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Posts do dia 22 outubro 2008

O custo do vandalismo

22 de outubro de 2008 12

Estou impressionado com os números apresentados hoje em Zero Hora. Com o roubo de equipamentos de trânsito na Capital, a Empresa de Transporte Público e Circulação, a EPTC, vai gastar R$ 1 milhão. Gasto com vandalismo.

No ano passado, foram furtados seis semáforos de pedestres e, neste ano, mais de 200. Mas o que as pessoas querem com semáforos de pedestre? Enfeitar a casa?

A polícia vem recebendo ocorrências de destruição de escadas rolantes, botoeiras, painéis de comando, fiação elétrica, quebra de cabina, vidros e laterais de escadas nos terminais do metrô, sem falar nas paradas de ônibus. Tudo isso torna-se em um prejuízo extraordinário.

O que têm na cabeça as pessoas que furtam equipamentos públicos?

É uma devastação séria. Fora a depredação nos parques da cidade. Estes dias, estava vendo o relatório da depredação do parque Marinha do Brasil. Impressionante. E os ataques ocorrem sempre à noite, é nesse período que os vândalos atacam.

No quesito chamado concerto das nações, neste particular, o Brasil é um país primitivo. Ora, onde já se viu furtar os equipamentos públicos?

Já roubaram monumentos, estátuas e placas do Parque Farroupilha. A prefeitura teve que recolher o que restava, senão sumiria tudo.

Por isso, batalho há muito tempo pelo cercamento dos parques. Acho que aos poucos a sociedade vai tomando consciência de que esse medida é fundamental para que se possa investir e torná-los estonteantes e agradáveis à população.

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Não tem mais horário de pico em Porto Alegre

22 de outubro de 2008 5

Com a chuva os problemas no trânsito se intensificam. Mas já são constantes os congestionamentos em horários variados na Capital.

Assista ao meu comentário no Jornal do Almoço:

Postado por Sant`Ana

Está muito fácil matar

22 de outubro de 2008 38

Valéria Gponçalez, AE

Cerca de 30 mil pessoas foram ao velório e enterro da garota Eloá Pimentel, a menina que foi assassinada por seu ex-namorado, depois que permaneceu por mais de 100 horas em cárcere privado.

Havia na multidão uma transparente desolação e uma surda indignação com o desfecho do seqüestro.

Um crime hediondo e cruel. Tanto pelo terror de que foi tomada a vítima fatal, ofendida, espancada, maltratada de todos os modos pelo assassino durante os quatro dias de cativeiro, quanto pelo assassinato, que se constituiu em um tiro na testa que atravessou o cérebro e outro balaço na virilha.

O assassino não teve contemplação, designou que não sairia daquele apartamento sem ceifar a vida de sua ex-namorada. E cumpriu com sua promessa, confirmou a sua ameaça. 

Eu posso até produzir uma imagem tosca, mas o processo penal é um negócio em que o delinqüente faz um contrato de risco: se for apanhado, terá de arcar com a conseqüência de seu ato.

Se, no entanto, não for apanhado, terá lucrado por não pagar por seu crime.

Neste caso do seqüestro de Eloá, a impressão que dele emana é de que o criminoso foi apanhado mas não pagará por seu crime hediondo. E que lucrará se for condenado, poderá com pouco mais de cinco anos de prisão vir a ser solto. 

Então o que é que está errado na lei brasileira? O erro consiste exatamente em que a pena para o crime hediondo pode ser considerada irrisória.

Ou seja, a sociedade brasileira não se aparelhou para punir os criminosos, de tal sorte que uma das funções da pena, a intimidação aos que ainda não se jogaram ao crime mas pretendem fazê-lo se torne eficaz.

O que se nota visivelmente no quadro criminal grave que varre o país é a mais absoluta indiferença dos criminosos para com a conseqüência que advirão para eles de uma condenação. Eles zombam da provável condenação. 

E por que zombam da provável condenação? Porque as penas não são severas nem definitivas. Ou seja, em última análise, não existe nem a prisão perpétua nem a pena de morte na legislação penal brasileira.

Como o sistema penitenciário brasileiro está em escombros, fica impossível à Justiça Penal não ser benevolente com os criminosos. Se não há vagas nos presídios, um mandamento matemático manda que sejam soltos os criminosos mediante artifícios legais ou normativos, tornando a impunidade reinante.

Isso encoraja as pessoas a praticar crimes. Elas sentem que vale a pena transgredir. Tanto sob o ponto de vista dos ataques patrimoniais quanto sob a ótica dos crimes passionais: qualquer pessoa que se sinta traído ou abandonado numa relação amorosa encoraja-se a matar quem traiu ou abandonou porque sabe que a punição que sofrerá não será drástica

O artigo 121 do Código Penal diz que matar alguém poderá acarretar a pena de seis a 30 anos de prisão.

Seis anos não são nada. E 30 anos não são 30 anos pelo sistema brasileiro, significam apenas seis.

Em linguagem popular, fica assim uma barbada matar no Brasil. O jornalista Pimenta Neves, em São Paulo, matou cruelmente sua ex-namorada, também jornalista. A moça estava indefesa, ele correu atrás dela e a matou a tiros como se aniquila uma rês em matadouro.

Foi condenado em 2006 a 15 anos de prisão e está solto, lépido e fagueiro. Foi um crime inominável. Incrivelmente este assassino implacável e monstruoso está solto. 

Então nenhum candidato a criminoso teme mais as penas. E quando a pena perde o seu caráter intimidativo, o direito penal resta em farrapos.

Por isso é que eu prego a pena de morte.

Alguns raros não a temerão antes de delinqüir. Podem ser executados.

Mas a grande maioria recuará de delinqüir e nisso se beneficiará a sociedade.

A lei terá de dizer que não deve restar a mínima dúvida da culpabilidade do acusado. Nesse caso, o Estado tem o dever de matar todo o matador hediondo.

Assim como está, é sopa demais.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana