contrário, que o motorista não se distraia, nem com o cigarro, mandam os idiotas.

Nada disso, o rádio no veículo é permitido para distrair o motorista. E enquanto estiver distraído, isto é, ouvindo rádio, fumando, conversando, o sono não ataca o motorista.

Às vezes penso que o meu ofício na vida é pensar.

 

***

 

Olhem o que me mandou dizer este leitor: “Bom dia, Sant’Ana. Esta é a primeira vez que me atrevo a enviar um e-mail a você, mas nunca ninguém teve coragem de escrever o que fez você fez ontem com tanta perfeição sobre o que se passa com um motorista de ônibus ou caminhão quando está na solidão de sua cabine. Fui caminhoneiro durante 13 anos e sei muito bem que o silêncio de uma cabine é um convite ao sono, tudo o que pode ser feito para ‘distrair’ o motorista é sempre válido. Parabéns. (ass.) Gilberto Borelli. Tramandaí – RS”.

 

***

 

E esta outra leitora: “Prezado Paulo Sant’Ana, tenho uma relação de amor e ódio contigo, pois às vezes odeio o que escreves, principalmente em relação ao cigarro, que está te matando. Às vezes amo o que escreves (na maioria das vezes). Acabei de ler o teu artigo sobre conversar com o motorista na estrada. Este é o meu lema quando viajo com alguém. Jamais durmo enquanto o motorista dirige, converso coisas amenas, pergunto se está com sono, olho discretamente para o seu lado para ver se está tudo bem. Dirijo, sem interferir, ou seja, cuido a estrada junto com ele, procurando não dar palpites que possam prejudicá-lo na direção. Ao contrário, os outros acompanhantes só sabem dormir, chegam a roncar, sem a menor preocupação. Parabéns pelo artigo e um abraço. (Ass.) Silvia Mucillo (silviamucillo@yahoo.com.br)”.

 

* Texto publicado hoje na página 59 de Zero Hora

Postado por Sant`Ana

Indelicadeza

26 de setembro de 2008 49

Não vou responder à grosseria da candidata Manuela D`Ávila contida em sua entrevista de ZH de ontem por dois motivos:

1) sou obrigado a seguir a regra do cavalheirismo; 2) se fosse responder à altura à indelicadeza da candidata, eu correria o risco de mudar o resultado desta eleição, falecendo-me este direito.

Não vou sair à rua com um tanque de guerra a perseguir uma espingarda.

Em tempo: a candidata Manuela telefonou-me ontem à tarde, pedindo desculpas por sua agressiva resposta a uma singela e inofensiva pergunta minha numa entrevista.

* Texto publicado hoje na página 75 de Zero Hora

Postado por Sant`Ana

Puxe conversa com o motorista

26 de setembro de 2008 7

Reflito respeitosamente sobre o acidente ocorrido ontem na BR-471, colisão entre um microônibus e um caminhão, em que morreram várias pessoas e outras restaram feridas.

Aquela estrada é a maior reta rodoviária no Estado, são 220 quilômetros sem nenhuma curva. Trata-se de um percurso por todos os títulos monótono, maçante, tedioso, que convida os motoristas a dormir no volante, principalmente à noite, quando desaparece a paisagem que distrai quem está dirigindo.

Por sinal, quando, esses dias, na ânsia policialesca que domina os nossos legisladores, noticiou-se que é intenção do Congresso proibir aos motoristas que fumem no volante, reagi imediatamente ao projeto, pregando que, ao contrário do que se pensa, todos os motoristas têm de se distrair no volante.

Querem proibir os motoristas de fumar no volante sob a alegação de que o cigarro distrai quem está dirigindo o veículo.

Mas como? É imperativo que esteja distraído o motorista. Quanto mais distraído ele está, pelo cigarro, pelo rádio ou pela conversa com os outros passageiros ou tripulantes, melhor ele estará preparado para reagir aos incidentes, sem ter seus reflexos estagnados.

O cartaz mais idiota que conheço em matéria de prevenção de acidentes de trânsito é aquele afixado nos ônibus: “Não converse com o motorista”. Isto é de uma burrice total. Isto é de abandonar o motorista a uma solidão que o levará ao sono ou à letargia. Deveria, ao contrário, haver cartazes que dissessem: “Puxe conversa com o motorista”.

Cartaz assim devia existir: “De vez em quando, vá até a cabina e converse com o motorista, distraia o motorista, não deixe que ele se contagie pelo sono dominante entre os passageiros e se mantenha desperto, alerta, acordado”.

Não existe nada mais sonífero numa cabina de caminhão ou de ônibus que o silêncio. É criminoso permitir-se que os motoristas de ônibus e caminhão viajem sozinhos.

E fazem o contrário: quando põem dois motoristas a viajar num ônibus, induzem um deles a dormir. Nada disso, tem de ficar acordado. Motorista de trajeto longo tem de estar acompanhado na cabina ou no banco da frente, tem de cantar, tem de discursar, conversar, discutir, tem de se agitar, não pode viajar em silêncio.

Ao contrário, os cartazes proíbem de conversar com o motorista: estupidez atroz.

Não existe perigo maior nas estradas do que 40 passageiros dormindo nos bancos de um ônibus e um motorista dirigindo só e incomunicável. Nem um super-homem deixa de dormir quando há 40 pessoas dormindo atrás e em torno dele.

E tem de ser proibido, imediatamente, motorista de caminhão, em viagem à noite, dirigir sem companhia no banco da frente.

A solidão é indutora máxima de sono.

* Texto publicado hoje na página 75 de Zero Hora

Postado por Sant`Ana

O implacável sono

25 de setembro de 2008 8

O horário do acidente e as condições daquele trecho da BR-471 me fazem crer que, mais uma vez, o sono foi o reponsável por esta tragédia, que matou seis pessoas (a sétima morreu há pouco, no hospital) nas proximidades de Rio Grande.

Assista ao meu comentário sobre o assunto:

Postado por Sant`Ana

Desolação, outra vez

25 de setembro de 2008 6

Seis pessoas morreram e 20 ficaram feridos em acidente na BR-471/Fernando Halal

Mais uma vez, testemunhamos a tristeza e a desolação após um acidente envolvendo um ônibus e uma carreta. Perto de Rio Grande, na BR-471, um microônibus da prefeitura de Santa Vitória do Palmar colide contra um caminhão, deixando seis mortos e 20 feridos. De novo, um ônibus contra uma carreta. 

O impressionante neste acidente é que o microônibus transportava doentes! Eram pacientes, alguns de hemodiálise, que deixaram Santa Vitória do Palmar, ainda durante a madrugada, para serem atendidos em Rio Grande. Ou seja, os seis mortos que ocupavam aquele veículo estavam, desesperadamente, em busca da vida.

Cada vez mais se polariza o atendimento médico no Rio Grande do Sul. Tratamentos de relativa complexidade ficam restritos às grandes cidades, e os doentes que moram nos pequenos municípios são obrigados, crucialmente, a se deslocar de ônibus, microônibus ou caminhonetas, e assim correm risco de morrer nas estradas — porque cada vez mais se consolida o holocausto no trânsito brasileiro.

Está ficando dramática a situação da saúde no Rio Grande do Sul. Forçado a deixar seu pequeno município, o paciente busca atendimento num grande pólo, onde, invariavelmente, passa a concorrer, na fila, com o doente da cidade maior. É o caso de Porto Alegre e de Rio Grande, como alertou esta tragédia. Que tristeza.

Outra desgraça envolvendo ônibus no nosso Estado. Se não é ônibus escolar, como foi aquele de Erechim, é ônibus de pacientes. De doentes, repito, à procura da vida! Como é difícil atravessar o Estado por essas estradas. Especialmente à noite, muitas vezes debaixo de mau tempo e neblina.

O resultado desta fúnebre combinação de precariedade na saúde e nas estradas é outro acidente que sombreia a crescente estatística de mortes no trânsito gaúcho e brasileiro.

Ouça meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Os danos da Lei Seca

25 de setembro de 2008 30

Os prejuízos incalculáveis que esta Lei Seca causou ao comércio gaúcho são relatados com precisão por um comerciante do ramo de bar-danceteria que escreveu para esta coluna.

Seu relato é apavorante e mostra como nossos legisladores e governantes são insensíveis à realidade social. Infeliz e insensível lei que provoca desemprego, abandono social e falência entre comerciantes que passaram décadas desenvolvendo seu negócio e viram-no ruir por uma lei feita por apressados neófitos.

Eis o relato do comerciante:

“Como assíduo leitor de sua coluna, foi com uma grata satisfação que deparei com as suas manifestações em ZH de 24/09/08 a respeito da Lei Seca.

Aquilo que todos nós já sabíamos acabou ocorrendo. No início, com o assunto dominando as manchetes de todos os veículos de comunicação, sejam eles televisivos ou impressos, houve uma redução nos números de acidentes e mortes no trânsito brasileiro.

Essa redução se deve, não pelo fato de as pessoas terem se conscientizado da importância de não dirigir após consumir bebidas alcoólicas e sim pelo aumento da repressão policial e dos agentes de trânsito pelo país. Além disso, as pessoas deixaram o hábito de sair à noite. Com isso, menos veículos deixaram de circular pelas ruas das cidades.

Portanto, bastava manter a lei antiga e usar o mesmo rigor atual na fiscalização, que os resultados seriam os mesmos.

Como proprietário de um bar-danceteria muito conhecido em Porto Alegre há mais de 20 anos, sinto na pele, como empresário, o lado nefasto dessa lei, que inclui no mesmo patamar assassinos e pais de família.

Meu estabelecimento tinha até pouco tempo atrás 20 funcionários registrados em CTPS, bem como empresas terceirizadas, que empregavam no mínimo mais uns 15 funcionários.

Além disso, existe toda uma cadeia produtiva atrás da minha empresa, como indústria de alimentos e bebidas, atacadistas, distribuidores, micro e pequenas empresas de materiais de limpeza, que viram seus faturamentos despencarem.

Após o advento dessa `maravilhosa` lei, demiti 60% do meu quadro funcional (hoje tenho apenas oito funcionários), rescindi os contratos com as empresas terceirizadas e o faturamento da minha empresa caiu 65%.

Na mesma proporção, caiu o recolhimento de impostos para o município, o Estado e a União.

Num cálculo aproximado, em torno de 70 a 80 pessoas, direta ou indiretamente, dependiam da minha empresa para o seu sustento e a sua sobrevivência. Hoje não mais.

Segundo os dados de nosso sindicato patronal — Sindpoa — Sindicato dos Hotéis, Restaurante, Bares e Assemelhados de Porto Alegre, a categoria, num todo, teve uma queda da ordem de 45% no seu faturamento e as respectivas demissões foram inevitáveis. Cabe ressaltar que o nosso segmento é o MAIOR EMPREGADOR do Estado do Rio Grande do Sul.

Outro fato curioso que estamos verificando em nosso ramo é que os restaurantes, em função da queda brutal no seu faturamento, foram obrigados a reajustar, em alguns casos, em até 200% o preço de suas refeições, para atenuar a queda na venda de bebidas alcoólicas.

Ou seja, o cidadão, além de não poder tomar um mísero chope para não correr o risco de ser preso, ainda terá que arcar com os preços absurdos a que foram levadas as refeições nesses estabelecimentos.

A história recente deste país nos prova que aumento de penalização não se traduz em redução de infração. Quando da tipificação dos crimes hediondos sem direito a fiança, incluindo os seqüestros, tráfico de drogas, não verificamos a queda da redução da criminalidade.

Se aumentarmos a pena máxima de cadeia no Brasil de 30 para 60 anos, sem direito a benefícios, como progressão de pena, não haverá menos assaltos, latrocínios, tráfico de entorpecentes etc., simplesmente porque a pena aumentou.

Quem comete esses delitos não está preocupado com a pena.

Assim também é em relação aos `assassinos do volante`. Quem é alcoolista, dirige embriagado, não está preocupado com barreiras policiais, bafômetros, multas pesadas, prisão. Ele irá continuar bebendo, dirigindo e matando nas ruas e estradas da cidade.

Portanto, o que essa lei conseguiu foi misturar pais de família que NUNCA cometeram crimes mas viram seu lazer familiar terminar, com criminosos, e ver milhares de empresas demitindo seus funcionários e fechando as suas portas.

Cabe destacar a brilhante coluna escrita em ZH no dia 23/09/08 pelo desembargador Milton dos Santos Martins, que trata do mesmo assunto sobre o Estado policialesco em que virou o nosso país.

Mas, graças a vocês, podemos ouvir um eco de sabedoria, racionalidade e temos um fio de esperança de que um dia a luz do fim do túnel se acenda de vez e possamos ter um país mais justo com TODOS, sem arbitrariedades.

Um grande e fraternal abraço de um empresário desesperado! (ass.) Renato De Léo, renato@roseplace.com.br”.

* Texto publicado na página 75 de Zero Hora

Postado por Sant`Ana