Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de outubro 2008

A hora e vez do eleitor

25 de outubro de 2008 7

Hoje é o dia das pessoas se sentirem importantes: é talvez o único dia em que os cidadãos decidem algo importante, vão escolher os seus governantes e, para isso, não dependem nem dos favores nem dos préstimos de outros governantes ou de quaisquer agentes públicos a quem devam reverência.

Não serão vigiados no ato de escolha, portanto não foram pressionados a votar em alguém. E nem precisarão dar satisfações a ninguém pelo seu sufrágio.

A isso se chama de voto livre.

***

E no Brasil é livre mesmo. Você vota em quem bem entende. Este é um momento em que o eleitor, embora muitas vezes inconsciente, no entanto intui quem no seu entender é o melhor candidato. E crava o nome dele ou dela na urna.

***

A eleição é também um ato de esperança. Vota-se na expectativa de que nossa escolha vá melhorar a vida da cidade.

E a eleição se constitui também num ato de responsabilidade: se der certo ou se der errado o voto que se depositou na urna, o fato é que chamamos para nós, quando votamos, a participação nos desígnios do que nos acontecerá nos próximos quatro anos.

Não ficamos ausentes da decisão sobre os nossos destinos: o instante da eleição é aquele em que manifestamos aquilo em que nós cremos. Mas também pode ser o momento em que manifestamos a nossa desaprovação.

***

Ouço muito de eleitores a seguinte frase: “Eles vão ver, na eleição eles nos pagam”.

Então, a eleição se constitui também num ajuste de contas.

Não existissem as eleições e os políticos é que não teriam que dar satisfações ao povo dos seus atos.

A eleição, portanto, é uma forma de o povo cobrar ação e exação dos políticos. Se estes últimos não se portarem bem, sabem que, de dois em dois anos, de quatro em quatro anos, terão seus procedimentos julgados na urna. E os julgadores serão exatamente aqueles que foram alvos das ações governamentais e dos atos políticos dos que se submetem à votação.

***

Em todas as eleições, vejo nas seções eleitorais gestos comoventes. Pessoas idosas, com mais de 80 ou 90 anos, sem terem a obrigação de votar, que é exigida aos mais jovens, lá chegam com sacrifício para exercitar com prazer e vontade o seu voto.

Nas eleições, vejo pessoas cegas, aleijadas, inválidas, alguns em cadeira de rodas, outras sendo carregadas nos braços por não poderem se locomover, irem lá corajosamente depositar o seu sufrágio, sem qualquer punição se não o fossem.

Que bela lição de civismo, que impressionante exemplo espírito público!

***

E, ainda, as eleições entre nós são mais saudáveis e animadoras porque somos convictos de que elas não são fraudadas.

Uma Justiça eleitoral austera, com a ajuda magnífica dos cidadãos que são convocados a colher e apurar os votos, garante de que não será malbaratada a vontade popular.

Em quantas e quantas nações deste planeta são fraudadas as eleições e os votantes são encaminhados pelas urnas pelo tacão dos ditadores de plantão.

As nossas eleições, graças a Deus, são livres.

E nós podemos dizer intimamente para nós mesmos: “Hoje eles nos pagam”.

Ou então dizer melhor ainda: “Hoje vou finalmente lá votar em quem melhor fez para ganhar o meu voto”.

 

*Texto publicado da edição dominical de Zero Hora de 25/10/2008.

Postado por Paulo Sant`Ana

O Rolo Compressor

24 de outubro de 2008 24

Banco de Dados

Ivo; Alfeu e Nena; Viana, Ávila e Abigail; Tesourinha, Russinho (ou Motorzinho), Adãozinho, Villalba e Carlitos.

Vejam vocês que até eu, que sou gremista, sei a escalação do Rolo Compressor, a histórica e lendária equipe do Internacional dos anos 40.

Eu ainda era menininho no tempo em que este time jogou. Cheguei a assistir a um jogo do Rolo, quando tinha apenas cinco anos de idade. Claro que eu já era gremista, decerto estava ali, na arquibancada dos Eucaliptos, já secando o Internacional. E vi o Tesourinha jogar. Vi duas vezes, antes de ele atuar no Grêmio.

Tesourinha era soldado da Brigada Militar, onde meu pai era tenente. Papai me levava no serviço de intendência, na Avenida Praia de Belas, para falar com o Tesourinha. Era muito famoso, o Tesourinha. Falam maravilhas dele, dizem que era um ponteiro-direito que, comumente, pegava a bola na direita, passava pelo marcador, enveredava pelo centro e chutava com os dois pés. O Tesourinha, aliás, só ficou de fora da Copa de 1950 porque estava machucado.

E outro jogador famosíssimo do Rolo Compressor era o Carlitos, ponteiro-esquerdo. Muito ouvi que ele fazia vários gols impedido, de tão rápido que era.

Às 18h de hoje, no Mercado Público da Capital, meu companheiro de Sala de Redação Kenny Braga lançará o livro Rolo Compressor — Memória de um Time Fabuloso. É fadado a grande sucesso este livro, pois compreende uma pesquisa exaustiva sobre o mais célebre time de futebol do Rio Grande do Sul. Deve comparecer ao lançamento o ex-zagueiro Nena, 85 anos, único representante daquela equipe que ainda vive.

Seja colorado ou gremista, ninguém pode negar os méritos de qualquer time que tenha se transformado em uma lenda, passado de boca em boca pelas gerações, desde um tempo em que não havia televisão e que a técnica fotográfica era incipiente.

Ouça meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

A crise sem rosto

24 de outubro de 2008 19

Dennis M. Sabangan, EFE

O que mais me apavora nesta crise financeira que abala o mundo e parece que agora começa a balançar os alicerces brasileiros é a mais completa alienação sobre sua origem e perspectivas por parte de todos os governantes e analistas.

Ninguém diz nada com nada, os meios de comunicação convocam economistas e entendidos em mercado financeiro, nenhum deles demonstra qualquer segurança em suas análises, apenas tergiversam sobre as causas e tartamudeiam quando se trata de indicar os remédios.

De uma parte ouvi nossos líderes, o presidente da República, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. Inicialmente passaram ao país a impressão de que os fundamentos econômicos e financeiros do Brasil eram sólidos e a crise não nos iria afetar de forma alguma.

Logo em seguida, pelas suas fisionomias se podia adivinhar que estavam assustados e que o Brasil passara a ser atingido ameaçadoramente pela crise, tomando algumas raras e veladas providências para preveni-la, no entanto não se mostrando claros sobre a extensão dos danos que esta presumidamente grande turbulência irá produzir sobre a vida brasileira.

A impressão que nossos governantes dão é de que guardam segredos que não querem transmitir à sociedade, não compartilhando deles nem com o Congresso Nacional.

A manchete de ontem de Zero Hora, que foi afinal de todos os jornais brasileiros, acabou terrificante sobre todos os espíritos lúcidos: “Banco do Brasil e Caixa Econômica ganham carta-branca para absorver bancos e empresas”. Incrível manchete, que espalha a impressão de que nossos bancos privados estão ameaçados de quebra e que grandes empresas estão à beira da insolvência.

Mas será que a situação é tão grave assim?

Como é que podem os supermercados estarem tranqüilamente preparando seus estoques para abastecer os seus clientes de gêneros natalinos, como pode o comércio, a indústria, os serviços estarem funcionando com relativa normalidade, enquanto o governo anuncia que está se aprestando a socorrer financeiramente bancos e empresas?

Falta alguém — e só pode ser o governo — que explique à sociedade qual a verdadeira extensão dessa crise.

Nós precisamos saber qual vai ser a sorte, nos próximos meses, dos empregos, dos negócios, enfim, de toda a atividade econômica brasileira, diante da crise que não tem forma, que não tem desenho, que parece não ter materialidade mas que se abate com um espectro sinistro sobre o espírito de todos os cidadãos.

Está faltando transparência.

E nós brasileiros temos o direito de saber do que nos espera, até mesmo para que passemos a nos comportar de forma compatível com os cuidados que devemos tomar para enfrentar este fantasma horrendo que nos pintam, que se choca e contradiz violentamente com a realidade que estamos vivendo.

Socorro! Clamamos por informações e orientação!

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora

Postado por Sant`Ana

Absurdo: não trocaram a lâmpada da sinaleira!

23 de outubro de 2008 25

Júlio Cordeiro, Banco de Dados

Reproduzo abaixo o desabafo da leitora Carolina Rosado (carolrosado@hotmail.com):

“Sant`Ana,

Te escrevo ainda sob o impacto dos acontecimentos. Há algum tempo tenho questionado se realmente vivemos em um país sério, mas sou uma sonhadora vigorosa. Continuava acreditando que somos o país do futuro, tanto que estou construindo a minha carreira na área da educação superior.

No entanto, ao sair do trabalho ontem, estava cruzando a BR-116 em uma sinaleira, quando o meu carro foi atingido por outro na lateral esquerda. Todos sabem os perigos de uma batida lateral em uma rodovia e, que a velocidade mínima, e não a máxima, é de 80 km/h. Mas tive sorte, e os danos não foram graves.

Ao descer do carro, o motorista do outro veículo me informou que a sinaleira estava com o sinal vermelho queimado. Ao chegar ao local, um policial rodoviário federal confirmou o problema da sinaleira e disse que não haviam conseguido alguém para trocar a lâmpada ou sinalizar o local.

Após o ocorrido, passei a me questionar: minha vida e a de milhares de pessoas que realizam esse trajeto valem uma lâmpada? Em um país sério, onde a vida é tratada com respeito, aconteceria um descuido desses? Se eu tivesse morrido, perderia o futuro que tenho para construir — filhos, família, carreira — por uma lâmpada?

Bom, Sant`Ana, isso é apenas um desabafo sobre a falta de cuidado com a vida. Transformar uma sinaleira em uma roleta-russa, em uma rodovia de tráfego altíssimo, no mínimo me faz pensar que não estamos vivendo em um país sério.”

Postado por Sant`Ana

Onde está o treinador? Quem é o líder do Grêmio?

23 de outubro de 2008 29

Treinador precisa ter participação ativa para garantir a vaga na Libertadores.

Assista:

Postado por Sant`Ana

Temos de garantir a Libertadores!

23 de outubro de 2008 11

Hoje é dia de decisão no Olímpico. No meu entender, individualismo, o Grêmio não decide apenas o título, mas também a sua participação na Libertadores.

Se não ganhar do Sport, fica seriamente ameaçado de não entrar no grupo da Libertadores.

Preteou de novo o olho da gateada para o Grêmio e o jogo de hoje é altamente decisivo.

E olha que não é só a liderança que se decide, a Libertadores, que parecia garantida para o Tricolor, define-se hoje!

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Engarrafou total

23 de outubro de 2008 19

Ronaldo Bernardi, Banco de Dados - 07/01/2008

Não entendo como os candidatos a prefeito de Porto Alegre não se fixam sobre o maior problema estratégico da cidade: a ameaça de colapso na circulação de veículos pelas principais avenidas da Capital.

A cidade já está engarrafada.

As avenidas que ligam os bairros estão completamente congestionadas, é impossível dirigir-se da Zona Sul para a Zona Norte – e vice-versa – sem topar com imensos engarrafamentos.

Quem vem da Zona Sul e quer fugir do engarrafamento da Avenida Ipiranga, tenta desviar para a Avenida Independência, mas lá depara com engarrafamento irritante. 

Perguntem aos taxistas, eles que são os maiores sacrificados por este entupimento geral da superfície da cidade: dirão que não existe mais horário de pico para engarrafamento, todos os horários se pervertem em engarrafamentos.

O trânsito na Avenida Assis Brasil virou um tormento em qualquer horário do dia, a Protásio Alves é um cenário de depressão do trânsito, suas duas vias estreitas de escoamento completamente sufocadas. E quem for tentar usar a Avenida Ipiranga para fugir da Protásio Alves acaba passando pelas mesmas atribulações.

O túnel da Conceição virou um descalabro, tendo como ponto dramático principal a esdrúxula localização da estação rodoviária.

Qualquer especialista em trânsito se obriga a prever que nos próximos tempos a cidade sofrerá um sério e perverso colapso na circulação. 

Não se diga que esta é uma visão elitista da catástrofe de trânsito que nos ameaça. Poderá se alegar que esta é uma questão que afligirá – e já aflige – apenas os proprietários de carros.

Nada disso, todas as camadas sociais sofrem e sofrerão com o problema. Os pobres e os de classe média baixa, por sinal, sofrem e sofrerão mais do que os outros. Porque não havendo metrô, os ônibus e lotações engarrafam junto os carros.

E já há pessoas que residem em Viamão, Guaíba, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Sapucaia, Esteio e outros municípios da Grande Porto Alegre que estão gastando diariamente de quatro a cinco horas para ir e voltar para suas casas, somente em transporte coletivo.

Some-se a esse suplício de cinco horas de transporte o horário de trabalho dessas multidões e registre-se que as autoridades precisam imediatamente se debruçar sobre a aflição dessas populações e tomar medidas que amenizem seu sofrimento.

Em seguida terá de se tomar a medida drástica de só permitir o tráfego de placas pares num dia e impares no outro, o que talvez o transporte coletivo não possa suprir, sendo ainda injusto para as pessoas, que se transformarão em cidadãos viários pela metade, pagando no entanto impostos integrais sobre seus veículos.

Serão necessárias medidas profundas de mudanças de hábitos das empresas comerciais, dos serviços, da indústria, das repartições públicas e dos estabelecimentos de ensino para diversificarem seus horários.

Ocorre que a cidade funciona só 12 horas das 24 horas do dia. Notem que à noite o trânsito funciona com serenidade. Por quê? Porque nada funciona à noite. Pois vai ter que funcionar.

Todo o engarrafamento se dá entre 7h e 19hs. Simplesmente porque todos se atiram às ruas para trabalhar, estudar e serem atendidos pelos serviços somente nestas 12 horas.

Não vai poder ser assim. Em vez de dois turnos de atividade, manhã e tarde, compreendendo só 12 horas de trânsito intenso, teremos de implantar três turnos de atividades, com 18 horas de trânsito mais movimentado mas diluído, o que desafogará as vias de circulação.

Terá de haver uma revolução no trânsito e na vida das pessoas. E o preço a se evitar será uma cidade inviável, inteiramente sufocada no trânsito e com colapso total em seu metabolismo.

Soou o alarma. É preciso desde já arregaçar as mangas para evitar o desastre de paralisação total da capital dos gaúchos.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

O custo do vandalismo

22 de outubro de 2008 12

Estou impressionado com os números apresentados hoje em Zero Hora. Com o roubo de equipamentos de trânsito na Capital, a Empresa de Transporte Público e Circulação, a EPTC, vai gastar R$ 1 milhão. Gasto com vandalismo.

No ano passado, foram furtados seis semáforos de pedestres e, neste ano, mais de 200. Mas o que as pessoas querem com semáforos de pedestre? Enfeitar a casa?

A polícia vem recebendo ocorrências de destruição de escadas rolantes, botoeiras, painéis de comando, fiação elétrica, quebra de cabina, vidros e laterais de escadas nos terminais do metrô, sem falar nas paradas de ônibus. Tudo isso torna-se em um prejuízo extraordinário.

O que têm na cabeça as pessoas que furtam equipamentos públicos?

É uma devastação séria. Fora a depredação nos parques da cidade. Estes dias, estava vendo o relatório da depredação do parque Marinha do Brasil. Impressionante. E os ataques ocorrem sempre à noite, é nesse período que os vândalos atacam.

No quesito chamado concerto das nações, neste particular, o Brasil é um país primitivo. Ora, onde já se viu furtar os equipamentos públicos?

Já roubaram monumentos, estátuas e placas do Parque Farroupilha. A prefeitura teve que recolher o que restava, senão sumiria tudo.

Por isso, batalho há muito tempo pelo cercamento dos parques. Acho que aos poucos a sociedade vai tomando consciência de que esse medida é fundamental para que se possa investir e torná-los estonteantes e agradáveis à população.

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Não tem mais horário de pico em Porto Alegre

22 de outubro de 2008 5

Com a chuva os problemas no trânsito se intensificam. Mas já são constantes os congestionamentos em horários variados na Capital.

Assista ao meu comentário no Jornal do Almoço:

Postado por Sant`Ana

Está muito fácil matar

22 de outubro de 2008 38

Valéria Gponçalez, AE

Cerca de 30 mil pessoas foram ao velório e enterro da garota Eloá Pimentel, a menina que foi assassinada por seu ex-namorado, depois que permaneceu por mais de 100 horas em cárcere privado.

Havia na multidão uma transparente desolação e uma surda indignação com o desfecho do seqüestro.

Um crime hediondo e cruel. Tanto pelo terror de que foi tomada a vítima fatal, ofendida, espancada, maltratada de todos os modos pelo assassino durante os quatro dias de cativeiro, quanto pelo assassinato, que se constituiu em um tiro na testa que atravessou o cérebro e outro balaço na virilha.

O assassino não teve contemplação, designou que não sairia daquele apartamento sem ceifar a vida de sua ex-namorada. E cumpriu com sua promessa, confirmou a sua ameaça. 

Eu posso até produzir uma imagem tosca, mas o processo penal é um negócio em que o delinqüente faz um contrato de risco: se for apanhado, terá de arcar com a conseqüência de seu ato.

Se, no entanto, não for apanhado, terá lucrado por não pagar por seu crime.

Neste caso do seqüestro de Eloá, a impressão que dele emana é de que o criminoso foi apanhado mas não pagará por seu crime hediondo. E que lucrará se for condenado, poderá com pouco mais de cinco anos de prisão vir a ser solto. 

Então o que é que está errado na lei brasileira? O erro consiste exatamente em que a pena para o crime hediondo pode ser considerada irrisória.

Ou seja, a sociedade brasileira não se aparelhou para punir os criminosos, de tal sorte que uma das funções da pena, a intimidação aos que ainda não se jogaram ao crime mas pretendem fazê-lo se torne eficaz.

O que se nota visivelmente no quadro criminal grave que varre o país é a mais absoluta indiferença dos criminosos para com a conseqüência que advirão para eles de uma condenação. Eles zombam da provável condenação. 

E por que zombam da provável condenação? Porque as penas não são severas nem definitivas. Ou seja, em última análise, não existe nem a prisão perpétua nem a pena de morte na legislação penal brasileira.

Como o sistema penitenciário brasileiro está em escombros, fica impossível à Justiça Penal não ser benevolente com os criminosos. Se não há vagas nos presídios, um mandamento matemático manda que sejam soltos os criminosos mediante artifícios legais ou normativos, tornando a impunidade reinante.

Isso encoraja as pessoas a praticar crimes. Elas sentem que vale a pena transgredir. Tanto sob o ponto de vista dos ataques patrimoniais quanto sob a ótica dos crimes passionais: qualquer pessoa que se sinta traído ou abandonado numa relação amorosa encoraja-se a matar quem traiu ou abandonou porque sabe que a punição que sofrerá não será drástica

O artigo 121 do Código Penal diz que matar alguém poderá acarretar a pena de seis a 30 anos de prisão.

Seis anos não são nada. E 30 anos não são 30 anos pelo sistema brasileiro, significam apenas seis.

Em linguagem popular, fica assim uma barbada matar no Brasil. O jornalista Pimenta Neves, em São Paulo, matou cruelmente sua ex-namorada, também jornalista. A moça estava indefesa, ele correu atrás dela e a matou a tiros como se aniquila uma rês em matadouro.

Foi condenado em 2006 a 15 anos de prisão e está solto, lépido e fagueiro. Foi um crime inominável. Incrivelmente este assassino implacável e monstruoso está solto. 

Então nenhum candidato a criminoso teme mais as penas. E quando a pena perde o seu caráter intimidativo, o direito penal resta em farrapos.

Por isso é que eu prego a pena de morte.

Alguns raros não a temerão antes de delinqüir. Podem ser executados.

Mas a grande maioria recuará de delinqüir e nisso se beneficiará a sociedade.

A lei terá de dizer que não deve restar a mínima dúvida da culpabilidade do acusado. Nesse caso, o Estado tem o dever de matar todo o matador hediondo.

Assim como está, é sopa demais.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

A pena tem que ser compatível com o crime

21 de outubro de 2008 45

Mais de 30 mil pessoas compareceram ao enterro da garota Elóa. É um caso emblemático para a discussão da pena de morte no Brasil.

Assista ao vídeo: 

Postado por Sant`Ana

Sem cirurgia

21 de outubro de 2008 8

Pitanguy foi o primeiro a me dizer que

Falei ao Gaúcha Hoje direto do Centro Cirúrgico do Hospital Moinhos de Vento, na Capital, onde eu seria submetido a uma cirurgia às 7h45min. Mas, para a minha surpresa, o meu médico me examinou e disse que a minha lesão recuou, que surgiu uma outra que pode ser curada sem cirurgia e se recusou a me operar.

É o segundo médico que não me opera. O primeiro foi o Doutor Ivo Pitanguy.

Eu fui para o Rio Janeiro, levei meu pai, me internei na clínica. Quando eu chego ao Centro Cirúrgico, ele me disse:

— Não vou lhe operar. A sua paralisia facial está tendo progresso. Eu não vou impedir isso.

E hoje, no Moinhos, ouvi a mesma coisa. Depois dessa, formulei uma frase:

O melhor operador é que que não opera!

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Pena de morte, urgente!

21 de outubro de 2008 92

LIndemberg, entre os policiais, na saída do cativeiro/Clayton de Souza, AE

Este caso de Santo André, São Paulo, em que um homem reteve por 100 horas, portanto mais de quatro dias, uma refém em seu poder, terminando por matá-la quando a polícia invadiu o cativeiro, é emblemático para a discussão da pena de morte no Brasil. 

Vê-se que em tudo se mostrou a superioridade do criminoso sobre a sociedade e sobre a polícia.

O criminoso fez o que bem quis com seu refém e com a polícia. Ameaçou matar a refém no caso de que fosse invadido o apartamento em que eles se encontravam e cumpriu com sua ameaça.

O resultado final do embate que o criminoso travou contra a polícia – portanto, contra a sociedade – foi uma vitória amassante do crime sobre a ordem pública.

Mais dignos são os criminosos que depois de assassinarem seus reféns dão fim à própria vida.

Mas este criminoso de Santo André não deu nada em troca da vida da sua refém, nada em troca da integridade física da sua outra refém, que restou ferida gravemente.

Ele simplesmente cumpriu com o seu desígnio e com seu capricho e saiu preso, mas vivo, do cativeiro, absolutamente vitorioso na sua pretensão, que era matar a moça por quem ele se declarou apaixonado e que presumidamente o abandonou. 

Eu vi pessoas chorando quando aconteceu o desfecho. A opinião pública brasileira ficou chocada com o seqüestro durante as 100 horas do seu transcorrer.

Pode, depois de tudo que fez, depois de estremecer o país inteiro, depois de aterrorizar suas duas reféns por mais de quatro dias, depois de pôr em vigília e em ação uma polícia despreparada, depois de assassinar sua refém principal e tentar assassinar a sua refém secundária, este homem sair com vida e ileso deste episódio horrendo, trágico e contristador? 

Este homem não poderia, fosse a lei penal brasileira sensata, sair vivo da prisão ou do julgamento.

Ele teria de ser condenado à morte, deveria haver uma proporcionalidade entre o mal que ele causou e a sua sorte decretada por uma sentença.

Ele tinha de ser condenado à morte. Se o fosse, ainda assim a sociedade restaria derrotada. Porque se condenaria à morte um criminoso culpado de crime hediondo, enquanto ele eliminou a vida de uma inocente. 

Além disso, o que se vê em toda essa terrível crônica policial de homicídios que varre o país e assola a Grande Porto Alegre é que os criminosos estão zombando das penas.

Eles sabem que, se forem apanhados, restarão poucos anos na cadeia ou dela fugirão.

E aí não está funcionando um dos caracteres básicos da pena, que é a intimidação.

Ou seja, quando a pena deixa de intimidar os criminosos, evidentemente que a balança dos resultados acabará sendo favorável a eles.

A pena, para funcionar eficazmente, tem de ser dissuasória. Ou seja, os criminosos em potencial têm de temer a pena, têm de recuar no seu intento criminoso para não virem a ser atingidos pela pena.

E a pena no Brasil perdeu o seu caráter essencial ao deixar de ser dissuasória, a maioria dos criminosos está zombando dos efeitos da pena, decretando um caos penal que leva a esta onda assustadora de crimes contra a vida. 

Não há mais dúvida de que precisa ser instituída a pena de morte no Brasil. É urgente que se o faça.

Este criminoso de Santo André não podia escapar ileso, isto é, vivo, dessa sua monstruosa empresa.

E a perplexidade do povo e da sociedade se dá exatamente porque foi vitorioso e impune em sua empreitada o seqüestrador de Santo André.

Não pode ser só preso um monstro desses. Tem de ser morto.

E eu duvido que, se existisse pena de morte, ele fosse matar a sua refém. Isso é o caráter dissuasório da pena.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

O Gremio não tem time para ser campeão

20 de outubro de 2008 39

Já afirmei abaixo e ressaltei no Jornal do Almoço: Grêmio não tem time para ser campeão!

Assista ao vídeo:

Postado por Sant`Ana

Com este time não dá

20 de outubro de 2008 21

Cristian Schneider/Futura Press

Não pode existir uma segunda-feira mais desanimadora para quem é gremista. Depois do empate entre Palmeiras e São Paulo, quando se acenderam ainda mais as esperanças no time que ia jogar contra a Portuguesa, um dos pretendentes ao rebaixamento, o Grêmio teve uma pavorosa, uma ridícula atuação. E o que é pior: transmitiu a todos a sensação de que não dá para ser campeão com este time.

A própria Zero Hora diz isso hoje: o Grêmio não tem cara de campeão. Deixou de aproveitar a oportunidade que teve para disparar na liderança com quatro pontos. Jogou aquele futebol tosco, do início ao fim, com Morales, Orteman e, antes, com Marcel, um jogador de baixa qualidade que o Grêmio comprou.

Foi uma apresentação indignante. Jogou pior do que o Vasco, o Ipatinga, que estão na zona do rebaixamento. O que Celso Roth está fazendo com esse time? Parece que, de uns 40 dias pra cá, perdeu o controle.

Foi uma ridícula atuação contra uma Portuguesa descaracterizada, sem ambição. Assim não dá. Quem está com cara de campeão é o São Paulo, o Palmeiras. O Grêmio não. Depois de tanto tempo na liderança, um declínio impressionante.

A impressão de que o Grêmio não pode ser campeão é muito grave para uma torcida que tinha o sonho de conquistar o campeonato nacional.

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana