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Posts do dia 1 novembro 2008

Isto não vai ficar assim!

01 de novembro de 2008 51

Refletindo sobre a morte do amigo Renato Sirotsky, filho do seu Semi e sobrinho do seu Maurício, tão moço, tão entusiasmado, tão gremista, tão cheio de planos, tão cheio assim de cuidados com seus filhos, cheguei à conclusão de que sou um reencarnacionista.

Ou seja, a vida só tem uma lógica garantida se não for única, se se constituir meramente em apenas uma etapa, uma passagem, uma estação, a qual sobrevirão outras vidas, outras passagens, outras estações.

 

Fiquei sabendo pelo livro A Nova Ciência e a Fé, recentemente lançado, de autoria do porto-alegrense Mário Costa de Araújo Lima, que os grandes filósofos gregos Platão e Sócrates, duas das inteligências mais luminosas da humanidade, eram reencarnacionistas.

A reencarnação é a idéia segundo a qual os espíritos em seu processo evolutivo vivem muitas vidas, em diferentes corpos, assumindo portanto distintas personalidades.

 

Eu só posso admitir a idéia de um Deus bom, de um Deus justo, de um Deus misericordioso e acima de tudo de suprema lucidez e sabedoria, se concluir que não há uma vida única, que as pessoas que se tornam mártires, que vivem em extremo sofrimento, ou sobre as quais se abateram as injustiças e os tormentos, terão em outra vida recompensas que restituirão à sua vida um plano de justiça e lógica de proporcionalidade.

Como eu escrevi em outras colunas, isto não vai ficar assim.

Não pode Deus ter criado ao mesmo tempo uma besta e um filósofo, um rico e um miserável, um cruel e um bondoso, um feio e um bonito, um dotado de raras virtudes, outro pleno de todos os defeitos.

Uma só passagem pela vida, pela efemeridade em que ela consiste, pela incompletude das experiências que se desenrolam para um só indivíduo em particular, pela exigüidade do seu campo de desenvolvimento, será insuficiente para torná-lo apto a ser considerado um ser que tenha absorvido todo o húmus da existência e ter encerrado seu ciclo.

Não me resta dúvida nenhuma de que aqui na Terra estou vivendo apenas uma etapa da minha evolução e que outras missões me serão confiadas em vidas futuras, até que minha formação como espírito ocorra para que eu ganhe talvez para a eternidade um lugar na planície de Deus, quando então me reencontrarei com todos aqueles com quem compartilhei a ocasião maravilhosa da vida.

 

Não há céu nem inferno depois de uma só única vida. O que há é um inferno parcial, do qual o homem escapará por seu mérito, subindo os degraus da justiça através de muitas vidas, no rumo do aperfeiçoamento.

Não há também dúvida de que estamos sendo testados, estão sendo pesadas as nossas boas obras e as nossas maldades, num lento e progressivo andar pela vida, numa sucessão de várias vidas em que o Criador nos dá oportunidade de exercitá-las em situações absolutamente distintas uma das outras, com a finalidade de nos completarmos como seres dignos da criação, agarremo-nos ou não a uma religião ou crença, o que importa é que atinjamos um grau de bondade e dignidade a ponto de que sejamos considerados – e nos consideremos – justos.

 

Não faz sentido que Deus – ou qualquer outra força superior e reguladora que contenha o conteúdo desse nome – nos jogue aqui na Terra e nos faça néscio ou sábio, faminto ou regalado, oprimido ou poderoso, saudável ou doente, desde o nosso nascimento, tornando-nos assim tão facilmente condenados ou premiados.

Nada disso, isso é apenas um dos inumeráveis ciclos de vida a que temos de nos submeter.

Até nossa “formação”, muitas e muitas gerações e séculos vão suceder a este átimo de existência que nos cerca.

Não foi só esta vida que nos esperava.

Isto não vai ficar assim. Seria profundamente injusto.

 

*Texto publicado na página 51 de Zero Hora dominical

Postado por Paulo Sant`Ana

Há um galho no Grêmio

01 de novembro de 2008 68

Desculpem os leitores que não gostam de futebol, mas o momento é importante, estamos diante de uma decisão no Campeonato Brasileiro, o Grêmio está metido no centro dela e eu tenho de tomar uma providência para desencargo de consciência.

É que eu aposto que está havendo algo grave no Grêmio.

Alguma coisa está acontecendo. Não sei se o presidente Paulo Odone tem de investigar ou se o próprio André Krieger pode deslindar o mistério e revirar esta tendência, que parece inexorável, de o Grêmio perder o título.

Distante do vestiário e do Olímpico, não sei detectar.

Mas está havendo algo que está levando o Grêmio ao precipício.

                                                         ***

Essas questões não são difíceis de resolver. Basta haver um dirigente que converse em particular com um jogador, pode conversar com outro, em seguida se chega ao nó górdio do problema.

Só para exemplificar, sem nada ter a ver especificamente sobre a questão gremista, nesses casos os motivos são muitas vezes financeiros, não acertaram com os jogadores a quantia de prêmio pelo título ou participação na Libertadores etc.

                                                       ***

Outras vezes é um ruído na comunicação entre o treinador e os jogadores. Ou entre os dirigentes e o treinador. Ou seja, uma crise grave de relacionamento.

Alguma coisa está havendo no Grêmio para o time ter afundado numa crise técnica sem precedentes.

Até mesmo nas vitórias sobre o Botafogo, o Santos e o Sport, no Olímpico, as atuações gremistas foram sofríveis.

Mas, afinal, o que está havendo no Grêmio neste segundo turno?

A comparação com o primeiro turno, quando o time esteve ajustado, é surpreendente: o Grêmio é um outro time, sem rumo, sem orientação, vazio de tática e deplorável de técnica dos jogadores.

                                                      ***

Algo está havendo. Não pode o presidente gremista e seu representante no vestiário continuarem a assistir impassíveis ao Grêmio se precipitar num abismo sem fazer nada, sem tomar qualquer medida restauradora, sem chamar o técnico e dizer para ele que assim não dá para continuar. E ainda há tempo para consertar esta encrenca.

Algo grave está acontecendo. Não é lógico, não é racional e não é humano que o Grêmio tenha se distanciado 12 pontos do São Paulo neste campeonato e essa diferença tenha desaparecido por encanto, inteiramente.

Há algo de grave no reino da Dinamarca, ou melhor, no vestiário do Grêmio.

Eu não sei isto por sábio, sei por ser antigo no ramo.

                                                    Texto publicado na Zero Hora deste sábado

Postado por Paulo Sant´Ana