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Posts do dia 24 novembro 2008

Adeus, título!

24 de novembro de 2008 67

Um time para ser campeão não pode, na antepenúltima rodada do Brasileirão, sofrer a derrota que o Grêmio sofreu ontem. Isso só atesta o despreparo do time gremista para este campeonato.

Pelo menos eu estou consolado, pois a liderança que o São Paulo sustentava até ontem era ilegítima, fruto de um roubo, de um gol anulado. Mas, agora, o São Paulo tem cinco pontos a mais que o Grêmio.

E a entrada na Libertadores será difícil. Qualquer criança, qualquer louco, qualquer alienado sabe que o Internacional vai perder o jogo contra o Cruzeiro. Mas o Tite me paga! Ele não pode mais treinar o Grêmio.

Confira o meu comentário no JA:

 

Postado por Sant`Ana

Tristeza em Santa Catarina

24 de novembro de 2008 0

Comunidade entre Itajaí e Brusque ficou encoberta pela água/Tatyana Azevedo

A Zero Hora de hoje divulgou que, pelo menos, 20 pessoas foram mortas devido à chuva em Santa Catarina. E, agora há pouco, um repórter do Jornal do Almoço noticiou que já são 47 mortes.

Só nos resta emprestar aos irmãos catarinenses a nossa solidariedade.

Confira o meu comentário no JA:

Postado por Sant`Ana

Que time ruim!

24 de novembro de 2008 97

AE

Parece que venceu o pessimista, aquele que não acreditava que o Grêmio pudesse ser campeão. Ninguém torceu mais pelo Grêmio do que eu. Eu assisti todos os jogos e dos inimigos também. Torci como um desesperado para que o Grêmio fosse campeão. Embora eu não acreditasse que isso fosse possível.

O time é pobre e foi constituído só para que o Grêmio não caísse para o rebaixamento. Nós jogamos um campeonato inteiro sem centroavante. É impossível ganhar um campeonato sem um centroavante à altura. Se dizia que eu era pessimista, e eu próprio me intitulava assim. Mas eu não sou pessimista. Eu sou realista. Eu sou racionalista. Eu sei o time que eu tenho e pelo qual eu torço. Então, eu digo para os torcedores, ouvintes, leitores e telespectadores: nós não temos time!

Aí está a tragédia de ontem. Foi uma rodada trágica para o Grêmio. E o pior: no Sala de Redação, na semana passada, me desmoralizaram quando eu disse que era duvidosa a entrada do Grêmio na Libertadores. Na hora, fui desautorizado, fui calado. “O Grêmio já está na Libertadores”, disseram os maiores impedidos do programa.

Depois do confronto entre o Cruzeiro e o Flamego, está aí o resultado: o Cruzeiro ganhou e, agora, tem mais vitórias que o Grêmio. E o Flamengo tem uma vitória a menos do que o time gremista mas, se ganhar contra o Goiás na próxima rodada, se iguala em vitórias e terá saldo de gols maior. Esses dados todos precisam ser olhados, observados, vistos e calculados.

Agora, eu respondo: é dramática a classificação do Grêmio na Libertadores. O Benfica fez o cálculo: o Grêmio precisa ganhar um dos dois jogos que faltam e empatar o outro. Mas quem garante que o Grêmio de ontem, o Grêmio que nós conhecemos, que vem ganhando alguns jogos na sorte no Olímpico, tem time para empatar uma partida e ganhar outra?

Ao contrário do que todos pensavam e ainda pensam, a posição do Grêmio na Libertadores é dramática. Hoje eu quero ver se, lá no Sala de Redação, vão me dizer que o Grêmio já está classificado para a Libertadores. Eu quero ver se eles tem peito de me dizer isso. Eu sei o time que eu tenho. Eu não tenho time nenhum. Olha estes dois meninos, considerados a grande alavanca do Grêmio no campeonato: Rafael Carioca e Willian Magrão. Olha o que eles jogaram ontem. Absolutamente nada! Que ataque? Não tem ataque. O Grêmio não tem nada.

O Grêmio foi um milagre no primeiro turno e, isto sim, me surpreendeu. Aquilo, sim, foi contra a minha razão. Aquilo, sim, foi contra o que eu penso em futebol. Mas, no segundo turno, tudo o que eu penso em futebol aconteceu com o Grêmio.

Ninguém torceu mais pelo Grêmio do que eu. Eu não preciso provar que sou gremista. Eu sou o maior gremista do Estado há 37 anos. Eu não preciso ficar provando que sou gremista. Agora, eu tenho de ser coerente com as minhas idéias sobre futebol. Eu nunca vi time no Grêmio este ano. Eu vi um apanhado de jogadores, até que bem conduzido pelo treinador, mas que não tinha hierarquia para chegar ao título. Isso ficou provado ontem. Não dá para, na antepenúltima partida do campeonato, perder daquele jeito, por 4 a 2. Não dá!

Eu não sou pessimista como, às vezes, até eu mesmo me intitulo. Eu não sou catastrofista como, às vezes, as pessoas me intitulam. Eu sou realista. Eu sou racionalista. Eu estudo as possibilidades do meu time e vejo que ele não tem chance.

Os otimistas se esborracharam. Que time ruim esse do Grêmio!

Ouça meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

O fiasco, as nuvens e o Adagalmir

24 de novembro de 2008 1

Há um mês, quando o mundo se desregulou, um dia faceiro, outro deprimido por causa da crise financeira, Sant’Ana e eu olhamos para o céu e nos confortamos. Pelo menos, este ano nós vimos Jesus. Ele já escreveu aqui na coluna sobre aquele dia em que Jesus estava escrito nas nuvens. Sant’Ana viu Jesus. Fiquei de testemunha, porque Jesus não iria aparecer para mim com o Sant’Ana ao lado. Quando o nome de Jesus foi desenhado em letra corrida no céu, logo consenti: é contigo, Sant’Ana. Ele concordou: sim, é comigo, tu apenas valida meu testemunho. Era o que me cabia.

Lembro que, da sala onde estávamos mirando o poente, chegamos a assoprar em direção às nuvens sobre o Guaíba para que o nome de Jesus se desfizesse logo. Um intrometido tentaria compartilhar a aparição daquele entardecer. Temíamos uma confraternização coletiva, uma algazarra, que um chato estragasse tudo. Imagina, dizia o Sant’Ana, se o Adagalmir inventa de ver. Não, Jesus não poderia aparecer para inspirar exclamações de auto-ajuda e muito menos do Adagalmir, o falante. A nuvem se desfez, Adagalmir não apareceu. Fomos egoístas. Jesus era só nosso.

Relembrei desse dia das nuvens quando o Sant’Ana e eu fazíamos um balanço de 2008. Foi um ano de admiráveis coisas improváveis. Vimos Jesus, o mercado financeiro pediu socorro pro Lula, o Cacciola continuou preso e o Obama se elegeu. Nos indagamos sobre o que mais poderia acontecer num ano tão estranho. Eu disse que o Grêmio poderia ser campeão, e o Sant’Ana foi categórico: de que jeito?

E nos recolhemos à divagação remunerada, ao ócio produtivo de reflexões soltas, sem partitura, uma puxando a outra, jazísticas, oscilantes como a bolsa e o Grêmio. Estávamos alegres de manhã, abatidos à tarde, eufóricos à noite. Sugeri que, se o Grêmio fosse campeão, nada mais nos faria falta até dezembro. Nem a rapadurinha de leite que o Sant’Ana consome ronronando, com os olhos fechados como um esquilo morde uma noz, enquanto migalhas vão se esfarelando pelo chão. Nem a Coca light faria falta, nem o sonho dele de cercar a Redenção, nem a sesta no meio da tarde, nada.

Quinta-feira, antes de viajar, Sant’Ana disse que eu ocuparia seu espaço nesta segunda e pediu que eu falasse da rodada do campeonato, mesmo que o domingo não fosse tão bom. Ele não imaginaria que seria tão trágico. Depois do fiasco em Salvador, me rendo ao pessimismo que o Sant’Ana disseminou aqui na coluna, na TV, no rádio, na ZH online. Achava que aquilo era uma artimanha e secretamente imaginava que o Brasileirão seria conquistado na polvadeira, como na Batalha dos Aflitos, há exatos três anos. Seria na última rodada, no último minuto. E teríamos de novo um livro, um DVD, um filme e muitas lendas. O Grêmio se consagraria como único time verdadeiramente literário do Brasil, que exige livro grosso, desses que param de pé, enquanto os outros continuariam acomodando seus feitos em livrinhos de bolso. Mas o pessimismo do Sant’Ana era sábio, sólido, rochoso. O time do Grêmio era balofo, poroso, gasoso.

O que nos interessa agora são as resoluções de ano-novo. Vamos continuar a conversa da semana passada, quando estabelecemos resoluções na área afetiva, social, política, mas não chegamos a um entendimento. Um dia desses, estávamos devaneando sobre discordâncias e o que não pode ser deliberado, como as mensagens que nos chegam pelas nuvens, e aí entrou na sala o Adagalmir. Hoje é um daqueles dias sem nuvens, disse o Sant’Ana, espichando o olhar para o infinito. Adagalmir contemplou o céu por alguns segundos e se foi, silencioso, resignado, sem dizer nada. E ficamos então com mais uma constatação de 2008. A complexa linguagem das nuvens é uma ciência que o Adagalmir ainda não domina. Se o Adagalmir aparecer hoje com provocações sobre futebol, vamos desconversar e, liricamente, falar de nuvens.

* Texto de Moisés Mendes publicado hoje na página 43 de Zero Hora.

Postado por Moisés Mendes, interino