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Posts do dia 15 novembro 2008

Vida vivida

15 de novembro de 2008 20

Benditos os que podem viver hoje para recordar amanhã.

Se eu tivesse que aconselhar os jovens, iria impeli-los a viver tudo o que podem, a amar, a divertir-se, a entreter-se em camaradagens, a impregnarem-se de aspirações, a sorver dia a dia, quanto mais o consigam, a vida em todas as suas delícias, senão pelo gozo do usufruto, quanto mais para que desfrutem mais tarde da riqueza das recordações.

***

O melhor da vida são os restos de amores, as cinzas das paixões catadas nas reminiscências.

Se eu tivesse de escolher os meus melhores momentos, eles se localizariam sem dúvida naqueles fins de tarde empolgantes em que começava a me preparar pelo banho e pela escolha da melhor roupa para aqueles encontros dançantes da juventude, onde iriam se decidir os melhores embates amorosos.

***

Ah, o amor. Quanto eu teimava em amá-lo como o fazem os jovens hoje quando se reúnem e embaralham seus sonhos com as paixões descompromissadas.

A juventude é o tempo feliz da vida pela ausência do compromisso.

A juventude é o tempo feliz da vida, embora o desconheçam isso os jovens, pelo exercício da liberdade.

E o que incrivelmente arrebata os jovens é que eles se atiram loucamente à perda da liberdade, ao compromisso.

***

O segredo da felicidade está em não conhecer-se o futuro, daí esse contentamento mágico das crianças.

Quando as pessoas passam a conhecer o seu futuro, a vida perde quase todo o encantamento.

Só se pode ser feliz quando se é dominado pela incerteza. A incerteza é o móvel da vida, a amiga da esperança, a tocha acesa do ideal.

***

Nunca mais voltarão os esperançados fins de tarde de sábado, quando tudo até a madrugada poderia acontecer.

Só pode ser feliz quem tiver aptidão para tal. Os jovens por exemplo, mas só enquanto forem aptos. Depois que realizarem seu sonho, tendem a ser menos felizes e mais incompletos.

O que é imprescindível é que nunca se deixe de ter ânsias.

A tolice consiste em saciar-se dos desejos e dos sonhos, daí que perde o sentido a vida quando a gente se encontra com o futuro.

Por isso é que, quando a vida se oferece inteira para nós, temos de vivê-la de maneira a que nunca nos esqueçamos do que estamos fazendo com ela.

É preciso que se viva de modo que tenhamos orgulho bem mais tarde do jeito que vivemos.

 

 

*Texto publicado na página 47 de Zero Hora dominical

Postado por Sant`Ana

Discutindo o pedágio

15 de novembro de 2008 13

Ontem foi a posição da oposição aos pedágios, hoje é a visão de um deputado governista: “Caro Paulo Sant’Ana. O Rio Grande do Sul sempre pode contar que tem no mínimo dois importantes personagens que não falham: esse bravo colunista, sempre atento a temas que interessam aos gaúchos e que proporciona, democraticamente, o livre trânsito das idéias; e o deputado estadual Elvino Bohn Gass, dotado de permanente disposição de desqualificar idéias diferentes das suas e decidida intenção de corromper o debate democrático.

Fico imaginando, caro Sant’Ana, qual seria o voto do deputado Bohn Gass se o atual governo estadual tivesse proposto à Assembléia o seguinte: a) manutenção dos contratos de concessão rodoviária; b) aumento de 36% em todas as tarifas de pedágio; c) redução da exigência de qualidade das estradas; d) reconhecimento de dívida para com as concessionárias (as credoras calculam que o valor atual ultrapasse R$ 1 bilhão); e) dispensa de investimento em melhorias e ampliações; e, também importante: f) apenas oito dias para debater e votar proposições. E ainda fazendo com que usuários passassem a pagar parte do pedágio das empresas transportadoras.

Pois veja só, Sant’Ana, como são as coisas: exatamente esse total absurdo foi proposto em 2000 pelo governo petista, com apenas oito dias (14 a 21 de novembro) para debate. E o deputado Bohn Gass, muito satisfeito da vida, achou tão bom, que votou favoravelmente para que fosse tudo aprovado.

Mas a dívida, reconhecida por lei, não foi paga pela administração Olívio Dutra. O governo atual pensa diferente. A gestão da governadora Yeda Crusius quer que o Rio Grande cresça e se desenvolva. Isso não ocorrerá sem boas rodovias, tarifas razoáveis e estradas seguras, o que não se conseguirá sem novas e volumosas obras. Ora, para cumprir isso, tem de zerar o passivo com concessionárias, elevar a exigência de qualidade das rodovias reduzindo o índice de irregularidade (IRI) de atuais 4,5 (o pior do Brasil) para 2,5 (o melhor do Brasil), investir em ampliações e melhorias em R$ 1 bilhão, garantir participação da comunidade com criação de conselhos de usuários, e, finalmente, fazer algo realmente novo: reduzir tarifas.

Caro Sant’Ana, ao contrário do governo do deputado Bohn Gass, o atual governo propõe com total clareza exatamente o que está exposto acima. Todos os deputados gaúchos receberam kits com totalidade de informações sobre o que está sendo proposto. Hoje, o parlamento rio-grandense está suficientemente preparado para discutir o projeto, pois nos últimos 20 meses os deputados se ocuparam com debates na CPI dos Pedágios e na Comissão de Representação Externa para tratar das Estradas Gaúchas, suas Concessões e da Malha Rodoviária. A repactuação de contratos é a forma responsável encontrada para desenvolver tudo isso e para que o Tesouro do Estado possa destinar recursos para outros investimentos, inclusive estradas, como, aliás, está devidamente registrado na proposta orçamentária remetida à Assembléia Legislativa. E o deputado Bohn Gass vem aqui na tua coluna e não apenas diz que vai votar contra o projeto do governo como afirma, maliciosamente, que a proposta é ‘misteriosa’? Misteriosa é a intenção de quem aprovou pedágios mais caros e estradas piores e não quer que isso se modifique. Na verdade, o deputado Bohn Gass, para derrotar o governo, está disposto a prejudicar a sociedade gaúcha. Grato, Sant’Ana e, também, a seus fiéis leitores, (ass.) deputado estadual Adilson Troca, PSDB”.

                                                    ***

“Paulo Sant’Ana, gostaria que comentasse essa minha opinião sobre os pedágios. Por mais que já pagamos o IPVA e outros impostos incluídos nos combustíveis, é inadmissível hoje pensarmos em rodovias sem pedágios tendo em vista a crise financeira do Estado. Contudo, gostaria que ligasse a este caminhoneiro que figurou em sua coluna e perguntasse se ele conhece o Pedágio Comunitário de Portão… com certeza não, pois esse realmente é viável a todos na medida que mantém a estrada, duplica a estrada, constrói trevos, rótulas, viadutos e ainda abastece o caixa único do Estado. Eu inclusive estou disposto a começar um movimento aqui em Ipê para nos anteciparmos aos problemas, ou seja, nos organizarmos para instalarmos um pedágio comunitário junto à RS-122 entre o Trevo de Acesso a Antônio Prado e a BR-116 em Vacaria. Este trecho está muito precário apesar de ter sido concluído em 2000. Na atual situação de nosso Estado é bem provável que os usuários irão clamar por melhoras e a única saída do governo Yeda será privatizar este trecho, por isso devemos nos antecipar para implantarmos um pedágio comunitário pois desta forma, em audiências públicas e com estudos preliminares juntamente com o Corede, definiremos localização, tarifas, metas de investimentos, etc.

Não sou a favor de cobrar novos impostos, taxas, tarifas, entretanto sou realista e corajoso o suficiente para encarar essa realidade que nos é imposta. O que não podemos é nos acomodar e aguardar soluções interesseiras. Grato! (ass.)Flávio Pauletti, secretário municipal de Administração e Fazenda, prefeitura municipal de Ipê-RS”.                          ** Texto publicado hoje na página 51 de Zero Hora

 

Postado por Paulo Sant´Ana