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Posts do dia 6 novembro 2008

Cirurgião plástico negro

06 de novembro de 2008 22

Reproduzo abaixo o e-mail do Dr. Lindo Cristaldo, cirurgião plástico:

“Caro Paulo Sant`Ana,

Fiquei surpreso ao ler sua coluna no jornal Zero Hora de hoje, sobre racismo. Venho lhe informar que médicos negros existem, sim! São poucos, mas felizmente não são inexistentes, como afirmaste.

E, sua frase: “Cirurgião Plástico negro, nunca haverá no Brasil.” Sou negro, médico cirurgião plástico há 20 anos em Porto Alegre. Meu consultório fica no Centro Clínico da PUCRS, no mesmo prédio, aliás, em que o senhor consulta.

Tenho uma clínica de cirurgia plástica nesta cidade, sou vereador em Viamão com dois mandatos, presidente da Comissão de Saúde e vice-presidente da Câmara Municipal de Viamão.

Minha filha, Dra. Karina Cristaldo, também negra, é médica e está fazendo residência em cirurgia plástica no Hospital da PUCRS.

Sou leitor assíduo de sua coluna e fui procurado por pacientes, colegas, amigos, parentes e funcionários. Então, lhe escrevo para esclarecer e peço que, na condição de formador de opinião, repasse esta informação aos teus leitores.

Atenciosamente,

Dr. Lindo Cristaldo
CRM 11801
Cirurgião Plástico e Gremista de coração”

Postado por Sant`Ana

Farroupilha viveu um ambiente de praça de guerra

06 de novembro de 2008 4

Uma verdadeira barbárie. Assista:

Postado por Sant`Ana

A estréia do Jornal do Almoço na era digital

06 de novembro de 2008 9

O primeiro Jornal do Almoço em alta definição foi realizado nesta quarta-feira, no Largo Glênio Peres. Este que vos fala ficou duas horas sob o sol, e ainda sofre dos efeitos da ensolação. Confira:

Postado por Sant`Ana

Uma transformação extraordinária

06 de novembro de 2008 13

Alex Brandon, AP

O fenômeno Obama é o título da capa de ZH de hoje. Ele é um fenômeno mesmo. Eu estava observando esta fotografia em que ele está atravessando a passarela da festa, em Chicago, e notei que a grande maioria das pessoas que estão atrás dele é branca.

Por curiosidade, gostaria de saber qual foi a porcentagem de votos de pessoas negras que ele teve. Mas tenho certeza de que a grande maioria dos votos foi de brancos, pois havia vários eufóricos com a eleição dele.

Eu acho que, acima de tudo, essa eleição terminou com a descriminação racial nos EUA. No momento em que se elege um presidente negro, em uma sociedade conservadora e racista, acaba o preconceito no país. A principal barreira caiu.

Há 40 anos, eles mataram Martin Luther King e, quatro décadas depois, escolhem um jovem negro para presidir o país.

Naquela época, lembro-me que no Alabama os negros não podiam andar nas calçadas. Eles eram obrigados a andar pelo leito das ruas. No ônibus, os negros eram obrigados, por lei, a ceder seus lugares para os brancos. Ou seja, antes não podiam andar nas calçadas e agora tomam conta da Casa Branca. É uma transformação extraordinária.

E não houve nenhum conflito entre brancos e negros durante a campanha.

Já assistimos a um negro ser campeão da Formula 1 e, agora, outro é eleito presidente dos EUA.

Só falta um negro ganhar seis, sete, oito medalhas na natação. E ainda quero ver um negro no primeiro lugar no ranking mundial de tênis.

Ouça o meu comentário sobre o assunto no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

O racismo é aqui

06 de novembro de 2008 81

Alex Bradon, AP, BD - 22/06/2008

Eleger-se um presidente negro nos Estados Unidos é fácil. Eu quero ver é eleger-se um presidente negro no S. C. Internacional, onde não há conselheiros negros.

Ou no Grêmio, onde também não há conselheiros negros.

Se existirem negros nos Conselhos Deliberativos do Internacional e do Grêmio, são menos de três. 

Isso dá razão a alguns sociólogos que sempre insistiram em que o Brasil é muito mais racista que os Estados Unidos.

Pelo seguinte fato: admite-se que haja racismo nos Estados Unidos. Já aqui no Brasil, ninguém admite que haja racismo. 

E no entanto nunca se ouviu falar de um almirante ou de um brigadeiro negro no Brasil. General deve haver raros.

Esses dias apareceu um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro negro. Mas também é muito raro.

Eu dou um prêmio para quem me trouxer aqui no jornal um síndico de edifício negro. Deve haver, se se for catar bem, mas é muito raro.

Caixa de banco negro também é muito raro.

Juízes e promotores negros são muito raros. Corretores de imóveis negros são raríssimos.

Eu nunca vi na minha vida um agente funerário negro. No entanto, entre os coveiros dos cemitérios se vêem muitos negros.

Médicos negros são praticamente inexistentes. Aqui e ali, um que um. Cirurgião plástico negro, nunca haverá no Brasil.

Alguém já viu, por exemplo, um psicanalista negro? Eu nunca vi sequer psiquiatra negro. 

E para que não me acusem de corporativista, um dos setores mais racistas da sociedade brasileira é o jornalismo: entre em qualquer redação de jornal e há em atividade 200 brancos para um negro.

O negro em jornalismo é só contratado para disfarçar. 

Nós não gostamos que se diga que o Brasil é um dos países mais racistas do mundo. Mas é.

E o Rio Grande do Sul é o Estado mais racista do Brasil.

Tanto que o primeiro governador negro gaúcho não foi Alceu Collares, foi o deputado Carlos Santos, que era presidente da Assembléia Legislativa gaúcha.

E ele assumia o governo do Estado sempre que os governadores viajavam.

Um dia, de madrugada, ele morava aqui na Azenha e o telefone de sua casa estragou.

Ele saiu de pijama e foi tentar telefonar na 2ª Delegacia de Polícia.

Quando dois policiais fardados que estavam na porta o viram, reconheceram-no e foram levá-lo com gentileza até o delegado.

O delegado, se espreguiçando, viu o deputado Carlos Santos entrando de pijama na sua sala, custodiado por dois policiais, e perguntou:

– O que é que tu já andaste aprontando por aí, negrão?

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana