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Posts do dia 26 novembro 2008

Secar ou não secar

26 de novembro de 2008 92

Nós gremistas não aceitamos ingressar em um plano antiético, como fizeram os colorados ao torcerem para que o próprio Inter perdesse para o Cruzeiro e para o São Paulo.

Esta noite, quando o Internacional enfrentará o Estudiantes, em La Plata, estarei neutro em frente ao televisor. Não lhes darei o gostinho da secação.

Assista ao meu comentário sobre o assunto:

Postado por Sant`Ana

Oremos pelos catarinenses

26 de novembro de 2008 4

Vejam como a natureza é caprichosa. Enquanto aqui no Rio Grande do Sul foram destruídas lavouras de arroz, soja, milho e sorgo pela ausência de chuvas, em Santa Catarina ocorre a maior precipitação pluviométrica da história daquele Estado.

Essas enchentes em Santa Catarina flagelaram 1,5 milhão de pessoas. Sabem o que é isso? É o equivalente à população total de Porto Alegre!

Já há 53 mil pessoas desabrigadas, dezenas de desaparecidos, quase uma centena de mortos. E não há escolas, não há estradas, não há luz, não há gás, é uma tragédia inimaginável para quem não acompanha de perto! Oremos por eles, por favor, oremos por nossos vizinhos catarinenses.

Assista ao meu comentário sobre o assunto:

Postado por Sant`Ana

Nunca antes na história brasileira

26 de novembro de 2008 6

Resgate de pessoas isoladas no Morro do Baú, entre Ilhota e Luiz Alves, no Vale do Itajaí/Guto Kuerten

Agora se pode dizer que, no caso das enchentes em Santa Catarina, estamos diante de um dos maiores desastres naturais da história brasileira. Os números são horripilantes: 1,5 milhão de pessoas — número igual ao da população de Porto Alegre — foi atingido pelas enchentes; 54 mil pessoas estão fora de suas casas, estão desabrigadas; mais da metade desse número, ou seja, mais de 25 mil pessoas perderam, definitivamente, as suas casas. É uma tragédia incomensurável.

Houve especulação sobre o preço da água nos lugares atingidos em Santa Catarina. Um galão de água, que custa, normalmente, R$ 4, era vendido a R$ 20. Além de saques e roubos que houve em Itajaí. Saques em supermercados, em casas, em mercados. Isto é, houve uma reviravolta social em toda a dimensão da tragédia. Algo inimaginável. Durante anos serão reparados os danos. E muito dinheiro vai custar para recuperar esses estragos.

Imagina? Cidades inteiras cobertas pela água e pela lama. É uma tragédia nunca vista antes. Eu me perguntava antes o que nós, gaúchos, podíamos fazer para ajudar. Pois, agora, surgiu uma luz. No Banco do Brasil e no Banco do Estado de Santa Catarina foram abertas contas esperando donativos dos gaúchos para socorrer os irmãos catarinenses.

É, realmente, uma tragédia, talvez, incomparável. São 54 mil pessoas fora de suas casas, sendo que 25 mil perderam, para sempre, suas casas. Existem pessoas maltrapilhas pelos matos e pelas estradas em busca de auxílio. Cerca de 600 turistas foram resgatados, praticamente, de um Parque Aquático. É um acontecimento nunca visto na história brasileira. Algo que comove todo o Brasil.

Felizmente, o presidente Lula e as autoridades estão dizendo que vão visitar os locais da tragédia. E, com certeza, o governo federal vai ajudar com muito dinheiro, com bastante recursos as vítimas dessa tragédia inigualável.

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Todo burro é feliz

26 de novembro de 2008 16

Não há ser mais infeliz do que o lúcido. A lucidez é uma cruz.

Não há seres mais felizes que os medíocres, os inocentes, os burros.

Quando passarem por uma estrada, olhem para os bois pastando: não há seres mais tranqüilos, mais serenos, mais felizes do que eles.

Por que os bois são felizes na paisagem bucólica? Simplesmente porque desconhecem o seu futuro.

Não sabem os bois que vão morrer dali a meses a marretadas num matadouro. Isso os torna felizes e realizados.

Já os que sabem que vão morrer a marretadas, os que têm consciência de que estão disputando um campeonato de 38 jogos sem terem centroavante, os que têm consciência de que os aposentados não vão ser reajustados pela inflação em seus proventos, enquanto o salário mínimo é reajustado todos os anos em índices acima da inflação, os que têm consciência de que algumas categorias do funcionalismo público são reajustadas todos os anos em índices acima da inflação, enquanto outras não são reajustadas anos sobre anos, estes sabem que multidões vão morrer a marretadas ali adiante. Estes são os lúcidos, estes são profundamente infelizes, estes vão viver sempre atacados pelo infortúnio.

Não há pior maldição do que ser lúcido. E não há maior felicidade e maior realização do que ser burro.

***

Eu ontem me irritei e chamei um homem de burro. A sua resposta me desconcertou. Ele me disse que quer continuar sendo burro, que é muito confortável a sua condição de medíocre.

Eu sei por que a resposta do burro me desconcertou: porque ele revelou ser um burro lúcido. Quer continuar a ser burro, se ele deixar de ser burro vai deixar de ser feliz.

Primeira vez que eu topei com um burro lúcido.

Já eu, que me considero imodestamente um lúcido, gostaria de deixar de ser lúcido. Eu gostaria de me tornar burro. Afinal, no fim da vida, eu teria o direito de ser feliz.

***

Durante 37 anos, no Rio Grande do Sul, havia só uma pessoa preocupada com o caos carcerário. Sozinho, pregou no deserto a sua estranha e incompreensível tese de que quanto piores e mais precárias forem as condições físicas dos presídios, piores serão as condições de segurança pública fora dos presídios.

Ouviam esse disparatado e o consideravam um louco. Dedicaram-lhe 37 anos de indiferença.

Pois vejo agora que, ontem, 50 heróicos gaúchos foram até a Praça da Matriz e realizaram uma manifestação, lançando o Movimento Pela Consciência Prisional.

Já aderiram incrivelmente ao movimento juízes, promotores, policiais, cidadãos de todos os níveis, que querem chamar a atenção dos governantes para o fato de que enquanto os presídios permanecerem como um lúgubre amontoamento de seres animalescos, cercados de medo, violência, doenças irremovíveis e as mais desoladoras condições de higiene e dignidade pessoal, mais sérias e mais graves e aterrorizadoras serão as condições de segurança dos cidadão nas ruas, onde campeia o roubo por todas as formas de assalto e os assassinatos se empilham durante todas as semanas.

Havia um só gaúcho que pregava esta verdade acaciana, mas irritantemente incompreensível durante 37 anos.

Agora, há centenas de gaúchos que compreenderam esta verdade. E se lançaram ontem no Movimento Pela Consciência Prisional para dar um basta às pocilgas. Eles vão se atirar à tarefa sublime de convencer os três poderes a tornar dignos presídios e acabar com a idéia estúpida, burra, suicida, de que a sociedade tem de fazer sofrer os presos quanto mais o possa a fim de vingar-se deles.

* Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana